Disney troca CGI por efeitos feitos à mão em novo curta de princesas

A nova produção da Disney acompanha uma tendência em Hollywood: quanto mais acessível a IA se torna, maior parece ser o desejo pelo feito à mão

Disney troca CGI por efeitos feitos à mão em novo curta de princesas
Crédito: Disney

Grace Snelling 5 minutos de leitura
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A mais recente produção de curta-metragem da Disney é uma homenagem à magia dos efeitos produzidos "de verdade".

Once a Princess, Always a Princess” (Uma vez princesa, sempre princesa), criado pela Disney em parceria com a agência de publicidade Fallon, estreou esta semana, na World Princess Week (Semana Mundial das Princesas).

A história, com quatro minutos de duração, fala sobre a alegria da amizade e das brincadeiras na infância, transitando entre uma cidade moderna e as fantasias criadas pela imaginação de suas duas protagonistas.

Além da história comovente, o filme se destaca pelos cenários: praticamente todos os efeitos foram feitos de forma física — ou seja, sem o uso de imagens geradas por computador (CGI, na sigla em inglês).

Isso inclui os castelos em escala ampliada, as cenas subaquáticas e os cenários pintados à mão. Apenas um dia depois do lançamento, o vídeo já havia acumulado quase sete milhões de visualizações.

“Eu trouxe a ideia de usar técnicas de filmagem prática para a Disney desde nossas primeiras conversas porque, por causa da história da empresa, queria voltar às suas raízes”, explicou o diretor Alex Prager, em comunicado à imprensa

A decisão de Prager de colocar em evidência os efeitos à moda antiga é uma tendência que vem ganhando força tanto na publicidade quanto em Hollywood.

À medida que a IA e o CGI tornam cada vez mais acessíveis imagens fluidas e otimizadas, o público parece desejar o toque único que apenas efeitos criados por pessoas conseguem oferecer – e os estúdios estão percebendo isso.

UM PAÍS DAS MARAVILHAS REAL

A Disney e a Fallon fizeram de tudo para transformar “Once a Princess, Always a Princess” em um verdadeiro país das maravilhas criado com efeitos feitos à mão.

Nas cenas em que os prédios onde vivem as duas protagonistas se transformam em castelos, por exemplo, as estruturas com torres são modelos físicos em escala ampliada, conhecidos como “bigatures”.

Construídos para ter a altura de um adulto, os castelos foram projetados a partir de uma combinação de elementos arquitetônicos de “A Bela e a Fera”, “Aladdin” e “A Pequena Sereia”.

Disney troca CGI por efeitos feitos à mão em novo curta de princesas
Crédito: Disney

No set, as jovens atrizes puderam ficar diretamente ao lado deles, criando profundidade real e perspectiva forçada diante das câmeras, sem o uso de telas verdes.

Em uma sequência subaquática, a equipe usou a técnica conhecida como “dry-for-wet”, que simula a sensação de estar debaixo d’água em um estúdio.

As cenas foram filmadas em um estúdio iluminado de azul, com algas, corais e tecidos esvoaçantes em tamanho ampliado para permitir que as atrizes “flutuassem como verdadeiras nadadoras”.

Disney troca CGI por efeitos feitos à mão em novo curta de princesas
Crédito: Disney

Outra cena, que mostra as duas meninas caminhando por um salão de baile, exigiu um trabalho extenso de marionetistas para dar vida a personagens como Sebastião, de “A Pequena Sereia”, e Lumière, de “A Bela e a Fera”.

A diretora de criação da Fallon, Leslie Shaffer, lembra que coreografia e movimentos de câmera precisavam se encaixar perfeitamente para que o salão de baile parecesse convincente.

“Vinte marionetistas vestidos com trajes verdes sobre uma mesa, fazendo os braços, as pernas e até os olhos dos personagens se moverem das maneiras mais encantadoras; um homem vestido de tigre na cabeceira da mesa; as meninas subindo na mesa – tudo isso enquanto a câmera descia e girava em um enorme guindaste dentro de um salão de baile real, em um castelo histórico. Levamos um dia inteiro para filmar aquela cena, mas a magia daquela transição e a imersão no mundo imaginário delas fazem tudo valer a pena no filme final.”

Disney troca CGI por efeitos feitos à mão em novo curta de princesas
Crédito: Disney

Para os cenários de fantasia, os artistas recorreram diretamente às técnicas de pintura de matte usadas nos filmes clássicos da Disney, criando imagens com qualidade de livro de histórias e pintando-as à mão em cenários físicos.

A música foi gravada por uma orquestra ao vivo de 56 músicos. Até os figurinos foram feitos do zero, sob a liderança da figurinista Vin Burnham.

Shaffer diz que nenhuma IA foi utilizada na produção do filme. Efeitos digitais foram usados o mínimo possível, principalmente para ajudar a integrar as meninas aos cenários dos castelos ou para mesclar os fundos pintados à mão com um espaço digital.

Leia mais: Disney usa IA para transformar esboços em atrações de parque

“Muitos dos efeitos práticos que usamos foram desenvolvidos pela própria Disney. Apostar nessas técnicas clássicas deu ao curta um calor e um charme genuínos, que parecem profundamente naturais para a marca”, afirma Jeff Benjenk, vice-presidente de marketing de marca da Disney.

POR QUE DISNEY E APPLE ESTÃO INVESTINDO EM EFEITOS "À MÃO"

O projeto mais recente da Disney reflete uma tendência mais ampla entre marcas desse tipo. Sem dúvida, a produção cinematográfica com IA está em ascensão, mas, ao mesmo tempo, parece estar provocando um interesse renovado pelos efeitos "reais".

Eles têm aparecido em projetos como o filme “Superman”, de James Gunn, em que a fortaleza de gelo era um objeto físico; “A Substância”, de 2024, que dependeu quase inteiramente desse tipo de efeito; e “Project Hail Mary”, de 2026, que combinou efeitos digitais com técnicas antigas de marionetes para dar vida ao personagem principal, Rocky.

fortaleza de gelo do filme "Superman"
Crédito: Warner Bros.

Até empresas que estão acelerando o uso de IA em outras áreas reconhecem essa mudança. A Apple, que conta com um conjunto completo de ferramentas de IA, recentemente investiu em vários projetos liderados por efeitos reais, incluindo seu anúncio de Natal de 2025, “A Critter Carol”, e a nova identidade visual da Apple TV.

A IA pode ter uma infinidade de aplicações, inclusive no cinema, mas uma coisa está clara: quando se trata de contar histórias, o público quer o trabalho feito por pessoas.


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais