Disney usa IA para transformar esboços em atrações de parque
Tecnologia permite visualizar e ajustar atrações antes da construção, reduzindo tempo e custos de desenvolvimento

A Walt Disney Imagineering, divisão de design e engenharia responsável pelos parques temáticos e cruzeiros da Disney, desenvolveu um modelo próprio de inteligência artificial em parceria com a Adobe.
O objetivo é acelerar a criação de atrações e projetos de ambientação – como fachadas de lojas e elementos arquitetônicos – em um ritmo que antes seria impossível.
A IA personalizada foi construída sobre o Firefly Foundry, serviço da Adobe que permite treinar modelos generativos com a propriedade intelectual e o acervo de uma marca.
No caso da Imagineering, isso significou alimentar o sistema com décadas de conteúdo, incluindo desenhos de artistas, plantas arquitetônicas e toda a arte conceitual produzida pela equipe ao longo de sua história.
"Esse material está nos laptops das pessoas, embaixo das mesas, na cabeça dos profissionais. Está espalhado por dezenas de sistemas. Agora, graças à IA, conseguimos unificar tudo isso pela primeira vez", afirma Kyle Laughlin, vice-presidente sênior de pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e engenharia da Walt Disney Imagineering.
O modelo personalizado da Imagineering conta com bilhões de parâmetros capazes de gerar ativos visuais alinhados à identidade da Disney.
Entre as ferramentas estão um sistema que transforma esboços desenhados à mão em artes conceituais em 2D, um modelo de geração de imagens capaz de criar personagens fiéis às franquias da empresa (como Mickey Mouse e Lilo & Stitch) e uma ferramenta de modelagem 3D que converte ilustrações bidimensionais em protótipos tridimensionais.
Na prática, isso significa produzir conteúdo mais rapidamente sem comprometer a consistência da identidade visual da empresa.

"Nossos projetos levam cinco, seis ou até sete anos para serem concluídos. Reduzir esse prazo é extremamente importante para conseguirmos entregar experiências de alta qualidade aos visitantes mais rapidamente", diz Laughlin.
Segundo ele, boa parte do trabalho inicial envolve a exploração de conceitos. Com a IA, será possível transformar rapidamente um desenho em 2D em uma visualização tridimensional de um elemento do parque. Processos de iteração que antes levavam meses poderão ser concluídos em poucos dias.
Além disso, os Imagineers poderão visualizar edifícios, fachadas de restaurantes e outros elementos em headsets de realidade estendida antes do início das obras, permitindo ajustes ainda na fase de projeto, quando as mudanças custam muito menos.
O modelo personalizado tem bilhões de parâmetros capazes de gerar ativos visuais alinhados à identidade da Disney.
Essa agilidade pode fazer toda a diferença em um momento no qual a Imagineering enfrenta pressão para acelerar entregas. Em 2023, a Walt Disney Company anunciou um plano de investir US$ 60 bilhões ao longo de 10 anos em seu segmento de experiências, que inclui parques, cruzeiros e hotéis.
Fundada em 1952, a Imagineering é responsável por transformar o universo de propriedades intelectuais da Disney em experiências físicas, levando a magia da empresa para o mundo real. Manter toda essa produção alinhada à identidade da marca é um desafio complexo.
"Uma marca tão icônica quanto a Disney não é algo unidimensional. Não se resume a um arquivo armazenado em uma biblioteca de ativos nem a uma fonte tipográfica facilmente reconhecível. Ela é resultado de milhares de pequenas decisões criativas tomadas diariamente", afirma Hannah Elsakr, diretora de novos negócios em IA generativa da Adobe.

No fim do ano passado, a Disney anunciou um acordo com a OpenAI para licenciar seus personagens ao Sora, o aplicativo de vídeos curtos baseado em IA da empresa, que foi descontinuado em abril. Depois que a Disney demitiu cerca de mil funcionários no início deste ano, parte dos fãs da Marvel passou a atribuir as demissões ao avanço da inteligência artificial.
Laughlin rebate essa preocupação. "O aspecto mais importante dos nossos fluxos de trabalho é que sempre há seres humanos no processo", afirma. Segundo ele, a Imagineering simplesmente não consegue encontrar profissionais suficientes para executar todo o volume de projetos previsto.
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"Nossa capacidade de utilizar ferramentas e fluxos de trabalho como esses, que reduzem consideravelmente o tempo de desenvolvimento, é essencial diante da ambição da Imagineering de entregar investimentos de US$ 60 bilhões em nossas experiências."
Os negócios de parques temáticos e streaming ajudaram a Disney a alcançar cerca de US$ 9,5 bilhões em receita, um crescimento de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior.