Esse robô-mordomo parece ter saído de um filme da Pixar
O Voxel combina inteligência artificial, movimentos inspirados em animações e uma personalidade própria para cuidar das tarefas domésticas

Alguns robôs humanoides conseguem dar saltos mortais. Outros podem trabalhar em fábricas. Um novo robô humanoide chamado Voxel só quer limpar a sua casa.
“Ele é um cavalheiro em formação. É obcecado por elegância”, diz Rosalind Shinkle, cuja empresa, Tuesday Labs, desenvolve o Voxel há três anos. Em vez de enfatizar o que o robô é capaz de fazer ou como vai se movimentar, Shinkle está mais interessada em como ele vai se comportar.
“Estamos concentrados em construir um robô com uma personalidade consistente. Acreditamos que, para ser um robô com quem as pessoas queiram conviver e queiram usar todos os dias, ele precisa reunir personalidade e capacidade”, afirma Shinkle, ex-engenheira de robótica da Boston Dynamics. “Somos tão inspirados pela criação de personagens da Pixar quanto pela criação de robôs da Boston Dynamics.”
Para acrescentar um pouco do DNA da Pixar ao projeto, ela contratou animadores do estúdio para integrar sua equipe. Um deles criou animações em 3D do Voxel, que estão sendo usadas para treinar os movimentos do robô. Outro profissional entrou para desenvolver a personalidade do robô.
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Inspirado em um mordomo, o Voxel foi projetado para se concentrar na organização da casa, com algumas peculiaridades destinadas a demonstrar sua disposição para servir.
“Ele é um pouco obsessivo”, diz Shinkle. “Às vezes, fica preso em uma tarefa porque quer que tudo fique perfeito. Também fica um pouco ansioso. Tem medo de água, de ambientes externos e de objetos pontiagudos.”
Esses traços de personalidade são mais do que pequenos detalhes simpáticos. Segundo Shinkle, são fundamentais para que as pessoas se sintam confortáveis com a presença de um novo tipo de tecnologia dentro de casa.
“Precisamos poder confiar em nossos robôs”, argumenta. “Para realmente usar um robô, você precisa acreditar que consegue prever como ele vai reagir diante de uma situação inédita. E, para isso, o robô precisa ter uma personalidade consistente, bem definida e claramente comunicada.”
Isso também influencia a aparência do Voxel. Sem cabeça, com olhos de oito bits na região do abdômen e pernas metálicas em tons pastel que se dobram para trás, ele é um robô humanoide que tenta não parecer humano. “Queríamos usar os olhos e o corpo para expressar a maior parte das emoções”, diz Shinkle.
Grande parte do desenvolvimento do Voxel se concentrou na maneira particular como o robô se movimenta, algo que Shinkle considera uma das lições mais importantes que aprendeu na Boston Dynamics.
“A magia está mais nos momentos intermediários: recuperar-se de uma queda ou hesitar antes de tomar uma decisão. São essas coisas que fazem o robô parecer realmente mágico”, afirma.

Em vez de projetar o robô para caminhar com a maior estabilidade possível, a equipe procura fazer com que sua locomoção corresponda à maneira como ele se movimenta nas animações.
Em vídeos divulgados pela Tuesday Labs, protótipos do Voxel aparecem andando de um lado para outro em uma sala, balançando os quadris e imitando a dança de um operador remoto. Em outro vídeo, o robô se inclina em direção a uma planta que acabou de regar, examina a terra e depois agita os braços de satisfação.
De certa forma, o Voxel não estará sozinho nesse universo de personagens robóticos. Recentemente, a Disney Imagineering transformou um personagem dos filmes de Frozen em um robô que circula pela Disneyland Paris.
Já um parque temático na China conta com centenas de humanoides fantasiados que circulam pelo local, realizando atividades que vão desde jogar tênis de mesa até orientar visitantes até seus hotéis.
Mas, como foi concebido para funcionar dentro de casa, o Voxel terá menos apelo de espetáculo. Shinkle afirma que o robô será inteiramente dedicado a atividades típicas de um mordomo, sobretudo ao que ela chama de home reset, ou reorganização da casa: arrumar a bagunça cotidiana e devolver o ambiente ao seu “estado-base”.

“Vamos começar por aí, mas, no futuro, imaginamos que ele será capaz de executar todas as tarefas da sua casa. Lavar roupas, lavar louça, tudo isso”, diz Shinkle. “A visão é que você possa estar na sua casa e que a sua casa cuide de você em troca.”
Com a produção prevista para 2028, boa parte dessas habilidades ainda está em desenvolvimento.
“A casa é um ambiente extremamente complexo”, afirma Shinkle. A empresa está aproveitando os avanços tecnológicos para ajudar o robô a interpretar essa complexidade e lidar com os inúmeros objetos que compõem o ambiente doméstico.
O Voxel aprenderá onde cada coisa deve ficar por meio da varredura constante e do aprendizado a partir do ambiente enquanto se movimenta pela casa.

Shinkle afirma que o Voxel será um produto de luxo, com preço estimado em US$ 20 mil. Mas o maior desafio, mais do que o custo, é garantir que as pessoas se sintam confortáveis com a ideia de ter esse tipo de robô convivendo com elas e suas famílias.
Ela acredita que o design de personalidade é o caminho para facilitar essa transição. Depois que as pessoas se sentirem à vontade, o robô poderá começar a trabalhar.

