Este livro foi impresso inteiro de uma vez só em 3D

Spoiler: é um livro impresso em 3D sobre como imprimir um livro impresso em 3D

livro impresso em 3D em poliuretano
Crédito: Jonathan Tan/Hyperpress

Hunter Schwarz 2 minutos de leitura

É um avanço editorial que Johannes Gutenberg dificilmente poderia ter imaginado.

"Manual" é um livro de 26 páginas impresso em 3D com poliuretano termoplástico (TPU), criado pela Hyperpress. O livro é uma iniciativa de pesquisa dos designers Darius Ou e Benson Chong dedicada a explorar impressão 3D aplicada ao design gráfico e à publicação.

Dentro do livro replicável, o conteúdo é peculiar: tudo o que está escrito é uma seleção do seu próprio código G (o conjunto de instruções usado para imprimi-lo em 3D). Em outras palavras: um livro impresso em 3D sobre como imprimir um livro impresso em 3D.

livro impresso em 3D em poliuretano
Crédito: Jonathan Tan/Hyperpress

"Manual" é o sexto livro lançado pela Hyperpress desde 2021. “Foi uma exploração técnica e também um exercício conceitual para pensar sobre nossa disciplina e sobre a própria noção de impressão”, diz Ou. “O projeto nunca se tratou de produção em massa ou de propor mudanças radicais para a indústria editorial.”

O aspecto mais impressionante é que o livro é impresso inteiro, de uma só vez. Não existe pós-produção, impressão adicional ou encadernação posterior.

livro impresso em 3D em poliuretano
Crédito: Jonathan Tan/Hyperpress

Alguns projetos anteriores da Hyperpress – como "On the Nature of Values", lançado no ano passado e produzido com polímero impresso em 3D misturado com polpa de madeira – utilizavam impressão 3D para criar as páginas, mas exigiam uma camada adicional para adicionar textos e imagens.

Já "Manual" é produzido pela lombada primeiro, em uma peça única, usando um processo que os designers chamam de impressão XY-for-Z. Nesse método, as páginas são impressas verticalmente, apoiadas sobre suas bordas, em vez de deitadas horizontalmente.

livro impresso em 3D em poliuretano
Crédito: Jonathan Tan/Hyperpress

A técnica permite impressão frente e verso, mas também melhora a fidelidade de textos pequenos, que tendiam a ficar inconsistentes e com aparência filamentosa quando impressos horizontalmente, como ocorreu nos primeiros protótipos.

Outra dificuldade foi tornar as páginas suficientemente flexíveis para serem manuseadas como um livro convencional.

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Crédito: Jonathan Tan/Hyperpress

“O maior desafio foi o material flexível, o TPU, usado para imprimir o livro. Imprimir 'paredes finas' e verticais usando materiais flexíveis exige muitos testes, ajustes finos nas configurações de impressão e calibração do hardware”, diz Ou.

A ideia era que o livro incluísse ainda mais trechos do próprio código G, mas havia limitações técnicas relacionadas ao tamanho mínimo das letras para que continuassem legíveis.

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Ainda assim, o resultado é um feito notável, além de uma demonstração de quão longe chegamos desde os tempos dos tipos móveis.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais