Ex-artista da OpenAI cria startup para transformar ideias em produtos
O especialista em robótica Alexander Reben anuncia a Phyzify, uma empresa de IA que visa construir a "infraestrutura para a sua imaginação"

O primeiro artista residente da OpenAI está lançando uma nova empresa que quer transformar pensamentos em produtos reais. O empreendedor e roboticista Alexander Reben acaba de anunciar a Phyzify, laboratório que utiliza ferramentas de IA para prototipar rapidamente objetos físicos baseados na imaginação das pessoas.
“Existe um enorme abismo entre ter uma ideia e trazer essa coisa à existência”, diz Reben, cofundador da Phyzify. “Acho que a IA, a robótica, a computação quântica e todas as tecnologias que estão chegando vão acelerar o fechamento desse gap e tornar muito mais fácil atravessar essa ponte.”
Mas o que Reben imagina vai muito além da simples impressão 3D. Ele enxerga a Phyzify como uma plataforma na qual a IA executa toda a materialização de uma ideia, desde possíveis prompts até uma variedade de resultados físicos.
Um exemplo seria transformar músicas em pinturas que um artista poderia vender como merchandising. Além disso, a plataforma também poderia cuidar dos bastidores mais burocráticos do desenvolvimento de produtos, desde registrar domínios na internet até solicitar patentes e marcas registradas.
A Phyzify concluiu recentemente uma rodada de investimento liderada por Logan Kilpatrick, líder de produto do Google AI Studio, ligado à DeepMind. Kilpatrick diz ter se interessado pela empresa porque acredita que 2026 será “um grande ano” para a IA física e para a mídia generativa, e vê a Phyzify na linha de frente dessa onda.
TECNOLOGIA E CRIATIVIDADE
A Phyzify é uma evolução natural da carreira de Alexander Reben, que sempre esteve na interseção entre tecnologia avançada e experimentação criativa.
Em 2010, no MIT Media Lab, sua pesquisa de pós-graduação focava em robótica social. Uma de suas primeiras criações, um robô chamado Boxie, acabou inspirando o personagem Baymax do filme "Operação Big Hero", da Disney.
Em 2014, Reben tornou-se diretor de tecnologia e pesquisa da Stochastic Labs, um programa de residência da Universidade Berkeley que reúne profissionais de tecnologia, arte e ciência. Também ganhou destaque por suas obras de arte baseadas em inteligência artificial.
Em 2024, foi anunciado como o primeiro artista residente da OpenAI, onde passou grande parte do ano tendo acesso às tecnologias da empresa para explorar como sistemas de IA podem participar de práticas artísticas.
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Agora, com a Phyzify, Reben quer levar ainda mais longe essa interseção entre criatividade e inteligência artificial, mas com uma condição clara: manter os humanos no centro do processo.
“Olhando para o futuro da automação e para muitas pesquisas e estudos sobre o tema, ainda está bem claro que fazer perguntas, ser criativo e imaginar é algo que faz sentido continuar sendo feito por humanos”, diz ele. “Isso é algo extremamente difícil para uma IA – talvez até impossível.”
DO DIGITAL PARA O FÍSICO
O laboratório da Phyzify fica em uma fábrica no estado da Carolina do Norte, nos EUA, onde a equipe trabalha principalmente com teares industriais para transformar conceitos gerados por IA em produtos físicos.
“Essa ideia de trazer coisas para o mundo físico precisa começar por algum lugar”, afirma Reben. “O tecido é particularmente interessante porque pode ser transformado em muitos objetos diferentes. Mesmo as etapas de pós processamento depois de criar um tecido único são praticamente ilimitadas.”

À medida que expande para novos materiais e formatos, a Phyzify está colaborando com cinco profissionais criativos de áreas como moda, música, gastronomia e games para testar interfaces e diferentes tipos de resultados físicos.
“Existe um elemento de exploração agora”, diz Jake Witzenfeld, cofundador da empresa. “A plataforma será o acúmulo das ferramentas que surgirem do que estamos fazendo no laboratório.”
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A empresa já utiliza uma série de ferramentas criativas vindas do ecossistema de tecnologias avançadas, mas também está desenvolvendo seus próprios sistemas, com o objetivo de lançar um produto voltado ao consumidor dentro de um ano.
No futuro, a companhia espera criar produtos de grande escala, coleções limitadas, obras de arte e outros itens.
CONTRA O "CAPITALISMO SINTÉTICO"
Mas, além de lançar produtos, Reben quer que a Phyzify funcione como uma espécie de contraponto ao que ele chama de capitalismo sintético – uma economia em que tanto os produtos quanto os meios de produzi-los são totalmente controlados por IA, sem participação humana.
Na visão de Reben, máquinas e sistemas de IA já aprenderam muito bem como produzir coisas. Cabe aos humanos decidir o que merece existir no mundo – e por quê.
“Se mantivermos o controle disso e conseguirmos ajudar a levar essa ideia adiante, acho que essa é uma missão importante.”