Figma abre hub em São Paulo após crescer 35% no Brasil
O crescimento dos usuários, o fortalecimento da comunidade e a maturidade do mercado levaram o Figma a apostar no Brasil como um de seus principais hubs globais.

O Figma, uma plataforma para a construção e design de produtos digitais, anunciou a abertura de seu novo escritório no Brasil. A cidade passa a integrar a rede de mais de 11 hubs globais da companhia, um movimento que reflete o crescimento da plataforma e da comunidade brasileira.
Atualmente, o Brasil está entre os cinco países com o maior número de usuários ativos do Figma no mundo. Apenas no segundo trimestre do ano passado, a base de usuários cresceu 35% enquanto metade das empresas que compõem o Ibovespa já utilizam a plataforma para desenvolver produtos digitais.
Segundo o Figma, cerca de dois terços dos usuários ativos semanais já não são designers. Hoje, profissionais de produto, engenharia, pesquisa e negócios também utilizam a ferramenta para desenvolver soluções em conjunto, refletindo uma mudança na forma como as empresas constroem produtos digitais.
Para Paige Costello, vice-presidente de Produto do Figma, essa evolução sempre esteve no centro da estratégia da empresa. "Quando começamos, nosso objetivo era fechar a lacuna entre a imaginação e a realidade. Não estávamos focando em uma função específica. Estávamos pensando em como transformar uma ideia em algo real", afirmou.
UMA COMUNIDADE QUE IMPULSIONOU A EXPANSÃO
A proposta do novo escritório vai além de instalar uma operação no país. O espaço foi concebido para traduzir a cultura do Figma em um ambiente físico. A identidade visual da marca aparece de forma discreta, mas constante, no mobiliário e na decoração, enquanto o layout aberto privilegia a circulação e a interação entre as pessoas. Em vez de salas fechadas, o escritório aposta em áreas compartilhadas e ambientes flexíveis, reforçando a colaboração como um dos pilares da empresa.

Mais do que o crescimento da plataforma, o Figma atribuiu parte do sucesso à comunidade brasileira: Friends of Figma. A comunidade é formada por voluntários responsáveis por organizar eventos, encontros e atividades de compartilhamento de conhecimento, e é hoje um dos mais ativos do mundo. A comunidade reúne cerca de dois mil membros.
O grupo não é administrado diretamente pelo Figma. A própria empresa ressaltou que a iniciativa é construída, organizada e liderada por voluntários, demonstrando que a expansão da plataforma aconteceu de forma orgânica antes mesmo da abertura de uma operação oficial no país.
Esse fortalecimento da comunidade criou um ambiente favorável para que o Brasil deixasse de ser apenas um mercado relevante e passasse a receber investimentos estruturais da companhia.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL AMPLIA A COLABORAÇÃO
Mais do que uma ferramenta de design, o Figma passou a funcionar como uma plataforma compartilhada entre diferentes equipes. Ao concentrar protótipos, documentos e fluxos de trabalho em um único ambiente, a empresa busca reduzir ruídos na comunicação e acelerar o desenvolvimento de produtos. A integração entre design e código, por exemplo, permite que diferentes profissionais trabalhem sobre uma mesma base de informações, diminuindo retrabalhos e tornando as decisões mais ágeis.
A inteligência artificial ocupou boa parte das discussões do evento e apareceu não como substituta do trabalho humano, mas como uma ferramenta capaz de ampliar a colaboração entre diferentes profissionais.
Durante a apresentação, o Figma compartilhou dados do seu relatório anual sobre IA. Quase 90% dos participantes afirmaram que a tecnologia já tem impacto significativo na produtividade individual, enquanto mais de 60% disseram perceber efeitos diretos na colaboração entre equipes.
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Pela primeira vez, o Brasil integrou esse levantamento. Designers, desenvolvedores e profissionais de produto brasileiros participaram da pesquisa, permitindo comparar o comportamento do país com outros mercados.
Os resultados colocaram o Brasil em posição de destaque. Segundo o relatório, 70% dos entrevistados brasileiros afirmam que o design se tornou ainda mais importante com a chegada da inteligência artificial. Para a empresa, isso demonstra que, embora a IA acelere tarefas operacionais, continua sendo essencial a atuação humana para compreender o contexto do negócio, as necessidades dos usuários e tomar decisões estratégicas.
Outro dado chamou atenção: cerca de 60% dos brasileiros acreditam que a inteligência artificial está melhorando a colaboração entre as equipes. Esse percentual ficou 11 pontos acima dos Estados Unidos e 16 pontos acima do Reino Unido.
Para o Figma, esses números mostram que o Brasil não apenas acompanha tendências tecnológicas, mas também ajuda a definir novas formas de trabalho colaborativo.
COMO EMPRESAS BRASILEIRAS COLOCAM ESSA TRANSFORMAÇÃO EM PRÁTICA
Além do crescimento da base de usuários, o Figma destacou que empresas brasileiras vêm influenciando discussões internacionais sobre colaboração e desenvolvimento de produtos.
Casos como CazéTV e Nubank foram citados como exemplos de organizações que utilizam a plataforma de maneira integrada entre design, engenharia e produto. Segundo a empresa, muitas conversas sobre novas formas de trabalho colaborativo surgiram primeiro no Brasil antes de ganharem espaço em outros mercados.
Na CazéTV por exemplo, a plataforma foi adotada para integrar equipes que antes trabalhavam de forma isolada, segundo a representante da empresa, os times responsáveis pelos conteúdos do instagram e youtube utilizavam ferramentas diferentes e desenvolviam projetos que não interagiam entre si. Hoje, o figma concentra desde as etapas de pesquisa e concepção até o desenvolvimento de entregas, permitindo que designers, desenvolvedores e equipes de produto trabalhem de forma integrada.
No Nubank a lógica é semelhante, só que em maior escala. A empresa reúne cerca de 300 designers, pesquisadores e especialistas em conteúdo distribuídos entre Brasil, México e Colômbia, que trabalham ao lado de engenheiros e gestores de produto em equipes multidisciplinares. Nesse processo, o Figma concentra protótipos, pesquisas e fluxos de trabalho que servem de base para discussões entre diferentes áreas e para a tomada de decisões, substituindo apresentações tradicionais. Segundo representantes da empresa, a integração da inteligência artificial à plataforma também reduziu o tempo entre a criação e o desenvolvimento, permitindo testar soluções com mais rapidez e ampliar a colaboração entre as equipes.
Hoje, cerca de metade da receita do Figma já vem de fora dos Estados Unidos, tornando a expansão internacional um dos principais focos da companhia. Nesse cenário, o Brasil ocupa uma posição estratégica não apenas pelo tamanho do mercado, mas pela capacidade de testar novas formas de colaboração, impulsionar comunidades e produzir casos que passam a servir de referência para outros países.
A abertura do escritório em São Paulo simboliza justamente essa mudança de papel. Mais do que ampliar sua presença comercial, o Figma sinaliza que enxerga o Brasil como um centro de inovação capaz de influenciar o futuro da plataforma em escala global.
O novo escritório transforma em endereço uma relação que, até então, existia principalmente na tela. Depois de acompanhar o crescimento da comunidade brasileira e ver empresas locais influenciarem novas formas de colaboração, o Figma passa a ter uma operação permanente em São Paulo. É a materialização de um mercado que deixou de ser apenas consumidor da plataforma para participar de sua evolução.