Gap e Loewe, Hermès e Adidas: as colaborações dos sonhos da moda em 2026

Em um mercado saturado de collabs, especialistas apontam quais parcerias ainda podem gerar desejo e relevância cultural

colagem de logotipos de várias marcas
Crédito: Fast Company

Andrea Bossi 5 minutos de leitura

Colaborações na moda não são novidade, mas 2025 pareceu um ano especialmente saturado de parcerias de branding. E há um motivo para isso.

“As plataformas online ficaram congestionadas, os ciclos de tendência estão acelerando rapidamente e se tornou mais desafiador do que nunca para as marcas se destacarem”, afirma Cassandra Napoli, head de previsão cultural da empresa de consultoria e pesquisa WGSN.

As colaborações seguem sendo uma ferramenta única e importante para marketing e manutenção da relevância cultural. “Elas se tornaram tão importantes porque as marcas precisam atrair novos grupos de comunidades e consumidores, além de oferecer uma nova expressão do DNA da marca e atender à demanda constante por novidade”, diz Gemma D’Auria, líder global de vestuário, moda e luxo da McKinsey.

Mas a verdade é que a moda foi inundada por collabs, e o excesso de ruído acabou produzindo o efeito oposto: ficamos anestesiados. Uma colaboração, por si só, já não empolga. Para vender, ela precisa dialogar com o público da marca, ao mesmo tempo em que se conecta à cultura e surpreende o consumidor com algo realmente novo.

Quais marcas poderiam “quebrar a internet” juntas? Especialistas revelam suas ideias mais ousadas de colaborações para 2026.

1. Uma collab da Gap com um parceiro de luxo

A apresentadora e ex-editora da Essence, Blake Newby, gostaria de ver a Gap ampliar suas parcerias com designers. “Sinto que existe uma sinergia entre o ethos de uma garota Loewe e o de uma garota Gap”, diz Newby,.

Ela lembra que a Loewe já mostrou estar à vontade com colaborações em projetos como os feitos com a On Running. Além disso, a Loewe já tem seu próprio jeans, com identidade de marca bem definida.

collabs com colagem dos logotipos das marcas GAP e Lowe
Crédito: Fast Company

“A Gap também vem fazendo coisas criativas muito interessantes. Claro que esperaríamos um preço mais alto [do que o padrão da marca], mas seria incrível vê-la juntar seu amor por jeans e básicos com a forma como a Loewe trabalha esses mesmos elementos.”

1. Uma parceria da Chanel com marcas "artesanais"

As expectativas em torno da Chanel estão altas. A maison francesa está sob a nova direção criativa de Matthieu Blazy, que estreou sua primeira coleção nas passarelas em outubro. Ele vem sendo celebrado por trazer novo fôlego à marca e o mercado está curioso para ver uma colaboração da Chanel.

Tecnicamente, a grife já flertou com esse território em outubro, quando Blazy apresentou uma camisa branca em parceria com a tradicional camisaria parisiense Charvet. Mas, para ele, não se tratava exatamente de uma collab, e sim de dar visibilidade a uma casa de excelência artesanal – algo que já faz em sua coleção Métiers d’Art.

collabs com colagem com os logotipos das marcas Chanel e Gee’s Bend
Crédito: Fast Company

“Vai ser interessante ver que outros caminhos Matthieu Blazy vai explorar, porque ele é muito sintonizado com o artesanato”, diz Jalil Johnson, autor da newsletter Consider Yourself Cultured. “Seria ainda mais interessante se essas casas tradicionais destinassem recursos a entidades menores para ver o que elas poderiam produzir em escala maior”, afirma.

3. Uma parceria que ouse expandir o sportswear da Hermès

Na mesma órbita da Chanel, o estrategista e especialista em colaborações Bimma Williams quer ver uma casa tradicional se unir a uma marca inesperada. Seu sonho: Hermès em collab com a Adidas. Vale lembrar que a Hermès já tem a linha HermèsFit e que sua nova diretora criativa masculina, Grace Wales Bonner, e a Adidas já trabalharam juntas.

collabs com colagem dos logotipos das marcas Hermes e Adidas
Crédito: Fast Company

Adicionar a Hermès a essa equação seria, segundo Williams, uma “aula magistral de artesanato e contenção, unindo herança, esporte e inteligência cultural contemporânea”. Talvez o que o público esteja buscando seja justamente ver uma grife de altíssimo luxo finalmente romper seu molde e colaborar com uma marca fora do circuito tradicional do high-end.

4. Uma collab que reviva Elsa Peretti x Halston dos anos 1970

A designer de joias italiana e ex-modelo Elsa Peretti manteve uma colaboração lendária com a Tiffany & Co. desde 1974. Falecida em 2021, ela é responsável por peças icônicas da joalheria norte-americana, como os famosos braceletes Bone. O que muita gente não sabe é que Peretti também trabalhou com Halston, criando não apenas um frasco de perfume, mas joias e acessórios.

Joias de Elsa Peretti em exposição em Nova York
Joias de Elsa Peretti em exposição em Nova York, por volta de 1970 (Crédito: PL Gould/ Getty Images)

Uma reedição dessa parceria seria um sonho para Julia Rabinowitsch, do The Millennial Decorator, que recentemente colaborou em uma coleção de calçados com a Reformation. “Eu adoraria ver um revival das peças que a Peretti fez, especialmente porque coleciono itens vintage da Elsa para a Halston, que estão se tornando cada vez mais raros”, afirma.

5. Uma collab que ofereça um novo olhar sobre os padrões clássicos da Missoni

De modo geral, especialistas concordam em um ponto: uma colaboração precisa ser inesperada. Para a estilista e fundadora da plataforma de compras Sweet Like Jam, Mecca James-Williams, “colaborações lideradas por designers com grandes casas de luxo” chamariam sua atenção.

Ela imagina, por exemplo, Christopher John Rogers, conhecido por seu uso marcante de cores e silhuetas ousadas, trabalhando com a Missoni. E ela não está sozinha.

collabs com colagem dos logotipos das marcas Missoni e Yinka Ilori
Crédito: Fast Company

A executiva de TV June Sarpong também gostaria de ver a Missoni colaborando com o artista britânico Yinka Ilori, famoso por seu uso vibrante de cores, evidente em parcerias com The North Face e Bloomingdale’s.

Em ambos os casos, há um interesse genuíno em ver como a marca preservaria suas icônicas padronagens em zigue-zague e formas geométricas, enquanto brinca com um elemento mais flexível: a cor.

Seja qual for o caminho escolhido pelas marcas em 2026, uma coisa é certa: as colaborações precisam nascer com intenção e com um entendimento real de que, para funcionar, elas devem nos fazer pensar que gostaríamos de ter tido aquela ideia primeiro.


SOBRE A AUTORA

Andrea Bossi é escritora e editora de moda e beleza. Além da Fast Company, seus artigos foram publicados em veículos como Vogue, Bloom... saiba mais