Gesso impresso em 3D reduz custos e melhora recuperação
Tecnologia aquece, molda e endurece no braço do paciente, simplificando o trabalho dos médicos e reduzindo custos hospitalares em até 25%

Quebrar o braço ou o punho normalmente vem acompanhado de uma camada extra de sofrimento: usar um gesso quente, desconfortável e que coça, tornando o banho um desafio.
Mas, em Singapura, pacientes de alguns hospitais e clínicas já têm outra alternativa: um gesso aberto, feito em impressora 3D, mais confortável e totalmente à prova d’água.
A startup Castomize, responsável pelo produto, afirma que a solução também simplifica o trabalho dos médicos. Para aplicar o gesso, a equipe aquece o material até ele ficar macio e flexível.
Depois, o médico o envolve no braço do paciente e fecha a estrutura com pequenas presilhas integradas. À medida que esfria, o material endurece no lugar.
O processo tradicional, em comparação, envolve 10 etapas diferentes e o uso de múltiplos materiais, além de ser mais suscetível a erros.
“Os profissionais precisam evitar que o gesso fique apertado ou frouxo demais, já que ambos os casos podem causar complicações na recuperação, como lesões por pressão”, explica o CEO da empresa, Abel Teo.
Quando surgem problemas, ou quando o gesso afrouxa com o passar do tempo, o paciente precisa voltar para refazer o procedimento, aumentando os custos para hospitais e clínicas. Já no novo modelo, se o gesso precisar de ajustes durante a recuperação, o profissional pode simplesmente removê-lo, reaquecê-lo e reutilizá-lo.

Embora o custo de fabricação seja entre 30% e 50% maior do que o de um modelo tradicional de fibra de vidro, a economia de tempo, somada à possibilidade de evitar refações, pode reduzir o custo total para as clínicas. Em um teste realizado em um hospital de Singapura, a economia média chegou a 25%, segundo Teo.
No futuro, a empresa pretende implementar um processo de higienização que permita reutilizar os gessos repetidamente em diferentes pacientes.
A Castomize descreve seu método como uma impressão “4D”, já que o produto final incorpora a quarta dimensão (o tempo) ao mudar de forma depois de sair da impressora 3D. O produto da Castomize é vendido em tamanhos padrão para adultos e crianças, sem personalização, o que ajuda a reduzir tempo e custos.

O design nasceu em 2017 como um projeto estudantil da Universidade de Tecnologia e Design de Singapura. Uma das estudantes envolvidas, Eleora Teo, se uniu a Abel Teo e Johannes Sunarko para lançar a startup em 2022 e levar a ideia à produção em escala.
Depois que testes clínicos comprovaram a eficácia do produto como substituto para o gesso tradicional de punho, ele recebeu aprovação como dispositivo médico em Singapura e chegou ao mercado no ano passado.
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O produto já foi aprovado para venda na Austrália, Coreia do Sul e Taiwan. Atualmente, a Castomize trabalha para obter aprovação da FDA, nos Estados Unidos, e a certificação CE (Conformidade Europeia), na Europa.
Recentemente, a empresa também apresentou versões para tornozelo e cotovelo. Cada parte do corpo exige um novo projeto.
“Precisamos trabalhar em estreita colaboração com especialistas clínicos em fraturas de tornozelo e imobilização, além de pesquisar e testar diferentes geometrias e combinações de materiais”, afirma Abel Teo.