Google, Adidas e Nordeste vencem prêmio de design da Fast Company
Já em sua 15ª edição, o Innovation by Design Awards reconhece mais de 300 dos melhores projetos em diversas disciplinas, inclusive na América Latina.

Um tênis de corrida mais leve que uma barra de sabão, uma tinta capaz de absorver a umidade do ambiente, um robô doméstico com formato de luminária e uma identidade visual criada para representar os nove estados do Nordeste brasileiro estão entre os destaques do Innovation by Design 2026.
Em sua 15ª edição, o prêmio da Fast Company reconhece mais de 300 projetos, produtos e serviços que usam o design para transformar a forma como as pessoas vivem, trabalham e interagem com o mundo.
Os vencedores foram selecionados entre quase 1,5 mil inscrições. A avaliação considerou quatro critérios: o problema que o projeto resolve, a lógica de seu funcionamento, o impacto na vida das pessoas e a qualidade de sua execução.
A lista reúne trabalhos de inteligência artificial, arquitetura, mobilidade, acessibilidade, branding, moda, produtos de consumo e experiência do usuário. Entre as empresas reconhecidas estão Google, Adidas, The North Face, Canva, R/GA, Kohler e Adobe.
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GOOGLE É A EMPRESA DE DESIGN DO ANO
O Google foi escolhido como Empresa de Design do Ano pela reformulação de interfaces e experiências de alguns de seus produtos mais populares.
O trabalho busca integrar a inteligência artificial ao cotidiano dos usuários sem limitar os serviços a uma caixa de texto. A nova versão do Gemini, por exemplo, pode adaptar o formato das respostas ao contexto de cada pergunta. Já o Google Maps ganhou uma navegação imersiva, com mapas tridimensionais que mudam de perspectiva de acordo com a velocidade e a posição do veículo.
A própria Busca passou a aceitar perguntas mais conversacionais, em uma tentativa de acompanhar a maneira como as pessoas interagem com assistentes de IA.
Para a Fast Company, o design se tornou uma peça central na disputa entre essas ferramentas. À medida que modelos como ChatGPT, Claude e Gemini oferecem funções semelhantes, a maneira como as pessoas interagem com a tecnologia pode determinar quais serviços serão incorporados à rotina.
O Canva e a empresa de design e tecnologia Code and Theory ficaram entre os finalistas. Design Bridge and Partners e SharkNinja receberam menções honrosas.
DE UM TÊNIS DE 97 GRAMAS A UM ROBÔ QUE DOBRA ROUPAS
Entre os vencedores em design de produto está o Adizero Adios Pro Evo 3, tênis de maratona da Adidas que pesa apenas 97 gramas — menos que uma barra de sabão e menos da metade do peso médio dos calçados profissionais de corrida da marca.
O modelo utiliza uma estrutura ultraleve de suporte em formato de ferradura e um material inspirado nas velas usadas no kitesurf. O projeto levou mais de três anos para ser desenvolvido.
Outro destaque é o Lume, robô doméstico da startup Syncere. Em vez de assumir o formato humanoide adotado por outras empresas, o equipamento se parece com uma luminária articulada.
Equipado com visão computacional e inteligência artificial, o robô foi desenvolvido para arrumar camas, organizar ambientes e dobrar roupas. A ideia é fazer com que ele possa permanecer na sala mesmo quando não estiver executando tarefas, sem parecer uma máquina deslocada dentro da casa.
Na área de saúde, a Kohler foi reconhecida pelo Dekoda, dispositivo instalado no vaso sanitário que utiliza sensores para acompanhar indicadores relacionados à saúde digestiva e à hidratação.
Já o Stream, desenvolvido pela Sandbar, é um anel com inteligência artificial criado para registrar pensamentos e anotações por voz. O aparelho busca oferecer uma alternativa discreta ao uso constante do celular.
DESIGN PARA CLIMA, ARQUITETURA E ACESSIBILIDADE
Na arquitetura, o vencedor foi o Grimes Engineering Center, da Universidade da Califórnia em Berkeley. O projeto do escritório Skidmore, Owings & Merrill reaproveitou uma construção existente e adotou um sistema estrutural capaz de responder a movimentos sísmicos.
A solução deixa parte da estrutura de proteção visível no exterior do edifício. Dessa forma, os elementos responsáveis por aumentar a resistência a terremotos também integram sua identidade arquitetônica.
Entre os projetos voltados ao clima está a Lilypad Paint, tinta desenvolvida para absorver a umidade do ar. A tecnologia ajuda a controlar as condições internas dos ambientes e pode reduzir a necessidade de equipamentos como desumidificadores e aparelhos de ar-condicionado.
Na categoria de acessibilidade, o primeiro lugar ficou com o Toddler Mobility Trainer, da MakeGood. O equipamento de mobilidade infantil possui código aberto e pode ser produzido integralmente por impressão 3D, reduzindo o custo e ampliando o acesso de crianças com deficiência.
Também foram reconhecidos os produtos da Tilt Beauty, desenvolvidos para pessoas com diferentes níveis de força, mobilidade e destreza nas mãos.
As embalagens e ferramentas da marca utilizam mecanismos magnéticos, superfícies fáceis de segurar e formatos que permitem abrir e aplicar os produtos com menos esforço.
A Universal Collection, da The North Face, ficou entre os finalistas da categoria. A linha de equipamentos para atividades ao ar livre foi criada para atender pessoas com diferentes corpos e capacidades físicas.
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GANHADORES BRASILEIROS DA AMÉRICA LATINA
Os três projetos reconhecidos na categoria América Latina são brasileiros.
O primeiro lugar ficou com a marca Nordeste, criada pela agência Design Bridge and Partners para representar os nove estados da região em um mesmo sistema visual.
O projeto procura apresentar a diversidade nordestina para além dos estereótipos turísticos. A identidade pode ser adaptada a campanhas digitais, materiais impressos, produtos, eventos e diferentes iniciativas de promoção da região sem perder sua unidade.
A marca parte da ideia de que não existe um único Nordeste. Cores, grafismos, fotografias e outros elementos podem mudar de acordo com o território ou a história apresentada.
A Vivo Casa Inteligente, desenvolvida pela Work & Co, empresa integrante da Accenture Song, ficou entre os finalistas. O projeto reorganizou a experiência digital do serviço para permitir que usuários controlem equipamentos conectados e automações residenciais em uma única interface.
A expansão internacional do Nu recebeu menção honrosa. O trabalho adaptou a identidade e a experiência da empresa para diferentes mercados, preservando elementos reconhecíveis da marca e considerando particularidades culturais e linguísticas de cada país.
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O QUE DEFINE UM BOM DESIGN EM 2026
A diversidade dos vencedores mostra que o design deixou de estar limitado à aparência de um objeto. Ele participa da definição de como produtos funcionam, quem consegue utilizá-los e quais problemas eles ajudam a resolver. Na categoria de inteligência artificial, por exemplo, o vencedor foi o Conway’s Arcade, da SpecialGuestX para o Google. A máquina usa IA para produzir versões continuamente diferentes de jogos clássicos, como Space Invaders e Breakout.
Em design gráfico e branding, o primeiro lugar ficou com a identidade do estúdio de tecnologia musical Eternal Research, criada pela Cotton Design. O sistema transforma sons em elementos visuais dinâmicos. Os projetos premiados também ajudam a responder à pergunta que orienta o Innovation by Design todos os anos: o que caracteriza um design de excelência?
Em 2026, a resposta passa por produtos que ampliam a acessibilidade, reduzem impactos ambientais, tornam a inteligência artificial mais útil e transformam limitações técnicas em novas experiências.
A lista completa dos vencedores, finalistas e menções honrosas está disponível na página do Innovation by Design 2026.