Heated Rivalry: os produtores contam tudo
Produtores e executivos contam como levaram o romance dos livros às telas em 18 meses, entre recusas de parceiros, apostas financeiras e a mobilização dos fãs

Depois que “Heated Rivalry” se tornou um sucesso instantâneo, seu êxito pode ter parecido inevitável. Baseada na popular série de romances de Rachel Reid sobre relacionamentos entre jogadores de hóquei cujas histórias se cruzam, a produção estreou em novembro de 2025 e se tornou o maior sucesso original do streaming canadense Crave.
A série atraiu mais novas assinaturas do que qualquer outro conteúdo do serviço em 2025. A plataforma pertence ao conglomerado canadense Bell Media. O sucesso se repetiu entre os parceiros internacionais, incluindo a HBO Max nos Estados Unidos, onde cada episódio já acumulava mais de 10 milhões de visualizações em fevereiro de 2026.
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Mas tirar o projeto do papel foi uma luta para os produtores executivos Jacob Tierney e Brendan Brady, que realizaram a série por meio de sua empresa, a Accent Aigu Entertainment. A aprovação do Crave veio acompanhada de uma verba inicial, mas os produtores ainda precisavam de recursos adicionais. Para isso, pediram a potenciais parceiros que apostassem em um romance gay com cenas de sexo muitas vezes explícitas.
Em entrevista à Fast Company, o produtor executivo Brendan Brady contou como “Heated Rivalry” passou da apresentação da ideia à produção e ao sucesso mundial. Tudo em apenas 18 meses.
ELOGIOS À IDEIA, RESISTÊNCIA AO INVESTIMENTO
Enquanto a Accent Aigu procurava possíveis parceiros, a maioria resistia ao risco de financiar a série. A Bell Media acabou ampliando seu investimento por meio da Sphere Abacus, distribuidora da qual adquiriu o controle em março de 2025. Brady e Tierney também investiram no projeto os próprios cachês como produtores.
Brady: No início de julho de 2025, recebemos o sinal verde e começamos a correr. O que acontecia repetidamente era que as pessoas adoravam a proposta, mas, no fim, diziam: “Não achamos que conseguimos vender isso nos Estados Unidos pelo valor que vocês estão pedindo.”

Justin Stockman, vice-presidente de conteúdo global da Bell Media: Quando procurávamos parceiros internacionais, todos que liam os argumentos ou os roteiros achavam que era uma das coisas mais empolgantes que já tinham lido. Mas depois diziam: “Não, não vamos participar.” Quando chegou a hora de produzir, pensamos: vamos financiar tudo e também distribuir, porque há muito entusiasmo em torno disso.
Sean Cohan, presidente da Bell Media: Adquirir o controle da Sphere Abacus em meados do ano passado foi um risco comercial que trouxe um ótimo retorno. Isso reforçou nossa convicção de que, se voltarmos a aprovar bons projetos com rapidez e confiarmos nos nossos criadores, podemos encontrar um caminho em meio a todo esse ruído, num momento difícil para o setor de mídia.
OS FÃS AJUDARAM A ABRIR CAMINHO
As filmagens ocorreram de abril a junho de 2025. Nas redes, a empolgação dos fãs dos livros ajudou a despertar o interesse de distribuidores internacionais, especialmente no MIPCOM, uma das principais feiras anuais do mercado de televisão, realizada em Cannes.
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Stockman: Antes mesmo de anunciarmos a série na nossa apresentação de programação, em junho de 2025, superfãs tiveram acesso a pedidos enviados a agentes de elenco e descobriram que se tratava de “Heated Rivalry”. Quando fizemos o anúncio, a repercussão foi ainda maior. Dava para sentir aquela onda crescendo. Enquanto nos preparávamos para levar a série ao MIPCOM, onde fechamos nossas vendas internacionais, a ideia inicial era exibi-la em janeiro, perto dos Jogos Olímpicos de Inverno. Mas dissemos: “Vamos lançá-la durante as festas de fim de ano.”

Brady: Naquele momento, não tínhamos concluído nada da pós-produção. Mas foi no MIPCOM que sentimos, pela primeira vez, que as coisas estavam ganhando impulso. As pessoas nos abordavam na Croisette, a avenida à beira-mar, e diziam: “Ei, vocês fizeram aquela série gay de hóquei, certo?” Duas semanas depois do MIPCOM, a HBO entrou. A HBO da Austrália foi a primeira a comprar os direitos.
UMA APOSTA QUE VIROU SUCESSO GLOBAL
A HBO dos Estados Unidos adquiriu a série em seguida e se comprometeu a exibir os episódios no mesmo dia e horário da estreia semanal no Crave. A distribuição internacional levou a produção a diferentes mercados. A recepção foi extremamente positiva e deu ao Crave o sucesso internacional produzido no Canadá que ele buscava havia anos.
O Crave aprovou uma segunda temporada, com estreia prevista para a primavera de 2027 no hemisfério norte. Ela adaptará parte do sexto livro da série de Reid.
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Cohan: A HBO Max disse que foi sua maior aquisição desde o lançamento da plataforma. Chegamos ao primeiro lugar na Sky, no Reino Unido. Um terço dos espectadores assistiu à série mais de uma vez. Ela trouxe mais assinaturas para o Crave do que praticamente qualquer outro conteúdo. Esse momento é um divisor de águas e abriu as portas para muitas séries excelentes que, esperamos, também mobilizem a conversa cultural.