Infografia é obra de arte? O MoMA diz que sim

Nova exposição do MoMA mostra como gráficos, mapas e visualizações de dados moldam nossa percepção das informações que consumimos todos os dias

infografia é arte?
Crédito: MoMA

Rachel Kurzius 4 minutos de leitura
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Quando as pessoas publicam infográficos em suas contas do Instagram, estão compartilhando informações e fatos sobre o mundo com seus seguidores. Mas também estão tentando transmitir algo sobre o tipo de pessoa que são ao distribuir essas doses de dados visualmente atraentes e fáceis de assimilar.

Talvez queiram fazer uma declaração sobre suas próprias posições políticas ou sobre o quanto são conscientes. Assim, o que o Museu de Arte Moderna de Nova York, o MoMA, está revelando sobre si mesmo como instituição com sua próxima exposição, Full Disclosure: The Edge of Information Design (Revelação: a vanguarda do design de informação)?

As peças de design da informação da exposição “nos dizem que o museu está sempre pronto para entender o que é importante para o mundo naquele momento específico e tentar apresentar os melhores exemplos disso”, afirma Paola Antonelli, curadora de arquitetura e design do museu.

A primeira obra que os visitantes verão ao entrar no museu é "Warming Stripes" (Faixas Climáticas), do climatologista Ed Hawkins, que “queria encontrar uma maneira de colocar na cabeça das pessoas que o aquecimento global está realmente acontecendo”.

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"Faixas Climáticas", de Ed Hawkins (Crédito: MoMA)

As faixas, que ao longo da obra passam de um azul profundo para um vermelho vivo, representam a temperatura média de cada ano. A imagem se parece com um tapete deslumbrante, mas também com um enorme sinal de alerta.

Para Antonelli, a obra é uma síntese ideal do design da informação, porque esse campo “pega fenômenos grandes e pequenos, públicos e íntimos, complexos, científicos e estatisticamente mais superficiais, e os apresenta de uma maneira compreensível para um público amplo”.

A exposição mostra que o design da informação não se limita a transformar enormes conjuntos de dados em algo legível. Uma parte é inteiramente dedicada a dados pessoais e inclui uma correspondência entre as artistas Giorgia Lupi e Stefanie Posavec.

No que se tornou o projeto "Dear Data", as duas encontraram maneiras criativas de visualizar, por exemplo, quantas vezes xingaram durante uma semana.

infográfico Dear Data, de Giorgia Lupi e Stefanie Posavec
"Dear Data", de Giorgia Lupi e Stefanie Posavec (Crédito: MoMA)

A ideia é que a prática do design da informação possa ajudar as pessoas a estabelecer uma conexão mais pessoal – ou até divertida – com os muitos fragmentos de dados que passaram a simbolizar suas vidas.

O MoMA coleciona trabalhos de design da informação desde 2008, quando Antonelli apresentou uma exposição chamada Design and the Elastic Mind (Design e a mente elástica), que se concentrava nas maneiras como os designers haviam se adaptado às mudanças científicas revolucionárias.

Como parte de sua curadoria, ela encontrou “todos esses designers diferentes que não tinham um lugar”, que trabalhavam com visualização de dados, conta. “Eu meio que os acolhi.”

Com exceção de uma, todas as obras da exposição fazem parte da coleção do MoMA.

infográfico "Dois lados da mesma moeda"
"Dois lados da mesma moeda", de Laura Kurgan, Dan Miller e Adam Vosburgh (Crédito: MoMA)

Frequentemente, a origem do design da informação como prática é associada à invenção do gráfico de barras ou ao mapa do cólera em Londres criado pelo médico John Snow no século 19.

Mas Antonelli vê suas origens muito mais longe no passado: ele sempre fez parte da experiência humana porque “tem tudo a ver com explicar as coisas de maneira narrativa e visual”. Isso significa que pinturas rupestres que registravam a quantidade de cervos abatidos em uma caçada também se encaixam nessa definição.

Mas o uso de computadores e ferramentas digitais explodiu e ampliou a prática do design da informação. A exposição reflete isso.

infográfico "Linha da Pobreza", de Stefen Chow e Huiyi Lin
"Linha da Pobreza", de Stefen Chow e Huiyi Lin (Crédito: MoMA)

Embora muitas pessoas encontrem exemplos de design da informação em pequenas telas de celular, e haja muitas oportunidades de interagir com telas na exposição, ela também inclui peças enormes, que ocupam paredes inteiras ou, no caso de "Calculating Empires" (Calculando Impérios), de Kate Crawford e Vladan Joler, uma sala inteira.

infográfico "Calculando Impérios", de Kate Crawford e Vladan Joler
"Calculando Impérios", de Kate Crawford e Vladan Joler

Jornais e empresas de mídia muitas vezes têm equipes dedicadas ao design da informação. Duas obras do "The New York Times" estão incluídas na exposição: uma utiliza renderização em 3D para explicar por que a catedral de Notre-Dame, em Paris, era tão vulnerável ao fogo; a outra recria o bairro de Greenwood, destruído pelo massacre racial de Tulsa.

Antonelli considera a primeira exposição do museu inteiramente dedicada ao design da informação uma “provocação gentil” ou talvez um lembrete “surpreendente” de que trabalhos cotidianos — como os encontrados em um jornal — são dignos de estar em um museu.

Vista de uma das salas da exposição "Revelação: a vanguarda do design de informação", do Museu de Arte Moderna de Nova York
Vista de uma das salas da exposição (Crédito: MoMA)

Ela quer que os visitantes saiam com uma capacidade maior de discernimento diante da enxurrada de infográficos e diagramas que encontrarão todos os dias. Espera que eles usem seu próprio senso crítico para perceber como as escolhas de cores, tipografia e outras decisões formais feitas pelo criador podem influenciar a maneira como enxergam as informações.

A curadora também gostaria que as pessoas que observarem esses exemplos desenvolvessem uma percepção mais aguçada de quando algo foi feito de maneira “elegante e eficiente”.

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“Esperamos que, como sempre, eles passem a olhar para a própria vida com outros olhos”, diz Antonelli. “Olhos mais críticos.”


SOBRE A AUTORA

Rachel Kurzius é repórter de design da Fast Company. saiba mais