Jony Ive e Moncler criam casacos modulares com botões magnéticos
Em entrevista à Fast Company, o ex-chefe de design da Apple explica como seu estúdio, LoveFrom, aproximou o design industrial da moda em uma nova coleção.

Uma jaqueta que serve de base para diferentes combinações de roupas de inverno. Essa é a proposta da nova coleção da Moncler com a LoveFrom, estúdio de Jony Ive, ex-chefe de design da Apple. O sistema permite acrescentar três peças à mesma camada interna: uma jaqueta de inspiração militar, uma parka ou um poncho.
No centro da coleção está a Moncore, uma jaqueta com enchimento de plumas. As outras peças são vestidas por cima dela e se prendem quase automaticamente graças ao “duo button”, botão magnético que a LoveFrom levou quatro anos para desenvolver. As combinações permitem adaptar o conjunto a situações que vão de uma caminhada no outono à chuva do início do inverno ou a uma tempestade de neve.
Esta é a segunda coleção criada em parceria pelas marcas. O lançamento acontece na nova loja principal da Moncler em Manhattan, com vista para o Central Park. A relação da grife com Nova York também aparece nos detalhes das peças.
Quem acompanha o mercado de casacos de luxo pode reconhecer semelhanças com a primeira coleção da LoveFrom com a Moncler, lançada no outono de 2024 no hemisfério norte. Ela já adotava um sistema modular, com diferentes camadas externas conectadas a uma mesma peça central.

A nova versão amplia essa ideia e a proposta de usar uma única peça de tecido para compor a maior parte de cada roupa. Os tons pastel da coleção anterior dão lugar a um cáqui fosco, que pode ser personalizado com oito apliques incluídos na coleção.
Os desenhos fazem referência a Nova York e aos mascotes das duas marcas: Monduck, o pato da Moncler, e Montgomery, o urso da LoveFrom.
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SIMPLIFICAR DÁ TRABALHO
Em entrevista exclusiva à Fast Company, Ive conta que a colaboração começou com um conceito, antes de haver um estilo definido para as roupas.
“Sempre me interessei pela maneira como é possível agregar valor retirando elementos. Por isso, a ideia de começar com um rolo de tecido muito largo e fazer as roupas essencialmente a partir de uma única peça foi uma abordagem e uma meta muito ambiciosas que estabelecemos para nós mesmos”, diz. “Fazer algo verdadeiramente simples é extremamente difícil.”

Para Remo Ruffini, presidente executivo do conselho da Moncler, a proposta chamou a atenção desde o início.
“Quando Jony me explicou o projeto pela primeira vez, achei fascinante”, afirma. “Embora o design industrial e o design de moda sejam duas abordagens diferentes, sempre pensei que bom design é bom design.”
Ive diz que o trabalho da LoveFrom com a Moncler mistura deliberadamente as disciplinas do design. A equipe trata a coleção como um problema específico a resolver, recorrendo aos meios necessários para encontrar a solução.
“Seja ao projetar óculos, fones de ouvido ou um telefone, os desafios são muito diferentes entre si. Por isso, me recuso a aceitar a divisão tradicional entre as diferentes disciplinas”, afirma.
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DOS CASACOS ÀS INSTRUÇÕES EM QUADRINHOS
Essa abordagem aparece para além das silhuetas e das costuras. A equipe da LoveFrom reúne designers industriais, tipógrafos, arquitetos, animadores e designers de interfaces, que contribuíram para diferentes aspectos da coleção.
Além dos apliques com os mascotes, o estúdio criou animações com os dois personagens, cartões-postais que acompanham a coleção e embalagens que reforçam a conexão com Nova York.

Na parte interna de cada roupa, as instruções de lavagem aparecem em ilustrações no estilo de histórias em quadrinhos. Há também modelos de papel para dobrar, que mostram como cada peça foi cortada e dobrada a partir de um único pedaço de tecido.
Cada um dos quatro itens da coleção custa entre US$ 2.450 (R$ 12,55 mil) e US$ 3.700 (R$ 18,9 mil).
Ir além do escopo inicial se tornou uma característica da colaboração entre LoveFrom e Moncler. Segundo Ive e Ruffini, a parceria nasce mais da afinidade pessoal do que de uma necessidade de negócio.

Por isso, ainda não há um calendário definido para a próxima coleção. Os dois, porém, demonstram interesse em manter a colaboração, seja qual for o formato.
“Não estamos colaborando porque temos esse objetivo em mente. Estamos colaborando porque queremos trabalhar juntos”, diz Ive. “Essa relação é tão preciosa justamente porque não há uma agenda predefinida.”