Lembra dos móveis infláveis dos anos 2000? Eles voltaram – e estão irreconhecíveis
Com tecnologia inspirada em equipamentos militares, peças da Airmaan prometem conforto, durabilidade e portabilidade

Quando se fala em móveis infláveis, muita gente pensa imediatamente em quartos de adolescentes do fim dos anos 1990 e início dos anos 2000. Objetos translúcidos, baratos e descartáveis, criados para acompanhar uma moda passageira, e não as necessidades de longo prazo de um adulto mobiliando a própria casa.
Agora, uma fabricante francesa está tentando mudar essa percepção ao criar móveis infláveis que combinam design, durabilidade e estética sofisticada o suficiente para ocupar áreas externas, jardins e espaços de lazer.
Os novos modelos da Airmaan – o sofá de três lugares M Sofa e a poltrona N Chair – podem ser inflados em apenas alguns segundos. Nos materiais promocionais, a empresa os apresenta como “sua sala de estar em qualquer lugar”, exibindo as peças à beira da piscina, na praia e até no topo de montanhas.
Leves o bastante para serem transportados facilmente, os móveis podem servir como assentos para acampamentos e aventuras em areia, terra ou neve, sem perder a aparência refinada que também funciona em um jardim com piscina.

“Nossa meta era criar móveis capazes de competir de verdade com os móveis tradicionais em conforto, estética, durabilidade e funcionalidade, mantendo ao mesmo tempo leveza e portabilidade”, explica Johan Faure-Brac, fundador da Airmaan.
Ele criou a empresa em 2016 como resposta aos desafios ambientais, logísticos e sociais associados aos móveis tradicionais, frequentemente volumosos, caros e difíceis de transportar.
Embora os móveis infláveis já tivessem sido testados antes, ele acreditava que ninguém havia encontrado a solução ideal. E tentativas não faltaram.
O designer Quasar Khanh produziu móveis infláveis ainda nos anos 1960. Durante o auge da tendência nos anos 1990 e no período da virada do milênio, um dos ícones foi a cadeira inflável licenciada pela cantora Britney Spears, decorada com uma estampa floral inspirada em seu primeiro CD.

Até a Ikea já experimentou a ideia. Em seu catálogo de 2000, a empresa lançou o sofá inflável Ikea a.i.r., cujo nome fazia referência à expressão “air is a resource” (“o ar é um recurso”).
O produto acabou descontinuado porque esvaziava com facilidade e gerava muitas devoluções. Este ano, a mais recente tentativa da empresa foi uma cadeira que utiliza almofadas infláveis inseridas em uma estrutura convencional.
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A Airmaan afirma que seus móveis precisam ser reinflados apenas ocasionalmente ao longo do ano. Segundo a empresa, a taxa de devolução é extremamente baixa: apenas uma devolução em três anos de vendas comerciais.
As peças são produzidas com tecidos técnicos de alta resistência. Em vez de utilizar apenas câmaras de ar, como ocorria nos móveis infláveis do passado, elas incorporam uma estrutura interna baseada na técnica conhecida como drop-stitch, amplamente utilizada em equipamentos infláveis de padrão militar, como asas, pisos de embarcações e pranchas de stand-up paddle.

O método utiliza milhares de fibras para conectar as superfícies superior e inferior do material. Essa rede interna cria tensão estrutural e ajuda a manter a forma do móvel.
O desafio era que não existia um processo consolidado para aplicar essa técnica na criação de móveis tridimensionais complexos.
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Após anos de pesquisa, prototipagem e desenvolvimento, a Airmaan desenvolveu um método patenteado que utiliza geometrias internas projetadas especificamente para mobiliário. Segundo a empresa, a estrutura é tão resistente que suporta até a passagem de um caminhão sem perder sua forma.
Cada peça é montada manualmente e passa por vários dias de testes antes de ser enviada aos clientes. “A precisão necessária é extremamente alta, porque mesmo um pequeno desvio pode alterar consideravelmente a forma final”, explica Faure-Brac. “É uma combinação de engenharia, artesanato e um longo processo de tentativa e erro.”


A Airmaan batiza seus produtos com letras do alfabeto, uma convenção que começou como um sistema interno de design e acabou se tornando a identidade da marca. O modelo Z Lounger, por exemplo, pode ser configurado como uma cadeira de praia. Já uma das próximas peças em desenvolvimento é conhecida internamente como V.
É um alfabeto cada vez maior de assentos que demonstra como os móveis infláveis deixaram de ser apenas uma curiosidade de quartos infantis. A cadeira inflável, ao que tudo indica, amadureceu.