Marca cria tênis de corrida que você calça sem usar as mãos
Com tênis hands-free, Kizik amplia tecnologia e estreia no competitivo mercado de performance

Quando foi fundada, em 2017, a marca de calçados Kizik tinha uma missão clara: levar a tecnologia de tênis hands-free (que dispensa o auxílio das mãos para calçá-los) para o grande público. Agora, sua controladora, a HandsFree Labs, anuncia um acordo de licenciamento com a New Balance para ampliar o uso dessa tecnologia.
A Kizik também apresenta um novo modelo, o Kizik Freedom Run (US$ 149,95), para corredores. Juntos, os dois movimentos marcam tanto a expansão da estratégia de licenciamento da empresa quanto a entrada, pela primeira vez, no segmento de performance.
No centro da proposta da Kizik sempre esteve a experiência de calçar o tênis. A empresa desenvolve modelos "deslizantes", que eliminam a necessidade de amarrar cadarços por meio de diferentes mecanismos patenteados de calçados hands-free.
Esses designs tornam o produto acessível para quem tem dificuldade de amarrar os sapatos, incluindo crianças, idosos e pessoas com deficiência. Mas a ambição da marca vai além.

“Pensamos no problema assim: nossos calçados são para todos, mas transformam a vida de alguns”, afirmou Monte Deere, então CEO da empresa, à Fast Company em 2023. Entrar no universo da corrida exigiu adaptar os designs para usos mais intensos, mas também amplia o alcance da marca.
A equipe interna, a HandsFree Lab, gerencia mais de 200 patentes concedidas e em processo relacionadas à mecânica de calçados hands-free – de línguas ultraflexíveis a modelos que se abrem com um leve aperto, passando por diferentes configurações de calcanhar que permitem simplesmente deslizar o pé para dentro do calçado.
Para sua estreia em performance, a equipe de design decidiu começar com um tênis de corrida de médio custo, acessível para a maioria dos atletas. O Freedom Run não é um modelo de elite para competição, mas sim um tênis de treino confiável, feito para durar.

A ideia de um tênis de corrida sem cadarço traz um desafio evidente: combinar um calcanhar “solto” com o ajuste firme e compressivo que os atletas precisam. O calcanhar precisa ser flexível o suficiente para permitir o encaixe sem as mãos, mas rígido o bastante para impedir que o pé deslize a cada passada.
Para resolver esse dilema, a equipe da Kizik apostou no Internal Flex Arc, uma das tecnologias menos exploradas da marca. O sistema é composto por dois componentes rígidos (na parte superior e inferior) com um compartimento de calcanhar em formato de “tenda” entre eles.

“Quando você combina esses elementos, consegue entrar no tênis porque ele se comprime muito bem”, explica Hosford. “Quando retorna à forma original, ele ‘agarra’ o calcanhar. Para um tênis de corrida, isso é excelente, porque minimiza o deslizamento.”
O restante da estrutura do Freedom Run, incluindo arco e biqueira, foi projetado para trabalhar em conjunto com o Internal Flex Arc e manter o pé estável dentro do tênis. Como detalhe adicional, a equipe também desenvolveu uma espuma própria, chamada Viva Foam, que serve como base do calçado.
Ela foi pensada para resistir à compressão e absorver o impacto das passadas, além de ser ultraleve, para evitar adicionar volume extra ao tênis..

Por enquanto, o Freedom Run ocupa uma categoria própria dentro do portfólio da Kizik. Mas, segundo Hosford, a marca pretende ampliar sua presença em produtos de performance em breve, tanto para atender à demanda dos fãs quanto para explorar o potencial de crescimento de um mercado enorme e provar que sua tecnologia hands-free funciona em diversos contextos.
Tênis de corrida com esse tipo de tecnologia se encaixam em uma tendência clara de inovação: as pessoas estão sempre em busca de produtos que tornem o dia a dia um pouco mais fácil, diz Hosford.
Leia mais: Nestes tênis formado por módulos, você pode trocar as partes que quiser
“Nosso fundador, Mike Pratt, costuma dizer: ‘ninguém mais gira a manivela do vidro do carro, hoje tudo é botão elétrico que economiza 30 segundos. Mas são 30 segundos todos os dias’. Quando a tecnologia prova seu valor, você não quer voltar atrás. Com os calçados, é mais ou menos a mesma coisa.”