Monopoly ganha versão inspirada na vida de Keith Haring

Esta versão do clássico jogo de tabuleiro captura o estilo icônico do artista em detalhes coloridos e dignos de exibição

versão do jogo Monopoly em homenagem ao artista Keith Haring
Crédito: WS Game Company

Grace Snelling 3 minutos de leitura

Desde sua invenção, em 1903, o clássico jogo de tabuleiro Monopoly (ou Banco Imobiliário, como é mais conhecido no Brasil) gerou uma quantidade tão grande de versões que elas praticamente cobrem todo o espectro possível de interesses humanos.

De jardinagem e cerveja até a FIFA World Cup, Star Wars e a cidade de Edinburgo, na Escócia – se você consegue imaginar um tema, há boas chances de que ele já tenha virado uma edição de Monopoly. O número total é difícil de precisar, mas alguns fãs estimam que mais de 1,500 mil versões oficiais do jogo já foram produzidas.

Agora surge mais uma, desta vez, dedicada à vida e ao legado do artista Keith Haring. O jogo foi criado pela WS Game Company, licenciada da Hasbro (empresa proprietária do Monopoly) especializada em edições de luxo de jogos clássicos de mesa.

Para celebrar os 40 anos da icônica loja nova-iorquina de Haring, a Pop Shop, a WS Game Company buscou inspiração tanto no portfólio do artista quanto nos principais acontecimentos de sua vida para desenvolver o Keith Haring Monopoly.

versão do jogo Monopoly em homenagem ao artista Keith Haring
Crédito: WS Game Company

Para designers de jogos, o Monopoly funciona quase como um camaleão: a estrutura simples, a dinâmica baseada em locais e a variedade de peças físicas fazem dele uma tela perfeita para adaptações.

Essa flexibilidade permite que o jogo se adapte a praticamente qualquer universo ou narrativa, desde uma saga de ficção científica até uma homenagem a uma pequena cidade. Neste caso, ele também funciona como uma peça de arte digna de exibição.

ARTE QUE SE TORNOU ONIPRESENTE

Era apenas questão de tempo até alguém decidir criar um Monopoly de Keith Haring, considerando o quanto o trabalho do artista se tornou onipresente na cultura pop e em colaborações com marcas. Desde sua morte, em 1990, a arte de Haring já apareceu em produtos que vão de Lego a itens infláveis de decoração doméstica.

Para o próprio Haring, a ubiquidade muitas vezes era justamente o objetivo. Ele construiu sua reputação por meio do grafite e da arte aberta, que utilizava para espalhar mensagens de igualdade e aceitação para o grande público.

Em 1986, Haring abriu a Pop Shop, no bairro do SoHo, em Nova York, onde vendia bottons, adesivos, pôsteres e outras reproduções de suas obras por preços extremamente acessíveis.

Na época, a decisão foi duramente criticada pelo mundo da arte, embora hoje seja vista como uma estratégia claramente à frente do seu tempo.

UM JOGO EM FORMA DE ARTE (OU VICE-VERSA)

Para transformar o legado de Haring e de sua loja icônica em um jogo de Monopoly, a WS Game Company trabalhou em estreita colaboração com a Artestar, agência que representa a Fundação Keith Haring em projetos de licenciamento.

Cada propriedade do tabuleiro representa um lugar importante da vida do artista, desde seu local de nascimento até escolas que frequentou e estúdios onde trabalhou.

Naturalmente, a arte de Haring aparece espalhada por todo o jogo. As peças metálicas incluem versões tridimensionais de duas de suas obras mais famosas: Radiant Baby e Barking Dog. As casas foram substituídas por figuras dançantes multicoloridas, enquanto os hotéis assumem a forma de caixas de som (boomboxes).

As cartas tradicionais de Chance e Community Chest foram substituídas por cartas “Heart” e “Pop Shop”, que exibem, respectivamente, o famoso coração desenhado por Haring e o logotipo da loja.

Até mesmo os espaços de ferrovia do tabuleiro foram reinventados: eles agora apresentam versões dos desenhos que Haring espalhou pelas estações de metrô de Nova York nos anos 1980.

versão do jogo Monopoly em homenagem ao artista Keith Haring
Crédito: WS Game Company

Em homenagem ao estilo visual inconfundível do artista, a frente da caixa do jogo traz um agrupamento em forma de coração com várias figuras dançantes — algo que poderia facilmente ser usado como uma peça de arte para pendurar na parede.

“Durante todo o processo, muitas vezes parecia que não estávamos apenas interpretando o trabalho dele, mas realmente colaborando com o próprio Keith”, afirma Kerry Silva Addis, proprietária da WS Game Company.

“Nos aprofundar em sua linguagem visual, sua filosofia e seu impacto social deu ao projeto um senso de propósito muito forte. Homenagear seu legado de uma forma que parecesse genuína foi realmente uma oportunidade única na vida.”


SOBRE A AUTORA

Grace Snelling é colaboradora da Fast Company e escreve sobre design de produto, branding, publicidade e temas relacionados à geração Z. saiba mais