Por que o supermercado do futuro pode ter embalagens cada vez menores?

Famílias menores, inflação e medicamentos para emagrecer estão mudando o consumo e levando fabricantes a repensar o tamanho das embalagens

O futuro dos alimentos está nas embalagens menores
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Hunter Schwarz 3 minutos de leitura
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Embora os supermercados de atacado, que vendem alimentos e artigos para casa em grandes quantidades, continuem atraindo consumidores em busca de descontos por volume, o supermercado de 2035 pode ser bem diferente do atual, com embalagens menores nas prateleiras, segundo um novo relatório.

Diferentemente da prática de reduzir a quantidade de produto mantendo o mesmo tamanho da embalagem e o preço, a nova era das porções menores transforma a redução do tamanho em parte do próprio apelo de venda.

As estratégias tradicionais de embalagem para bens de consumo embalados priorizam aspectos como estimular compras de versões maiores, abastecer a despensa e aumentar o consumo. Mas essas táticas estão perdendo relevância, alerta o relatório da NielsenIQ, empresa de inteligência de mercado especializada em comportamento do consumidor.

Em vez disso, fabricantes, varejistas e designers precisam repensar os formatos das embalagens para atender, ao mesmo tempo, às necessidades de consumidores cujos hábitos estão mudando em várias frentes.

O tamanho das famílias continua diminuindo, o custo de vida segue aumentando e a adoção crescente de medicamentos GLP-1 faz com que mais consumidores comprem menos.

Ou seja, projetar embalagens para estimular o consumo elevado e atender famílias grandes, com despensas cheias, significa desenvolver produtos para um mundo que já não existe.

Agora, as empresas precisam pensar em menor escala. “Se os lares estão diminuindo, a maneira como fazem compras também está encolhendo”, afirma o relatório.

erros cometidos por pessoas que não são vendedores
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Gigantes do setor de bens de consumo embalados, como a PepsiCo, já começaram a testar unidades menores. Em junho, Mike Del Pozzo, presidente da divisão de bebidas da empresa nos Estados Unidos, afirmou que a companhia estava introduzindo latas menores a preços acessíveis e considerando “novas faixas de preço e tamanhos de embalagem” para outras bebidas.

No ano passado, a Campbell's lançou embalagens individuais de 70 gramas dos biscoitos Goldfish, vendidas por menos de US$ 2. Segundo o relatório, as embalagens menores estão ganhando espaço sobretudo nas categorias de refrigerantes, cereais matinais prontos para consumo e salgadinhos, mas também começam a aparecer em outros segmentos.

O tamanho médio dos lares nos EUA caiu de 2,6 pessoas em 2000 para 2,5 atualmente, em parte devido à pressão econômica e ao adiamento da formação de famílias, aponta o relatório.

a nova era das porções menores transforma a redução do tamanho em parte do próprio apelo de venda.

No Brasil, segundo o Censo do IBGE, o tamanho médio caiu de 3,62 pessoas por família em 2010 para 3,07 em 2022 – uma redução de 0,55 pessoa, ou cerca de 15%. Ou seja, as famílias estão menores, em média.

Nesse cenário, produtos em embalagens menores, tamanhos para experimentação, mini-latas e porções individuais estão atraindo uma nova geração de consumidores. O preço por unidade de medida pode ser maior do que o de uma compra em grandes quantidades, mas as embalagens menores reduzem o valor pago no caixa, algo importante para consumidores pressionados pela inflação.

“Tradicionalmente, o valor está na interseção entre o preço por unidade e os atributos do produto que são importantes para o consumidor”, afirma o relatório.

“As embalagens menores podem gerar valor de outra maneira: reduzindo o desembolso inicial, facilitando o armazenamento dos produtos, diminuindo o risco de desperdício e ajustando melhor a quantidade comprada ao que o consumidor sabe que conseguirá consumir integralmente.”

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A tradicional ida da família ao supermercado para abastecer a despensa está cedendo espaço a uma nova forma de fazer compras, baseada na aquisição de menos itens de cada vez. Com a transformação dos hábitos de consumo, essas compras rápidas podem, ao longo do tempo, passar a privilegiar porções ainda menores.


SOBRE O AUTOR

Hunter Schwarz é colaborador da Fast Company e acompanha de perto os pontos de contato entre design e publicidade, branding, negócios,... saiba mais