O próximo passo da arquitetura é projetar como as pessoas se sentem

Projetos que estimulam os sentidos e colocam o público no centro mostram como a arquitetura pode criar conexões humanas duradouras

Arquitetura do futuro cria experiências, não apenas edifícios
Créditos: Svjatoslav/ Adobe Stock/ Cottonbro Studio/ Vidal Balielo Jr/ Pexels

Thom White 4 minutos de leitura

O design inovador não diz respeito apenas ao espaço físico. Os projetos mais ousados e impactantes priorizam o trabalho artesanal, a comunidade e a capacidade de promover mudanças. Embora essa seja uma filosofia que carrego desde os tempos da faculdade de arquitetura, recentemente percebi o quanto ela é essencial para projetar o futuro.

Em 2012, Charles Melcher, referência nas áreas de publicação e comunicação, lançou a Future of StoryTelling (FoST), uma comunidade e estúdio dedicados a criar experiências imersivas guiadas por narrativas para públicos ao redor do mundo. Dez anos depois da criação da FoST, a organização inaugurou o Explorers Club. Eu era o único arquiteto da primeira turma desse grupo de viagens de um ano.

De ABBA Voyage, em Londres, ao Borderless, da TeamLab, em Tóquio, passando pela Art Basel, em Miami, viajei pelo mundo com esse grupo de profissionais, explorando espaços imersivos que desafiaram nossas ideias preconcebidas sobre design. Ao longo dessas visitas e conversas, testemunhei os benefícios do design experiencial: projetos que colocam o público no centro e permitem que as pessoas se conectem diretamente com a narrativa, mas, acima de tudo, umas com as outras. Para mim, é assim que se parece uma arquitetura bem-sucedida.

OS VISITANTES REAGEM A EXPERIÊNCIAS SENSORIAIS

Todos conhecemos os cinco sentidos: olfato, tato, visão, audição e paladar. No entanto, pesquisas recentes sugerem que podemos ter até 33 sentidos, incluindo a propriocepção (a percepção do corpo no espaço) e a termocepção (a percepção da temperatura). Levar essas sensações em consideração é fundamental no design experiencial.

Além de pensar em como um visitante irá percorrer fisicamente um espaço, procuro imaginar como ele pode ser estimulado pela presença de um determinado aroma ou por uma mudança na iluminação. Vejo essa jornada não como uma atividade passiva, mas como uma sequência de experiências que faz a pessoa se sentir plenamente presente. Ela sabe que está ali.

Um bom exemplo disso é a ampliação do Perry Glass Studio, do Chrysler Museum of Art, inaugurada no ano passado e projetada pelo meu escritório. Os visitantes podem acompanhar um artesão retirando vidro de um forno antes de moldar o material incandescente com ferramentas que, surpreendentemente, incluem uma pilha de jornais molhados. A atividade oferece uma experiência multissensorial, estimulando o olfato, a termocepção e a visão.

Projetamos cuidadosamente o percurso do público pelo edifício, incluindo um caminho no segundo andar que contorna completamente o teatro da oficina de vidro, oferecendo uma vista de 360 graus do espaço de trabalho dos artistas. Ao mesmo tempo, os visitantes ficam imersos no brilho, no calor, nos aromas e na energia coletiva que envolvem o espetáculo da produção do vidro.

EXPERIÊNCIAS ÚNICAS SÃO O FUTURO

Em vez de gastar dinheiro com entretenimento passivo ou bens materiais, cada vez mais consumidores preferem investir em experiências. Eles buscam vivências únicas e lugares que permaneçam na memória muito tempo depois de deixarem o espaço físico.

A AREA15 é um exemplo perfeito desse tipo de destino. Embora Las Vegas seja conhecida por atrações centradas em cassinos, a AREA15 prosperou como algo muito mais incomum: um destino fora da Strip construído em torno da arte e do entretenimento imersivos. Desde sua inauguração, em 2020, Winston Fisher e sua equipe vêm expandindo e reinventando continuamente o projeto, transformando-o em um complexo de 35 acres e provando que a evolução constante pode se tornar, por si só, a principal atração.

Em um episódio do podcast Future of StoryTelling, em 2023, Fisher falou sobre essa visão voltada para o futuro.

— Fomos construídos para a IA. Fomos construídos para a disrupção do metaverso. Fomos construídos para a individualização, para transformar espectadores em participantes.

Muitas das atrações da AREA15 seguem essa abordagem inovadora. Um exemplo é o Wink World, uma "casa de diversões psicodélica" de 20 minutos criada por Chris Wink, fundador do Blue Man Group, na qual espelhos infinitos transformam obras bidimensionais e arte cinética em instalações imersivas.

A oportunidade de oferecer uma experiência mais imersiva e exclusiva dá à AREA15 uma vantagem competitiva no mercado.

— Não temos exclusividade sobre a criatividade. Não temos exclusividade sobre contar histórias. Mas somos a plataforma que permite que tudo isso floresça — afirmou Fisher.

PROJETAR PARA A COMUNIDADE E PARA O ENCANTAMENTO

No passado, interagir com a arte era frequentemente visto como uma atividade passiva. Hoje, porém, as pessoas querem viver experiências que não possam ser reproduzidas em casa. E isso começa com a criação de espaços centrados na comunidade, capazes de promover conexão, sensação de presença e participação.


SOBRE O AUTOR

Thom White é cofundador e diretor de design do Work Program Architects (WPA). saiba mais