Pantone apresenta 224 novas cores. A era do maximalismo começou?
Primeira expansão do Pantone Matching System desde 2022 reúne tons mais vibrantes, contrastes inesperados e uma mudança na forma como marcas e designers usam a cor

A Pantone acaba de adicionar 224 novas cores ao Pantone Matching System (PMS), sistema usado por designers, gráficas e fabricantes para especificar e reproduzir cores de forma consistente em diferentes materiais e processos de produção.
É a primeira vez desde 2022 que novas tonalidades entram no sistema. Na última atualização, a empresa havia incorporado principalmente cinzas quentes e neutros escuros. Quatro anos depois, o movimento segue em outra direção: entram em cena cores mais saturadas, contrastes fortes e combinações menos convencionais. Com a expansão, o catálogo da Pantone se aproxima de 9 mil cores.
Segundo a empresa, os novos tons refletem tendências identificadas pela equipe global do Pantone Color Institute, formada por profissionais que a própria companhia descreve como seus “antropólogos da cor”. O trabalho inclui observar mudanças em comportamento, cultura, moda, design e outros espaços em que novas linguagens visuais começam a aparecer.
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O resultado aponta para uma mudança que já vinha ganhando espaço no design: depois de anos dominados por beges, cinzas, tons terrosos e paletas mais contidas, o maximalismo começa a ocupar mais espaço.
Mas isso não significa simplesmente colocar mais cores em tudo.
Para Laurie Pressman, vice-presidente do Pantone Color Institute, a mudança está ligada a uma busca maior por diferenciação e expressão visual. Em entrevista à Fast Company, ela aponta também para a influência da geração Z, que impulsiona boa parte da cultura da internet e se relaciona com a cor de maneira diferente das gerações acostumadas a paletas neutras.
Em um ambiente digital repleto de imagens, marcas, produtos e conteúdos disputando atenção, as combinações precisam funcionar nas telas e se destacar em meio ao que Pressman chama de um “mar de mesmice”.
Tons associados ao chamado quiet luxury, marcados pela discrição e por escolhas consideradas comercialmente seguras, começam a dividir espaço com cores mais expressivas, saturadas e contrastantes.
QUATRO JEITOS DE USAR MAIS COR
Para mostrar como parte das 224 novas cores pode funcionar em conjunto, a Pantone organizou os tons em quatro paletas. Elas vão de combinações inspiradas em doces e frutas a referências botânicas e misturas que unem nostalgia e futurismo.
1. DESEJO DE PRAZER

Rosas intensos, laranja, azul aquático e verde-pistache aparecem em uma combinação inspirada em frutas maduras, doces e outras experiências ligadas ao prazer. A proposta é lúdica, energética e propositalmente chamativa.
2. DESEJO PELO REQUINTE
A paleta combina tons claros e escuros, como rosa suave, vermelho profundo, cinza e chocolate. Aqui, a saturação aparece ao lado de cores mais densas para criar uma sensação de sofisticação sem recorrer apenas aos neutros tradicionais.

3. OXIGENANTE
Com diferentes verdes e amarelos, a combinação se aproxima do universo botânico. A inspiração passa pela natureza, pelo crescimento e pela sensação de energia e transformação.

Crédito: Divulgação/ Pantone
4. ALÉM DAS FRONTEIRAS
Aqua, roxos e outros tons formam uma paleta que a Pantone descreve como retrô-futurista. As combinações retomam referências visuais do fim dos anos 1980 e dos anos 1990, ao mesmo tempo que evocam tecnologia, ciência e exploração.

Crédito: Divulgação/ Pantone
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MAXIMALISMO JÁ APARECE NO COMPORTAMENTO
A Pantone não é a única a identificar essa mudança. No relatório Pinterest Predicts 2025, baseado na análise de buscas globais em inglês entre setembro de 2022 e agosto de 2024, termos associados a ambientes mais ecléticos e maximalistas já registravam forte crescimento.
As buscas por “eclectic apartment” avançaram 630%. “Vintage maximalism” cresceu 260%, enquanto “eclectic maximalism” teve alta de 215%.
Os dados ajudam a mostrar que a procura por ambientes menos padronizados e combinações mais pessoais vinha aparecendo antes mesmo da nova expansão da Pantone.
Essa estética vai além da decoração. Ela surge também em identidades visuais, moda, embalagens e no design digital, em um momento em que cores mais marcantes podem funcionar como ferramentas de diferenciação.
MAXIMALISMO NÃO É EXCESSO
A mudança mais interessante talvez esteja na forma como a própria Pantone descreve o papel da cor.
Ela deixa de funcionar apenas como decoração para ser tratada como ferramenta de comunicação e expressão de identidade.

Usar mais cores, portanto, não equivale a adicionar elementos aleatoriamente. No maximalismo descrito pela Pantone, o “mais” é intencional: tons vibrantes podem conviver com neutros, estampas diferentes podem aparecer lado a lado e referências de épocas distintas podem ocupar o mesmo espaço.
A diferença está no critério.
Segundo Pressman, existe hoje uma consciência maior sobre o simbolismo associado às cores e sobre as mensagens que cada escolha transmite. Em outras palavras, a cor passa a funcionar também como atitude.
Depois de anos em que a contenção se tornou quase uma regra estética, as novas 224 tonalidades sugerem que designers e marcas talvez estejam procurando justamente o contrário: mais possibilidades para serem reconhecidos em um mundo visual cada vez mais parecido.