Pesquisadores transformam borra de café em material para imprimir estruturas arquitetônicas em 3D

Projeto da Universidade RMIT transforma borra de café em filamento para impressão 3D e explora novas possibilidades para a arquitetura

Escultura com borras de café
Créditos: RMIT University / RMIT

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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A borra de café, geralmente descartada após o preparo da bebida, pode ganhar uma nova função na arquitetura. Pesquisadores da Universidade RMIT, na Austrália, desenvolveram um material biodegradável para impressão 3D que utiliza resíduos de café como matéria-prima.

A proposta busca transformar um resíduo cotidiano em um recurso para projetos arquitetônicos e contribuir para alternativas de construção com menor impacto ambiental.

O projeto, chamado Waste to Form, reúne pesquisadores das áreas de ciência dos materiais, arquitetura e engenharia. 

A equipe transformou borra de café recolhida localmente em um filamento que pode ser utilizado em impressoras 3D convencionais. Depois, usou o material para produzir estruturas arquitetônicas que foram exibidas durante a Semana de Design de Melbourne.

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COMO A BORRA DE CAFÉ VIRA MATERIAL PARA IMPRESSÃO 3D

Liderada pela professora Baohua Jia, da Escola de Ciências da RMIT, e pelo pesquisador Dr. Nic Bao, da Escola de Arquitetura e Design Urbano, a equipe desenvolveu um processo para aproveitar as propriedades do resíduo.

Os pesquisadores processam a borra e a combinam com polímeros biodegradáveis para criar um filamento adequado à impressão 3D. Segundo a RMIT, a presença do café aumenta a resistência do material e confere às peças uma coloração marrom característica e o aroma da bebida.

A iniciativa também explora como a composição e a estrutura do material podem influenciar o desempenho das peças. 

ESTRUTURAS PODEM ABSORVER SOM E AJUDAR NO ISOLAMENTO

As estruturas criadas no projeto apresentam formas curvas e porosas, desenvolvidas com recursos de design computacional e fabricação aditiva. Essas características permitem explorar funções como absorção sonora e isolamento, além de incorporar textura e aroma ao ambiente.

Para os pesquisadores, a combinação entre ciência dos materiais e arquitetura ajuda a relacionar a complexidade das formas ao desempenho das estruturas. O projeto também produziu um demonstrador arquitetônico em escala real, uma etapa importante para avaliar como o material pode sair do laboratório e avançar para aplicações maiores.

A equipe apresentou os resultados na Semana de Design de Melbourne, evento dedicado ao design realizado na cidade australiana. A instalação mostrou como a borra pode deixar de ser apenas um resíduo e passar a integrar a concepção de espaços e objetos.

Foto: RMIT University / RMIT

PROJETO BUSCA NOVAS APLICAÇÕES PARA O RESÍDUO

A pesquisa ainda está em fase de desenvolvimento e não significa que o material já possa substituir produtos convencionais em construções de grande porte. Os pesquisadores pretendem ampliar os testes e buscar parcerias com empresas, cafeterias, fabricantes, designers e profissionais da construção.

A equipe também incorporou o conceito a atividades educacionais de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, para aproximar estudantes dos processos de fabricação e do reaproveitamento de materiais.

Segundo a RMIT, o Waste to Form demonstra uma possibilidade de economia circular: utilizar um resíduo produzido diariamente para desenvolver materiais destinados a novas aplicações. 


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais