Primeiro aparelho da OpenAI pode ser um smart-speaker em forma de donut
Primeiro hardware da empresa, desenvolvido pela LoveFrom, pode ser um alto-falante inteligente sem tela e com câmera

Temos uma nova visão para o próximo grande dispositivo de hardware de IA – e, supostamente, ele vai se parecer muito com um donut.
Detalhes sobre o primeiro dispositivo de hardware da OpenAI, desenvolvido pelo estúdio LoveFrom, de Jony Ive, começam a surgir. Segundo a Bloomberg, o aparelho será um alto-falante inteligente sem tela. Terá o formato de uma rosquinha,mais ou menos do tamanho de um disco de hóquei.
Alimentado por bateria, será feito de metal de alta qualidade e pequeno o suficiente para ser carregado pela casa com uma mão só. O dispositivo terá uma série de grades de alto-falantes, microfones, luzes e um sistema de câmeras que observa o ambiente e envia o que vê para o ChatGPT.
Segundo a reportagem, o alto-falante vai funcionar de forma parecida com o modo de voz do ChatGPT nos aplicativos para smartphones, mas com modelos mais avançados. Mas aqui está a novidade: vai ter peças que se movimentam sozinhas para indicar quando ele está respondendo.
A ideia é dar "personalidade" ao hardware, segundo fontes. O objetivo é fazer com que ele pareça "mais vivo" do que os alto-falantes estáticos atuais.
De acordo com a Bloomberg, esse "computador desenvolvido primeiro para IA" é o primeiro passo de uma família de dispositivos que, algum dia, a empresa espera que possa substituir o smartphone.
O CENÁRIO DOS ALTO-FALANTES INTELIGENTES
Se julgarmos pelo desempenho recente dos alto-falantes inteligentes domésticos, a OpenAI terá uma batalha difícil pela frente.
Como mercado, os alto-falantes inteligentes atingiram seu auge anos atrás e nunca conseguiram evoluir muito além do papel de ajudante na cozinha. As remessas globais ficam em torno de 150 milhões de unidades por ano, aproximadamente um oitavo dos 1,25 bilhão de smartphones enviados anualmente.

E o que as pessoas realmente fazem com esses aparelhos? Ouvem música, perguntam sobre o clima, programam temporizadores e ligam e desligam luzes inteligentes.
As principais categorias de comandos tanto da Alexa quanto do Google Home sempre foram música, buscas simples e controle da internet das coisas (IoT).
Qualquer coisa mais complexa – compras, pagamentos, tarefas de verdade – continua sendo extremamente rara: apenas 5% dos proprietários já fizeram algum pedido de produto por comando de voz.
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O mercado de smartphones que a OpenAI pretende começar a invadir com uma rosquinha que se move é um ecossistema de US$ 1 trilhão usado para tudo, de operações bancárias à produção de filmes.
JÁ VIMOS ESSE FILME
Ainda acredito que a inteligência artificial vai promover a quarta e última revolução das interfaces de usuário. Ao longo de muitas décadas, a tecnologia evoluiu para remover cada vez mais camadas de abstração entre a intenção humana e a ação da máquina.
A primeira foi a linha de comando, que permitiu aos seres humanos controlar computadores por meio de linguagem digitada, depois da era dos cartões perfurados.

A segunda foi a interface gráfica do usuário, que o Macintosh de 1984 usou para derrubar a barreira entre as pessoas e a computação com metáforas de apontar e clicar.
A terceira foi o smartphone, que tornou a interface gráfica universal por meio da manipulação direta com os dedos e de um aplicativo para cada tarefa.
Na quarta, a interface vai desaparecer e a interação será indistinguível de uma conversa com outro ser humano.
Será que essa quarta revolução virá no formato de uma rosquinha? É improvável, mas é impossível dizer antes de vermos do que a rosquinha é realmente capaz.
Ainda assim, vale pensar por um instante na Enterprise, de "Jornada nas Estrelas" (Star Trek). Na espaçonave, as pessoas carregam tricorders (parecidos com nossos celulares) e tablets (esses nós também temos).

Mas ninguém precisa carregar a própria IA. Ninguém a coloca em uma base, recarrega ou leva do quarto para a bancada da cozinha. Ninguém na Enterprise jamais esqueceu sua IA nos próprios aposentos e ficou tentando lembrar onde a havia deixado.
O "Computador" simplesmente está lá, sempre presente, totalmente invisível, incorporado ao próprio ambiente.
E você sabe que está falando com ele porque, primeiro, ele responde e, segundo, seu cérebro tem 100% de certeza de que a IA funciona perfeitamente todas as vezes, ao contrário dos atuais grandes modelos de linguagem.
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Mas "Jornada nas Estrelas" não é a vida real. Na vida real, vamos precisar de etapas intermediárias para chegar ao futuro imaginado pela série.
Não tenho tanta certeza de que um alto-falante inteligente em formato de rosquinha seja o primeiro passo rumo à computação invisível. Mas teremos de esperar até seu lançamento, em 2027, para descobrir.