Primeiro aparelho da OpenAI pode ser um smart-speaker em forma de donut

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Jesus Diaz 4 minutos de leitura
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Temos uma nova visão para o próximo grande dispositivo de hardware de IA — e ele, supostamente, vai se parecer muito com uma rosquinha.

Detalhes sobre o primeiro dispositivo de hardware da OpenAI, desenvolvido pelo estúdio LoveFrom, de Jony Ive, começam a surgir. Segundo a Bloomberg, o aparelho será um alto-falante inteligente sem tela. Terá o formato de uma rosquinha aproximadamente do tamanho de um disco de hóquei.

Alimentado por bateria, será pequeno o suficiente para ser carregado pela casa com uma só mão e feito de metal de alta qualidade. O dispositivo terá uma série de grades de alto-falantes, microfones, luzes e um sistema de câmeras que observa o ambiente e envia o que vê para o ChatGPT.

Segundo a reportagem, o alto-falante funcionará de maneira semelhante ao modo de voz do ChatGPT nos aplicativos para smartphones, mas com modelos mais avançados.

Também terá — e aqui está o novo truque — peças que se movimentam sozinhas para indicar quando ele está respondendo.

A ideia é dar "personalidade" ao hardware, segundo fontes. O objetivo é fazer com que ele pareça "mais vivo" do que os alto-falantes estáticos atuais.

De acordo com a Bloomberg, esse "computador desenvolvido primeiro para IA" é o primeiro passo de uma família de dispositivos que, algum dia, a empresa espera que possa substituir o smartphone.

O cenário dos alto-falantes inteligentes

Se julgarmos pelo desempenho recente dos alto-falantes inteligentes domésticos, a OpenAI terá uma batalha difícil pela frente.

Como mercado, os alto-falantes inteligentes atingiram seu auge anos atrás e nunca conseguiram evoluir muito além do papel de ajudante na cozinha. As remessas globais ficam em torno de 150 milhões de unidades por ano, aproximadamente um oitavo dos 1,25 bilhão de smartphones enviados anualmente.

E o que as pessoas realmente fazem com esses aparelhos?

Ouvem música, perguntam sobre o clima, programam temporizadores e ligam e desligam luzes inteligentes.

As principais categorias de comandos tanto da Alexa quanto do Google Home sempre foram música, buscas simples e controle da internet das coisas (IoT).

Qualquer coisa mais complexa — compras, pagamentos, tarefas de verdade — continua sendo extremamente rara: apenas 5% dos proprietários já fizeram algum pedido de produto por comando de voz.

O mercado de smartphones que a rosquinha da OpenAI pretende começar a invadir com uma rosquinha que se move é um ecossistema de US$ 1 trilhão usado para tudo, de operações bancárias à produção de filmes.

"Marginal" nem sequer começa a descrever a diferença.

Déjà vu

Ainda acredito que a inteligência artificial promoverá a quarta e última revolução das interfaces de usuário.

Ao longo de muitas décadas, a tecnologia evoluiu para remover cada vez mais camadas de abstração entre a intenção humana e a ação da máquina.

A primeira foi a linha de comando, que permitiu aos seres humanos controlar computadores por meio de linguagem digitada, depois da era dos cartões perfurados.

A segunda foi a interface gráfica do usuário (GUI), que o Macintosh de 1984 usou para derrubar a barreira entre as pessoas e a computação com metáforas de apontar e clicar.

A terceira foi o smartphone, que tornou a GUI universal por meio da manipulação direta com os dedos e de um aplicativo para cada tarefa.

Na quarta, a interface desaparecerá, e a interação será indistinguível de uma conversa com outro ser humano.

Será que essa quarta revolução virá no formato de uma rosquinha?

É improvável, mas é impossível dizer antes de vermos do que a rosquinha é realmente capaz.

Ainda assim, vale pensar por um instante na Enterprise, de Star Trek. As pessoas na Enterprise carregam Tricorders (nossos celulares) e tablets (esses nós também temos). Mas ninguém na Enterprise precisa carregar a própria IA.

Ninguém a coloca em uma base, a recarrega ou a leva do criado-mudo para a bancada da cozinha.

Ninguém na Enterprise jamais esqueceu sua IA nos próprios aposentos e ficou tentando lembrar onde a havia deixado.

O "Computador" simplesmente está lá — sempre presente, totalmente invisível, incorporado ao próprio ambiente.

E você sabe que está falando com ele porque, primeiro, ele responde a você e, segundo, seu cérebro tem 100% de certeza de que a IA funciona perfeitamente todas as vezes, ao contrário dos atuais modelos de linguagem de grande escala.

Mas Star Trek não é a vida real e, na vida real, precisaremos de etapas intermediárias para chegar ao futuro imaginado pela série.

Não tenho tanta certeza de que um alto-falante inteligente em formato de rosquinha seja o primeiro passo rumo à computação invisível.

Mas teremos de esperar até seu lançamento, em 2027, para descobrir.


SOBRE O AUTOR

Jesus Diaz fundou o novo Sploid para a Gawker Media depois de sete anos trabalhando no Gizmodo. É diretor criativo, roteirista e produ... saiba mais