POR LAUREN GROPPER

As evidências do aquecimento global são cada vez mais perceptíveis no cotidiano. Para desenvolver ações de impacto social e ambiental, o empreendedorismo sustentável se utiliza cada vez mais de tecnologias arrojadas, além de produtos e serviços inovadores para transformar o mundo.

O mercado global de tecnologias verdes e sustentáveis foi avaliado em US$ 11,2 bilhões no ano passado, e deve saltar para US$ 36,6 bilhões em 2025. As tendências otimistas para indústrias focadas em preservação ambiental são atraentes do ponto de vista da lucratividade, entretanto, fundar uma empresa no setor é o oposto de presumir lucro rápido.

A essa altura, já houve um aumento suficiente na conscientização dos consumidores para que as tendências mudem rapidamente. Estar inserido no mercado de sustentabilidade é trabalhar com padrões constantemente elevados, e aí vão algumas dicas preciosas. 

ACERTE O TIMING

Diversas empresas esperam conquistar sua participação no mercado antes que ele fique muito saturado, mas chegar muito cedo também tem suas desvantagens. Marcas pioneiras demandam tempo, energia e orçamento — às vezes imprevisíveis — para acostumar e fidelizar seus clientes a materiais inovadores. A tecnologia por trás da formação do produto é um desafio à parte, já que não pára nunca de evoluir. 

Uma pesquisa detalhada do mercado é essencial para determinar se ele está pronto (ou pode estar pronto em breve) para receber o seu produto.Trazer inovação a uma categoria, depende do conhecimento dos clientes em potencial. Muitas vezes, o consumidor nem mesmo sabe que este produto ou serviço poderia existir, e a preparação exige um investimento significativo.

PENSE EM SISTEMAS COMPLETOS, NÃO SOLUÇÕES INDIVIDUAIS

Integrar o mercado no momento certo é crucial, porém, impossível sem saber como. Olhando para o fast fashion, por exemplo, a ascensão dessa indústria não aconteceria sem o poliéster, que hoje é usado em cerca de 60% das nossas roupas. O problema são os combustíveis fósseis utilizados na produção do material. As emissões de CO2 para roupas de poliéster são quase três vezes maiores do que para o algodão, e esta é uma das razões pela qual a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo.

Algo precisa mudar, e várias empresas — de grandes a pequenas produções — usam abordagens diferentes, inovando no produto em si com materiais melhores e mais sustentáveis. Isso é ótimo, mas o custo é repassado para o consumidor. Startups como Rent The Runway, ThredUp e Poshmark têm modelos de negócio projetados para inovar todo o sistema de compra de roupas, não propriamente as peças. De maneira objetiva, é um conceito eficaz para mudar não apenas o hábito de consumo, mas também para estimular o consumidor a repensar o sistema de distribuição e venda.

Quando se trata de sustentabilidade em particular, mudar um padrão de comportamento e interromper um modelo pode não ser exatamente uma opção reutilizável. Muitas vezes, a conveniência e a necessidade envolvem imaginar novas soluções para que os próprios consumidores revisem suas escolhas insustentáveis.

Desenvolver produtos de base orgânica, pensar em um quadro mais amplo e raciocinar sobre uso e descarte de resíduos, certamente será a próxima onda de negócios sustentáveis em direção a um modelo econômico verdadeiramente circular.

PERFEIÇÃO É INIMIGA DA SUSTENTABILIDADE

Ao inovar em sustentabilidade, é preciso abrir mão da tentativa de perfeição. Neste setor, os empreendedores geralmente se sentem compelidos a revisar os resultados a cada momento em vez de aprender e iterar à medida que avança com seu produto no mercado. Da fabricação e impacto no marketing e na embalagem, este é um mundo onde nunca se pode fazer o suficiente. A tecnologia e a legislação estão mudando rapidamente e ninguém quer ficar preso a um sistema que pode ser facilmente substituído ou restringido em cinco anos.

Como qualquer produto ou indústria, existem muitas empresas que pegam atalhos e não fazem o que falam. Sustentabilidade é um jogo longo e imperfeito em que os empreendedores podem ir mais longe ouvindo, aprendendo e educando, além de assumir a responsabilidade tanto pela qualidade do produto quanto pelas práticas dos clientes.

O design e a tecnologia sustentáveis são uma indústria enorme e complexa, e o aquecimento global é uma questão crítica. No final das contas, tenha consciência de que nenhum produto ou marca é a solução, mas sim uma pequena parte essencial dela.

SOBRE A AUTORA

Lauren Gropper é fundadora e CEO da Repurpose.