A maior parte das empresas brasileiras não está preparada para reagir a ataques cibernéticos em larga escala. Quem assume essa vulnerabilidade são os próprios funcionários das companhias consultadas pelo Barômetro da Segurança Digital 2021, estudo realizado pela Mastercard e o Instituto Datafolha, divulgado nesta terça-feira, 1.

“De acordo com os entrevistados, o uso de contas pessoais de e-mail, acesso às redes sociais e navegação na internet são as principais ameaças para a segurança digital”

Os resultados foram obtidos a partir de metodologia qualitativa, por meio de entrevistas telefônicas feitas em todo o Brasil com decisores da área de tecnologia nos setores de saúde, educação, telecomunicações, segurança, seguros, varejo e fintechs de pequeno, médio e grande porte. A amostra total foi de 351 entrevistas.

De acordo com os entrevistados, o tema cibersegurança já é muito discutido, principalmente nos segmentos de tecnologia e telecomunicações e financeiro e seguros, com respectivamente 94% e 87% das companhias afirmando que o tema é muito discutido internamente no setor: seguidos por educação com 57% e os setores de saúde e varejo, ambos com 54%.

A maioria das empresas considera não estar preparada para reagir a um ataque ou fraude cibernético. Apenas 24% afirmaram que estariam. Nessa questão, os setores de saúde e educação se mostraram os mais vulneráveis com apenas 18% e 19% respectivamente afirmando que estariam. Enquanto o financeiro e seguros, tecnologia e telecom, com 23% e 54% respectivamente se mostraram os mais preparados.

“Para a maioria das empresas consultadas, a Lei Geral de Proteção de Dados possui mais vantangens do que prejuízos para consumidores e as próprias companhias”

Estanislau Bassols, general manager da Mastercard no Brasil, explica que nunca foi tão necessário o investimento em segurança cibernética em função do contexto atual de digitalização e a mudança do modelo de trabalho das empresas. “São criados, diariamente, cerca de 100 novos esquemas de fraude. Não são fraudes, são esquemas. Ou seja, é um ritmo exponencial de crescimento que afeta diretamente as empresas”, destaca. O executivo reforça que, atualmente, empresas não são mais células individuais, mas funcionam cada vez mais como um ecossistema integrado a uma série de outras empresas e ecossistemas.

MELHORES PRÁTICAS DE CIBERSEGURANÇA

Quando questionadas sobre melhores práticas para segurança cibernética, 78% das empresas indicam a existência de um profissional de TI dedicado. Somente 32% admitem que possuem uma área própria. Do total, 57% das companhias afirmam que já foram alvos de ataque cibernético. Quando o tema é o benefício que os investimentos em cibersegurança trazem para a empresa, 46% apontam confiança para a gestão do negócio, 28% sinalizam credibilidade diante de parceiros, 20% destacam a transformação para expansão em novas áreas de negócios e outros 17% reforçam o papel para agilizar processos.

“Nossa conclusão é que o tema de cibersegurança é importante para os consumidores e as empresas enxergam a importância que ele possue. No entanto, elas admitem a vulnerabilidade e dificuldades que ainda possuem. No topo da lista de desafios, está a busca por profissionais qualificados”, sinaliza Bassols.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil