POR ARIANNE COHEN

Estamos todos colados no Zoom há um ano, fazendo um esforço para imitar as reuniões presenciais. Mas sabia que a plataforma não é melhor forma de fazer isso?

Pesquisadores da Carnegie Mellon University estudaram a eficácia da colaboração e dos esforços de grupos em calls de vídeo e de áudio, e ficaram surpresos com o que descobriram: videconferências dificultaram a colaboração em grupo e a resolução de problemas.

“Descobrimos que as conferências de vídeo podem reduzir a inteligência coletiva”, afirma a coautora Anita Williams Wooley, professora associada de comportamento organizacional da Carnegie Mellon’s Tepper School of Business. “Isso acontece porque leva a uma contribuição desigual para a conversa e causa uma disrupção de sincronia vocal. Nosso estudo acentua a importância do áudio, que fica comprometido no vídeo.”

As constatações dela foram publicadas na PLoS ONe e incluem a frase: “nossas descobertas questionam a necessidade do vídeo.”

De acordo com a pesquisa, o áudio é crucial para o sucesso das tarefas – mais do que rostos bonitinhos. No rastreamento facial e de discurso (entonação, tom, ritmo, etc) de 99 duplas tentando completar seis tarefas, os pesquisadores descobriram que o vídeo não apenas impacta a inteligência de grupo, como também reduz a sincronia de áudio e baixa a capacidade de a dupla se alternar. Isso impacta a troca igualitária e fere a inteligência coletiva. Com certeza você já passou por isso: uma reunião pelo Zoom na qual você se senta e deixa outra pessoa liderar a apresentação. Por telefone, o mesmo comportamento seria estranho, então você precisa falar.

O recado aqui é que você deveria se perguntar se o Zoom é ou não o melhor formato para algumas reuniões. É apenas o primórdio das pesquisas sobre videoconferências, e esse estudo se limita a analisar a inteligência coletiva por meio de expressões audiovisuais, e não reuniões com a equipe toda ou chats one-on-one entre colaborador e chefe, ou então sua sessão de terapia – muitas questões ainda não foram aprofundadas.

SOBRE A AUTORA

Arianne Cohen é jornalista e escritora.