Criatividade, impacto e tecnologia: quem levará o Leão de 2026?

Criatividade, IA, confiança, ESG e impacto nos negócios. Estes são os temas que executivos de empresas como Natura, Heineken, Bradesco, TIM e BYD acreditam que definirão o Cannes Lions 2026.

Cannes Lions 2026: especial da Fast Company Brasil reúne perspectivas de 20 líderes de marketing, publicidade e branding sobre as tendências do festival.
Especial Cannes Lions 2026: Fast Company Brasil ouviu 20 lideranças de agências e marcas para entender os temas que devem dominar o festival este ano.

Erlana Castro 6 minutos de leitura

A Fast Company Brasil ouviu 20 lideranças do marketing e da publicidade, entre CEOs de agências, diretores de criação, heads de estratégia e CMOs de alguns dos maiores anunciantes do país. O objetivo foi entender, a partir dessas vozes, o que Cannes Lions 2026 realmente representa para a indústria e quais movimentos, tensões e discussões devem definir esta edição.

Confira aqui a cobertura completa do Cannes Lions 2026

O Cannes Lions é considerado o principal festival global de criatividade, marketing, publicidade e comunicação. Em 2026, o evento entra na sua 73ª edição e acontece em um momento em que a indústria tenta equilibrar inteligência artificial, construção de marca, performance e impacto nos negócios. Para entender quais temas devem dominar as discussões deste ano, a Fast Company Brasil ouviu 20 lideranças do mercado brasileiro.

O que emerge é um retrato claro. Agências e anunciantes chegam ao festival com perspectivas à primeira vista diferentes, mas convergentes e complementares, desenhando juntas um mapa conciso do que será valorizado em 2026. O festival acontece dos dias 22 de junho a 26 de junho de 2026, no sul da França.

Do lado das agências, há uma convicção unânime: a criatividade foi, é e será sempre o centro do festival. Elas chegam a Cannes defendendo que coragem criativa, visão estratégica e sistemas de marca são os verdadeiros diferenciais num mundo onde a execução virou commodity.

Os anunciantes, como Natura, Heineken, Boticário, TIM, Bradesco e BYD, ampliam e aterrissam esse olhar sobre a criatividade diretamente no negócio. Para eles, Cannes Lions 2026 é o festival que precisa validar o impacto real que essa criatividade traz. Em outras palavras, a criatividade é meio, não fim.

No fundo, agências e anunciantes estão dizendo exatamente a mesma coisa, porém a partir de pontos diferentes da cadeia produtiva. O produto final das agências é criativo. E essa entrega criativa, para os anunciantes, é meio. E ninguém duvida do valor da criatividade.

IA, CONFIANÇA E BRANDFORMANCE: EXPECTATIVAS PARA CANNES LIONS 2026

Outra ideia que atravessa todas as entrevistas, e marca presença em ambos os lados, é confiança. Confiança como ativo estratégico de marca, como critério de escolha e como diferencial competitivo.

Ainda no campo das grandes convergências, o entendimento de que performance e marca não estão em oposição finalmente se consolida para todas as lideranças entrevistadas. Está claro que uma não vive sem a outra. Performance captura demanda. Marca cria demanda. O nome do jogo é “brandformance”.

Que na edição do Cannes Lions 2026 cada Leão atribuído seja evidência inconteste de que nenhuma máquina pode substituir o talento humano que fundou essa indústria: a criatividade.

A discussão sobre IA aparece com força, paixão e maturidade criativa. As lideranças de agências e anunciantes não temem a tecnologia. Temem o seu uso indiscriminado, irresponsável e homogeneizante. A inteligência artificial é inevitável, por isso repertório, julgamento e sensibilidade cultural voltam ao centro da conversa.

E a sustentabilidade? Segundo os anunciantes, Cannes Lions 2026 não vai premiar quem fala de impacto. Vai premiar quem prova impacto. Não há mais espaço para espuma, greenwashing ou propósito vazio. O ESG aparece integrado à criatividade pela via da coragem de assumir posição, de criar impacto real na vida das pessoas a partir de um negócio, de uma marca, de uma ideia. 

No geral, o que as lideranças entrevistadas esperam ver este ano pode ser resumido assim:

  • IA tratada como infraestrutura, não espetáculo.
  • Marcas avaliadas por consistência, não por uma campanha isolada.
  • Criatividade julgada pelo impacto cultural, social e econômico.
  • ESG como parte da big idea.
  • Discussões profundas sobre confiança, ética e governança.
  • A ascensão de sistemas de marca, comunidades e territórios culturais próprios.
  • A volta da coragem criativa, agora com responsabilidade e consequência.

20 VOZES PARA ENTENDER CANNES LIONS 2026

Tatiana Ponce, CMO e Head de Inovação da Natura  

“É importante que não viremos agentes passivos de um algoritmo. Não há prompt para criatividade.”

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Cecilia Bottai, CMO Grupo HEINEKEN Brasil 

“A tecnologia elevou a régua da execução, mas a diferenciação continua vindo da ideia.”

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Carol Boccia, CEO da LOLA\​TBWA  

“A tecnologia é excelente para encontrar respostas. A criatividade continua sendo essencial para formular as perguntas certas.”

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Marcela de Masi, diretora executiva de branding e comunicação do Grupo Boticário  

“Marcas fortes precisam performar, mas também precisam significar.”

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Gabriela Borges, CEO da Publicis Brasil  

“A criatividade relevante continua sendo humana, nasce da cultura, do repertório e da sensibilidade.”

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Daniela Graicar, CEO da PROS  

“O valor das marcas será cada vez mais determinado pela capacidade de construir confiança e ocupar um papel relevante na cultura e na sociedade.”

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Fabiana Schaeffer, fundadora e CEO da Netza&CO  

“A confiança será o ativo mais valioso das marcas no futuro.”

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Dilma Campos, copresidente da Mark Up  

“A IA é uma grande multiplicadora, mas só para quem tem repertório. Para quem não tem direção, ela apenas acelera o vazio.”

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Rafaela Alves, CMDMO da AlmapBBDO  

“Existe uma falsa dicotomia entre criatividade e resultado. Performance captura demanda existente e branding cria demanda futura.”

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Brisa Vicente, CO-CEO da Droga5 SP  

“Buzz sem business vira ruído. Business sem buzz não converte.”

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Carolina Buzzetto, CEO da WPP Media  

“Sempre soubemos transformar restrição em criatividade. Agora, precisamos transformar abundância tecnológica em significado.”

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Erh Ray, fundador e chairman da BETC HAVAS  

“Na era da inteligência artificial, repertório virou o novo currículo.”

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Vinícius Reis, sócio e CEO da Crispin Brasil  

“A IA pode nos ajudar a chegar mais rápido a uma solução, mas não necessariamente à melhor solução.”


Daniel Rios, vice-presidente da WE  

“O modelo antigo de silos ficou lento demais. Criação, planejamento, mídia e dados estão juntos desde o briefing e a IA é um fio que conecta tudo.”


Thiago Baron, fundador e CCO da DOJO  

“Creator não é estratégia. É distribuição. Marca que terceiriza ponto de vista não tem marca, tem contrato de aluguel de audiência.”

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Rafa Caldeira, fundador e CCO da 404 Innovation Studio  

“O trabalho extraordinário nunca foi tão necessário, e nunca foi tão fácil distingui-lo do resto.”


Marcos Lacerda, vice-presidente de Marca e Comunicação da TIM Brasil

“As tecnologias vão mudar. Os canais vão mudar. Os agentes vão mudar. A necessidade humana de confiar continuará exatamente no mesmo lugar.”

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Pablo Toledo, diretor de branding e comunicação da BYD Brasil  

“A credibilidade dos carros da BYD foi construída no banco de trás de um Dolphin ouvindo o motorista de Uber que mudou de vida.”


Tiago Trindade, sócio, cofundador e CCO do Digital Favela  

“O futuro da criatividade está na combinação entre Inteligência Artificial e Inteligência de Rua.”

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José Lilla, Head de Comunicação e executivo de marketing do Bradesco

“O maior risco é se apaixonar tanto pela tecnologia, pelos formatos e plataformas a ponto de esquecer a essência: entender pessoas.”

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SOBRE A AUTORA

Erlana Castro é palestrante internacional, autora, pesquisadora independente e professora convidada da Fundação Dom Cabral, fundadora ... saiba mais