Dario Calmese propõe hackear o design do mundo

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“Libertar o design” foi a ideia proposta pelo artista, diretor, escritor, consultor de marca, fotógrafo, designer e psicólogo Dario Calmese em sua estreia no SXSW. Ele foi o primeiro profissional negro a fotografar uma capa na centenária “Vanity Fair”, em 2020 –.a modelo era a atriz Viola Davis. Um trabalho repleto de simbolismos (procure saber a representatividade da cor índigo usada na capa). 

A ideia de hackear o design do mundo, como ele costuma dizer, faz sentido porque o design é um sistema de ideias criadas por pessoas. Tudo o que se apresenta foi inventado, construído por alguém.Sua sugestão é o hackeamento dos sistemas, o redesign do mundo, para torná-lo mais inclusivo. 

Por isso e para aprofundar essa ideia, Calmese criou o “The Institute of Black Imagination” (Instituto da Imaginação Negra), além de um site e um podcast. Por meio deles, o artista apresenta a genialidade negra, com a intenção de estimular a imaginação e promover o conhecimento. E a ajudar novas gerações a encontrarem a si mesmas – um caminho que ele próprio trilhou. 

Calmese se considera um storyteller, que usa todas as mídias disponíveis. A fotografia é uma delas.

“O design determinou lugares onde meu corpo pode estar, ou não. Determinou o meu valor. Determinou o que significa ser homem, ou ser mulher. São ideias, construções, não construídas levando em consideração a minha existência. O mundo foi desenhado negligenciando a minha história. Vamos falar a verdade, o design do mundo atual tem funcionado? Basta olhar os problemas que enfrentamos, em várias frentes. E são só ideias. Podemos mudá-las. Se não as questionarmos, as perpetuamos”, diz.

Ele colaborou, por exemplo, com a Creative Cloud da Adobe para criar um conjunto de tons que melhor retratasse a pele negra e marrom. Também dirigiu desfiles de moda, como o de Pyer Moss, no ano passado, inserindo no show um coral gospel, referência muito forte na sua infância (o pai é pastor).

O DESIGN DO MUNDO ATUAL TEM FUNCIONADO? BASTA OLHAR OS PROBLEMAS QUE ENFRENTAMOS, EM VÁRIAS FRENTES.

Ao longo de sua vida, leu muito e herdou uma coleção de cerca de 2 mil livros do ator, dançarino, músico e artista Geoffrey Holder, que o inspirou a criar o The Institute of Black Imagination. Uma das obras que mudou sua vida foi “Pedagogia do Oprimido”, de Paulo Freire.

“Ele me fez repensar tudo ao propor que o ônus da libertação é do oprimido, e não do opressor. Porque somente com a força construída ao ser oprimido temos o poder de libertar a todos”, concluiu.


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