Invisibly lança app que permite trocar dados pessoais por conteúdo premium

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As redes sociais se tornaram a principal forma de acesso a conteúdo jornalístico. Em vez de entrar na página de um site de notícias, a maioria clica nos links que aparecem em seus feeds no Facebook, Instagram ou Twitter.

Em alguns casos, a pessoa dá de cara com uma barreira, o famoso paywall, que só permite o acesso a pagantes. Na maioria das vezes, dá para ler de graça, mas tendo, obrigatoriamente, que ver os anúncios que acompanham o conteúdo. Afinal, não existe almoço – nem conteúdo – grátis.

A ideia da Invisibly é resolver os dois problemas de uma vez: você escolhe o que quer ler/ ver/ouvir, sem algoritmos para filtrar as opções em seu lugar. E “paga” por isso compartilhando seus dados pessoais – aqueles que quiser compartilhar, quando e com quem quiser.

“A visualização de um anúncio vale poucos cents. Mas você pode aumentar esse valor fornecendo dados pessoais mais completos, além dos tradicionais sexo, idade, localização. Essa visualização vai valer mais porque, com os dados compartilhados, o anunciante poderá traçar um perfil mais completo do seu comportamento de consumo”, explicou Jim McKelvey, fundador do Invisibly, neste sábado (dia 12).

O Invisibly é um feed de notícias “inteligente”, com o qual se pode montar uma lista dos conteúdos que mais interessam, ganhar pontos e escolher os artigos que se quer ler. Funciona assim: o usuário baixa o aplicativo, conecta suas contas em redes sociais e define suas preferências.

ACREDITO QUE AS PESSOAS DEVEM TER O DIREITO E A POSSIBILIDADE DE COMPARTILHAR SEUS DADOS PESSOAIS COM QUEM ELAS QUISEREM.

A partir daí, passa a juntar pontos ao compartilhar seus dados, responder pesquisas, indicar amigos e assim por diante. Esses pontos são usados em pagamento por acesso a conteúdo premium de grandes publicações, à escolha do usuário. O conteúdo é atualizado diariamente.

“Acredito que as pessoas devem ter o direito e a possibilidade de compartilhar seus dados pessoais com quem quiserem”, afirmou McKelvey, que é cofundador da plataforma de pagamentos Square e tem como investidor no projeto ninguém menos que Peter Thiel, um dos fundadores do PayPal.

O que a Invisibly faz é compartilhar a recompensa pelo uso de dados pessoais com o dono dos dados, de uma forma bem prática. Seu lema é: “Não somos donos dos seus dados. Você é”. Mas o objetivo, como explicitou McKelvey, é que as pessoas possam trocar seus dados pelo que quiserem – no caso, por conteúdo que tenham escolhido livremente, sem a interferência dos algoritmos de redes sociais.

“Se você está contente com o que as redes sociais entregam, continue. Mas aposto que há muita gente disposta a tentar uma coisa diferente. E, quanto mais pessoas conseguirmos atrair, mais os anunciantes estarão dispostos a pagar pelos dados”, afirma o idealizador do projeto.

“Acredito em um novo modelo (de distribuição e consumo de notícias), mas a única forma de descobrir se vai funcionar é lançando o serviço e vendo a reação das pessoas. Não sabemos se vai dar certo, é um experimento. Se não der, paciência. É só voltar para o feed do Facebook”, ironiza.


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