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      EVENTO LEVOU MAIS DE MIL PESSOAS PARA O CUBO E DISCUTIU O CENÁRIO PARA INOVAÇÃO NO BRASIL

      Com a casa cheia, o Cubo Conecta 2022 voltou ao presencial e recebeu mais de mil pessoas no espaço físico do Cubo, em São Paulo. O dia foi marcado por palestras e discussões sobre o futuro e o presente do ecossistema de inovação brasileiro. Um dos fios condutores das conversas foi o cenário atual para startups crescerem e como fomentar melhores empreendedores num ambiente adverso.

      “O capital de risco está aí, mas está mais caro. Acredito que os investidores não fugiram, mas vão ser mais diligentes e mais analíticos. O valuation das startups será menor. O dinheiro não vai mais aceitar desaforo. No entanto, bons empreendedores resolvendo problemas reais da humanidade sempre terão acesso a capital”, disse Paulo Costa, CEO do Cubo Itaú.

      Na opinião de Costa, num cenário como esse, espaços como o Cubo e como o Cubo Conecta se tornam essenciais, já que eles contam com “trocas mais estruturais” e faz com que o relacionamento se reflita em negócios para startups e para grandes empresas. “Estamos vendo retorno de eventos e momentos de conexão. As pessoas querem sair de casa com um motivo”, disse Costa. O executivo comentou que o hub de fomento a startups do Itaú Unibanco já vê lotação próxima do patamar pré-pandemia.

      Para refletir essa diversidade de ligações entre startups, o Cubo levou para o evento também plenárias específicas sobre as vertentes de tecnologia dos principais setores do mercado: ESG, Agro, Logística, Varejo, Mobilidade, Finanças, Educação, Saúde e Marítimo & Portuário.


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      Antes de pintar o cenário para a inovação, foi feita uma análise da cena econômica mundial. O CEO do Itaú Unibanco, Milton Maluhy Filho, falou sobre o momento de inflação em alta e juros seguindo o caminho pelo mundo. “Estamos passando por um ciclo de aperto monetário, o aumento da taxa de juros está forte e vai continuar sendo assim no próximo ano. Não só no Brasil, mas no mundo todo”, disse Maluhy.

      Tal movimento macroeconômico vai resultar em crescimento econômico menor no ano que vem, principalmente nos Estados Unidos e na Europa. Em outras palavras, o olhar de investidores e do mercado em geral vai ficar mais criterioso para as startups e isso vai exigir “mais criatividade, inovação e pragmatismo” dos empreendedores. “Todas as empresas, pequenas ou grandes, vão precisar fazer a lição de casa. Mas isso é bom, porque a adversidade ajuda a gente a fazer o nosso negócio melhor”, disse o CEO do Itaú Unibanco. “A maioria das empresas de tecnologia de muito sucesso foram criadas ou cresceram logo após ciclos como esse que estamos agora”, acrescentou Anderson Thees, venture capitalist do Itaú Unibanco. 

      Embora o ecossistema brasileiro tenha crescido nos últimos 10 anos, a ponto de cinco a cada seis investidos da Kinea Funds ser empreendedor na segunda ou terceira empreitada, os fundos de Venture Capital veem espaço para as startups do país atingirem mais maturidade. Tendo em vista a redução da liquidez mundial, a ‘lição de casa’ dos empreendedores nacionais precisa passar pela eficiência operacional. E esse foi o tema do segundo painel do Itaú Conecta.

      “Todo mundo [do VC]  ficou mais exigente, olham mais para relação de crescimento, da eficiência do crescimento das startups. Uma das questões que coloco é a importância das startups terem mais paciência. Se não está no momento de turbinar e levantar dinheiro para crescer rápido e de forma eficiente, melhor não ir atrás do dinheiro. Espera”, comentou Laura Constantini , sócia e cofundadora da Astella.

      Na opinião de Philippe Schlumpf, head de VC da Kinea, é tudo uma questão de caixa. “Se a empresa não tem caixa, é preciso ser crítico e duro. Os fundadores precisam ter noção de quanto tem em caixa, que tipo de conforto conseguem ter no crescimento, se estão perto ou não do breakeven”, disse Schlumpf. O ponto de equilíbrio entre receita e custo da empresa se tornou um indicador chave para os fundos de VC. “Antes breakeven era palavrão, mas a disciplina está voltando. Hoje em dia, digo que o breakeven é a liberdade do fundador”, disse Patrick Arippol, cofundador e sócio da Alexia Ventures.

      Outras lições que os líderes dos fundos de VC deram durante a palestra foram: focar nos fundamentos econômicos, apostar em modelos de receita recorrente e em plataformas verticais. “O ajuste será necessário, mas acredito que não tem como segurar a inovação”, disse Airpol.

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      Para encontrar criatividade nas operações e nos produtos, as startups precisam olhar para as pessoas, e não apenas para os usuários. A mudança do modelo customer centric para o “people centric” foi tema do terceiro painel do Cubo Conecta 2022. “Não basta personalizar, mas é preciso humanizar”, disse o CCO para a América Latina da Accenture Song, Eco Moliterno.

      Humanizar, na visão de Moliterno, é “colocar o impacto na sociedade e na vida das pessoas” no centro da estratégia da criação do produto. Ou seja, pensar não só em como a pessoa usa o produto, mas em como ele vive, como ele experimenta o mundo. Isso expande o horizonte da antiga “jornada do cliente” e dá à marca a capacidade de estar presente em mais momentos da vida das pessoas. Como resultado, as empresas serão um misto de entregas de produtos e serviços. “Terá que trazer um valor de volta para as pessoas em troca do tempo”, disse Moliterno.

      “Se o futuro é people centric, o universo de dados se tornou ainda mais importante. Mensurar informações mais subjetivas será necessário. Ficar só no NPS não vai dar as ideias que podem nos diferenciar”, falou Mônica Magalhães, especialista em Inovação Disruptiva. Mas os dados, diz Eco, não devem ser olhados sem pensar no ser humano no centro. “O olho por olho vai ganhar mais peso no digital, porque boa experiência já é commodity”, pontuou o executivo da Accenture Song.

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      A palestra que fechou o Cubo Conecta 2022 trouxe uma dose de energia e de emoção para a audiência. No palco, Geraldo Rufino, fundador da JR Diesel, falou com muito bom humor e sinceridade sobre as lições que aprendeu na jornada que o levou de catar latinhas nos lixões a construir a maior empresa da América Latina de reciclagem e desmontagem de veículos.

      “As pessoas fazem o negócio, é preciso entender as pessoas”, disse Ruffino. O executivo, que também já publicou dois livros sobre sua trajetória, diz que tudo começa nos valores. E a resposta pode estar dentro de casa. “É preciso começar a ouvir a diretoria que você tem dentro de casa: a sua mãe. Ela é a melhor mentora que você terá”, aconselhou Ruffino. Por detrás dessa ação está a humildade de compreender que todos devem ser escutados com atenção e carinho.

      “Ninguém é mais ou menos inteligente que ninguém. Nascemos com o potencial, somos locomotiva”, falou Ruffino. Recomeçar e agradecer são tarefas diárias e que estão ao alcance de todos. “Esse é o novo normal, a humanização. Não importa o tamanho das empresas, o tamanho dos times, a força vem das pessoas. E de dentro de cada um de nós”, afirmou o executivo.


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