2036: quando o carro se torna um agente econômico
O futuro não será definido apenas pela autonomia da mobilidade, mas pela autonomia econômica do próprio automóvel

Durante mais de um século, a indústria automotiva foi construída sobre uma lógica linear e relativamente simples: fabricar um carro, vendê-lo, financiá-lo e, alguns anos depois, substituí-lo por outro.
A próxima década pode quebrar essa lógica.
Não porque os carros serão elétricos. Isso já está acontecendo. Nem porque terão inteligência artificial, estarão permanentemente conectados ou serão capazes de dirigir sozinhos.
Tudo isso importa, mas talvez estejamos confundindo as tecnologias da transformação com a transformação em si.
A mudança mais profunda será econômica: o carro deixará de ser apenas um produto ou um bem financiado para se tornar um agente econômico, capaz de produzir renda e movimentar uma nova cadeia de valor.

Talvez estejamos diante do renascimento do automóvel como ativo produtivo: não apenas propriedade, mas um bem capaz de gerar valor ao longo de sua própria vida.
Imagine um veículo em 2036. Ele conhece seu estado mecânico, seu valor de mercado, seu custo por quilômetro, sua demanda potencial e sua capacidade de gerar receita.
Isso abre espaço até para uma nova forma de precificar um automóvel. Hoje, índices como a FIPE nos ajudam a responder quanto um carro vale. Amanhã, talvez precisemos também responder quanto esse carro é capaz de produzir.
Seu valor deixa de depender apenas de marca, ano, quilometragem e estado de conservação. Passa a incorporar sua capacidade futura de gerar renda.
Esse carro pode transportar seu proprietário pela manhã, trabalhar algumas horas durante o dia, realizar uma entrega, recarregar quando a energia estiver mais barata e antecipar uma manutenção antes que ela se torne um problema.
A indústria, que historicamente monetizou a transação, passará a disputar a vida econômica do veículo.
Hoje, um carro passa grande parte do tempo parado. Dados do Departamento de Energia dos Estados Unidos (de 2022) mostram que veículos domésticos ficaram estacionados 95% de um dia normal.
Em 2036, parte desse tempo ocioso pode se transformar em produtividade.
O carro passa a trabalhar. E isso altera uma das equações mais antigas da indústria. Em vez de apenas perder valor ao longo da vida, o carro passa a ser também um ativo capaz de gerar renda.
No Brasil, veículos perderam, em média, 12% do valor no primeiro ano, segundo o Melhor Revenda 2026, da “Quatro Rodas”. Amanhã, a pergunta será quanto dessa depreciação o próprio carro conseguirá compensar em operação.
Quando isso acontece, possuir e usar um carro deixam de ser necessariamente a mesma coisa. E toda a economia construída ao redor do automóvel começa a mudar.
Hoje, financiamos principalmente uma pessoa comprando um ativo. Amanhã poderemos financiar também a capacidade futura desse ativo de produzir valor.

Um veículo capaz de gerar receita tem outro risco, outro valor residual e outra lógica de crédito. O seguro deixa de olhar apenas para o motorista. A manutenção deixa de ser episódica. Energia entra na equação econômica.
O preço do carro deixa de ser uma fotografia tirada no momento da compra para se tornar uma variável dinâmica durante toda a sua existência. O próprio veículo começa a construir uma espécie de identidade econômica.
Cada evento alimenta o próximo. Pela primeira vez, talvez seja possível enxergar a vida inteira de um veículo como uma única jornada econômica.
Isso muda também quem captura valor nessa indústria.
Durante décadas, cada parte ganhou dinheiro em uma etapa diferente da jornada: montadoras produzindo carros, bancos financiando, seguradoras protegendo, concessionárias e lojistas vendendo, oficinas reparando e, mais recentemente, aplicativos transformando esses veículos em novas formas de mobilidade. Essas fronteiras começam a desaparecer.
A indústria, que historicamente monetizou a transação, passará a disputar a vida econômica do veículo.
No Brasil, veículos perderam, em média, 12% do valor no primeiro ano, segundo a “Quatro Rodas”.
O que antes fazia um Onix ou HB20 ser desejado – preço, pacote, economia e bom valor de revenda – pode ganhar uma nova dimensão. Um carro poderá ser escolhido também por ser bom para usar, alugar, gerar renda e, depois, revender. É aí que acredito que nasce a próxima grande revolução da mobilidade.
Ela não será apenas mais um hub, uma montadora, um banco, uma concessionária, um marketplace ou um aplicativo de transporte. Será a infraestrutura capaz de conectar pessoas, veículos, capital, energia e serviços em tempo real.
Em 2026, essa transformação começa de uma forma muito mais simples: a IA se torna o amigo especialista que ajuda o consumidor a escolher. Segundo a Cox Automotive, 63% dos consumidores afirmam que provavelmente ou definitivamente usarão IA na próxima compra.
É um primeiro passo importante, uma ponte para 2036, quando a inteligência deixa de estar apenas dentro do veículo e começa a participar das decisões econômicas ao redor dele.

Na Popmarq, começamos a construir parte dessa nova infraestrutura ao conectar inteligência artificial generativa, consumidores, lojas, crédito e financiamento em uma mesma jornada. O que hoje conecta um ecossistema pode, na próxima década, evoluir para conectar toda a vida econômica do veículo.
O próximo passo não é apenas tornar a compra, a venda ou o financiamento mais inteligentes. É transformar cada veículo em parte de uma rede econômica capaz de gerar valor continuamente.
Talvez a pergunta mais importante sobre o futuro da mobilidade não seja quantos carros serão elétricos, chineses ou autônomos. A pergunta será: o que acontece quando milhões de carros passam a tomar decisões econômicas?
Quando carregar, rodar ou parar. Quanto cobrar. Quando fazer manutenção. Quando refinanciar. Quando trocar de proprietário. Talvez até qual plataforma contratar ou como rentabilizar melhor sua própria capacidade.

O ano de 2036 não será definido apenas pela autonomia da mobilidade, mas pela autonomia econômica do automóvel.
Nesse momento, teremos criado algo muito maior do que o carro autônomo. Teremos criado uma nova classe de ativos com autonomia econômica, conectados à economia em tempo real.
Quando isso acontecer, a maior empresa de mobilidade do mundo talvez não seja aquela que fabrica mais carros. Será aquela capaz de orquestrar a vida econômica de todos eles.
É com os olhos nessa próxima década que a Popmarq começa a escrever um novo capítulo de sua história, ao lado do Bradesco.
Uma oportunidade de ampliar aquilo que nos trouxe até aqui, conectar pessoas, lojas, inteligência e crédito em um único ecossistema e dar mais um passo na construção dessa nova infraestrutura de mobilidade.
O futuro que imaginamos para 2036 começa a ganhar forma no presente.
