Vale a pena aderir ao parcelamento para quitar dívidas?

Com juros altos e orçamento pressionado, parcelar pode ajudar a reorganizar as finanças — mas a decisão exige análise cuidadosa

VALE A PENA ADERIR AO PARCELAMENTO PARA QUITAR DÍVIDAS?
Crédito: Fast Company Brasil

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Parcelar dívidas é uma estratégia para colocar as contas em dia. Em um cenário de orçamento apertado, qualquer respiro nas despesas mensais e ajuste de prazos de pagamento pode ser fundamental para reequilibrar a saúde financeira.

É hora de avaliar contratos, comparar taxas, buscar descontos e reestruturar compromissos financeiros antes que os juros transformem o problema em uma bola de neve.

SELIC ALTA, CRÉDITO MAIS CARO E MAIS DIFÍCIL

Esse movimento se torna ainda mais necessário diante do cenário macroeconômico brasileiro atual. Com a Selic (taxa básica de juros) a 15% ao ano e ainda longe de iniciar o ciclo de cortes, o crédito ficou mais caro e aumentou a pressão sobre o orçamento doméstico.

Dados divulgados pelo Banco Central no final de janeiro mostram que o endividamento das famílias chegou a 49,8% em dezembro de 2025, um aumento de 1,5 ponto percentual comparado ao ano anterior e de 0,5 ponto percentual em relação a novembro do mesmo ano. 

Outro dado alarmante: nos 12 meses, o comprometimento de renda – o percentual da receita mensal da família destinado ao pagamento de dívidas e despesas fixas, como aluguel, condomínio e empréstimos –, avançou 2,2 pontos percentuais, chegando à máxima histórica de 29,3%.

PARCELAR, RENEGOCIAR E PLANEJAR 

Se as contas não fecham e as despesas não param de crescer, comprometendo o caixa da família, é hora de renegociar as dívidas, parcelar conforme os rendimentos mensais.

Também é importante criar um planejamento que inclua todos da família para reduzir as despesas e aumentar a receita.

QUANDO O PARCELAMENTO PODE AJUDAR

O parcelamento é uma das principais alternativas para regularizar a situação financeira. Mas, ele deve ser avaliado com cautela para não comprometer o orçamento familiar de vez.

O parcelamento é recomendado quando: 

  • Substitui dívidas caras: quando é utilizado para substituir dívidas caras, como cartão de crédito e cheque especial, por modalidades com taxas menores pode diminuir o custo total;
  • Concentra as contas em uma só: parcelas fixas ajudam no planejamento mensal;
  • Estabiliza o montante da dívida: quando impede que a dívida continue crescendo com multas e juros por atraso;
  • Oferece descontos ou condições especiais: campanhas de negociação costumam ofertar abatimento no valor total ou prazos ampliados.

Segundo orientações da Serasa, dividir a dívida em parcelas menores torna o pagamento mais acessível e facilita a reorganização financeira, desde que o acordo esteja alinhado à realidade de renda da família.

O QUE AVALIAR ANTES DE FECHAR UM ACORDO

Quem optar pelo parcelamento da dívida deve levar uma série de condições para ver qual condição é mais vantajosa. Antes de aceitar a proposta, é importante verificar:

  • Qual será o valor total pago ao final do contrato;
  • Se houve redução real da taxa de juros;
  • Qual é o valor da parcela e se caberá no orçamento sem comprometer despesas essenciais;
  • Se o prazo de parcelamento vai afetar o orçamento no futuro, caso tenha outra dívida prevista; e
  • Se o contrato prevê amortização antecipada, que pode reduzir juros.

E QUEM ESTÁ INADIMPLENTE?

Se o caso é de inadimplência, é preciso ainda mais dedicação. Algumas medidas podem ajudar a reorganizar as finanças:

1. Mapeie todas as dívidas e o rendimento da família

Coloque tudo no papel, planilha ou um app de planejamento financeiro. Liste uma a uma as suas pendências (e revise para não deixar nada de fora). O mesmo vale para toda a receita da família para ver o quanto é possível pagar por mês sem comprometer as despesas essenciais e a qualidade de vida da família;

2. Envolver a família

O planejamento deve envolver toda a família para dar certo. Chame os filhos para uma conversa franca e envolva todos na nova estrutura do orçamento;

3. Reduzir os gastos

Passe um pente-fino no orçamento: revise assinaturas de streaming, viagens com carros de aplicativo, pedidos de delivery, desperdício nas compras de supermercados, sempre com foco em gastar menos para pagar as dívidas mais rápido; 

4. Evitar novas dívidas

Depois de mapear e ter um papo aberto com a família, é importante estabelecer limites no orçamento para interromper o ciclo de endividamento. Nada de compras desnecessárias e que podem ser adiadas ou apenas são desnecessárias;

5. Priorizar as dívidas mais caras

A renegociação deve começar pelas dívidas com juros mais altos. Aquelas que realmente assustam quando você começa a mapear. Converse com o seu gerente do banco e veja a opção mais barata de crédito para tentar trocar, ainda que exija um prazo de pagamento maior;

6. Buscar renda extra

Trabalhos temporários ou oportunidades de renda extra podem acelerar a quitação. Sabe aquela venda de garagem ou em grupos de desapego com itens como roupas e sapatos que não são usados? É hora de começar a colocar em prática;

7. Procurar ajuda
Procure programas de renegociação de dívidas do governo, Procons e instituições financeiras que ajudam a fechar acordos.


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