As 5 habilidades humanas que a IA não vence
Livro de executivo do LinkedIn defende que curiosidade, criatividade, comunicação e coragem podem valer mais do que habilidades técnicas diante do avanço da IA

Inicialmente, muitos observadores da área de tecnologia acreditaram que os engenheiros de software se tornariam escassos diante da IA. Mas isso não se confirmou — em parte devido ao poder da engenhosidade humana.
“Os engenheiros de software estão passando menos tempo programando”, diz Aneesh Raman, diretor de oportunidades econômicas do LinkedIn, que acaba de publicar o livro Open to Work: How to Get Ahead in the Age of AI (Aberto ao Trabalho: Como se Destacar na Era da IA).
“Mas agora eles estão conseguindo construir coisas de uma maneira que não conseguiam antes. Eles estão conversando com clientes e consumidores. Ou estão pensando nas implicações éticas do que constroem.”
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EMPREGOS NÃO SÃO TÍTULOS
Em seu livro, Raman e seu coautor — Ryan Roslansky, CEO do LinkedIn — argumentam que não adianta tentar vencer a IA em seu próprio jogo e "superar" uma máquina. Em vez disso, os trabalhadores que temem ser substituídos pela IA devem se concentrar naquilo que oferecem e que não pode ser automatizado.
“Um dos principais argumentos que apresentamos no livro é: empregos não são títulos”, diz ele. “São um conjunto de tarefas.” Raman divide essas tarefas em três categorias.
Uma delas inclui as tarefas que você pode automatizar ou simplificar com IA; a segunda categoria pode incluir novas coisas que você pode fazer aproveitando a IA. Mas a categoria mais crucial é a última, que envolve o que é “único em você como ser humano”.
“Ninguém supera você em ser você mesmo”, diz Raman. “Nem mesmo a IA.”
OS CINCO CS DAS HABILIDADES HUMANAS
Segundo Raman, são essas habilidades que têm valor na era da IA. As habilidades interpessoais, muitas vezes subestimadas, ganham nova relevância à medida que a IA reduz o valor da competência técnica.
"Por gerações, valorizamos as habilidades técnicas e analíticas acima de tudo", afirma. "E descrevemos essas habilidades interpessoais — essas habilidades humanas — como 'infantis' de uma forma bastante depreciativa. Essa realidade está prestes a mudar."
Em seu livro, Raman e Roslansky buscaram articular melhor o que constitui habilidades interpessoais, contando com a colaboração de neurocientistas, psicólogos e economistas comportamentais.
Eles chegaram aos cinco Cs (curiosidade, compaixão, criatividade, comunicação e coragem) para capturar as qualidades que a IA “pode nos ajudar a desenvolver, mas não pode nos superar”.
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Raman também quer reformular esses atributos como habilidades que você pode realmente aprimorar com o tempo, em vez de características fixas ou inatas.
"Parte do problema com a forma como pensávamos nessas habilidades não é apenas o fato de termos dito que elas são subjetivas", diz ele. "Também dissemos que muitas delas são talentos, não habilidades — a criatividade é um bom exemplo.
Você pode melhorar em qualquer um desses cinco Cs. Você só precisa praticá-los todos os dias. E sair da sua zona de conforto."
JOVENS FORMADOS TÊM VANTAGENS
A narrativa apocalíptica da IA tem se concentrado fortemente no impacto sobre os trabalhadores de escritório e, especialmente, sobre os recém-formados. Embora todos os tipos de trabalhadores estejam em risco de automação, incluindo aqueles que não possuem diploma de bacharelado, Raman acredita que os graduados estão em uma posição melhor do que a cobertura da mídia pode levá-los a crer.
“Se você está saindo da faculdade, todas as manchetes dizem que a situação atual é terrível”, diz ele.
“Comece pelos seus pontos fortes. Você provavelmente está saindo da faculdade com o maior domínio de IA de qualquer geração. Você teve contato com IA durante os quatro anos da faculdade. Você também está saindo da faculdade com uma mentalidade mais empreendedora. Você conhece a economia gig, os trabalhos extras, a economia criativa. Você não acredita que vai conseguir um emprego em uma única empresa e que isso será tudo. Essas são as duas habilidades mais importantes para qualquer pessoa agora: domínio de IA e empreendedorismo.”
QUEM MAIS PRECISA SE ADAPTAR
Na verdade, ele não considera os graduados universitários os mais vulneráveis neste momento. Ele aponta para as pessoas de seu grupo de pares — a geração de trabalhadores que se apoiou em caminhos tradicionais para o sucesso, seja um diploma universitário ou a ascensão na hierarquia de uma empresa.
"As pessoas que mais me preocupam são aquelas que nunca falharam, nunca precisaram se adaptar, nunca precisaram lidar com a ambiguidade", afirma.
Como muitos economistas já afirmaram, ninguém sabe exatamente o que o futuro reserva. Com seu livro, Raman espera contribuir para dissipar a sensação de fatalismo e inevitabilidade que tem dominado as discussões sobre como a IA irá remodelar o mercado de trabalho.
“Nada disso está predeterminado”, diz ele. “Deixe de lado o que está acontecendo ao seu redor. Não espere que os CEOs tenham as respostas, que a IA tenha as respostas, que as manchetes tenham as respostas. Concentre-se no que você pode controlar.”