Clientes que chegam por IAs convertem 4 vezes mais, diz Creditas

Fintech está entre as primeiras empresas a aderir ao novo formato no Brasil e pretende usar a estreia para entender o comportamento do consumidor e o potencial da IA na jornada de compra

Ilustração com balões de conversa entrando em um funil e moedas na saída, representando a IA na jornada de conversão do consumidor
Créditos: adragan via Adobe Stock / Cash Macanaya via Unsplash

Isabella Lura 4 minutos de leitura
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Clientes que chegam ao site da Creditas por meio de ambientes de inteligência artificial, apresentam uma taxa de conversão quatro vezes maior do que aqueles vindos de outros canais, segundo a fintech.

O resultado, baseado na análise de alguns milhares de clientes, indica uma mudança no comportamento do consumidor durante a jornada de pesquisa por produtos.

Para Vinicius Goromar, diretor de marketing e growth da Creditas, uma das explicações está no nível de informação com que esse consumidor chega à empresa.

“É um cliente muito mais pronto, leu muito mais, teve muito mais acesso à informação e chega com muito menos dúvidas e muito mais seguro daquilo que quer”, afirma.

Para uma empresa que trabalha com produtos financeiros que podem exigir pesquisa e comparação, o comportamento do consumidor ganha relevância. Ele pode usar uma ferramenta de IA para entender um problema, tirar dúvidas, comparar alternativas e só depois chegar ao site da empresa.

Quando isso acontece, segundo Goromar, o cliente já chega mais decidido e tende a avançar mais rapidamente pelo processo de contratação do serviço.

O resultado não aparece apenas no volume de acessos. O indicador observado pela Creditas é a conversão dentro do funil: quantas pessoas chegam ao site para solicitar um produto e quantas efetivamente concluem a contratação.

DO TRÁFEGO ORGÂNICO A PUBLICIDADE  

É nesse cenário que a Creditas se prepara para testar o ChatGPT Ads. Poucos dias após o lançamento do formato no Brasil, a fintech já aderiu à plataforma e aguarda o início da veiculação das campanhas, previsto para acontecer em breve.

A estreia deve incluir ações de marca e produtos de crédito com garantia. O objetivo inicial, porém, não é replicar automaticamente o resultado de conversão observado no tráfego vindo de IA. Como as campanhas ainda não começaram, a empresa pretende usar o teste para entender o comportamento do consumidor e o papel da publicidade dentro desse novo ambiente.

As duas frentes são diferentes. De um lado, está o tráfego de usuários que chegam à Creditas depois de interagir com ferramentas de IA. É nesse grupo que a empresa identificou a conversão quatro vezes maior. De outro, está a publicidade paga no ChatGPT, que ainda será testada.

A distinção é importante porque a presença de um anúncio não significa que a marca passará a aparecer nas respostas orgânicas do ChatGPT. A OpenAI afirma que os anúncios são separados das respostas e não influenciam o que o modelo responde ou recomenda.

Para a Creditas, portanto, o ChatGPT Ads representa uma nova possibilidade de contato com o consumidor, enquanto o dado de conversão ajuda a justificar o interesse da empresa pelo ambiente de IA.

UMA NOVA ETAPA DA JORNADA

Para Goromar, a mudança provocada pela inteligência artificial acontece no próprio ponto de partida da relação entre consumidor e marca. Em vez de procurar diretamente o site de uma instituição financeira ou clicar em um anúncio, o usuário pode começar com uma pergunta ampla, entender um problema e buscar informações antes mesmo de decidir quais empresas considerar.

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Nesse processo, a marca pode entrar na jornada muito antes do momento de contratação. A Creditas quer entender como participar dessas diferentes etapas, desde as primeiras dúvidas sobre crédito até as questões que surgem quando o consumidor já está próximo de tomar uma decisão.

A empresa já trabalha para estar presente em diferentes ambientes de IA, incluindo o AI Overview, do Google, e o Gemini. Goromar afirma que o ChatGPT ganhou atenção especial pelo nível de adoção entre os brasileiros, mas que a estratégia não está concentrada em uma única plataforma. “Eu acho que a gente tem que se focar menos em uma ferramenta específica. Lembrar que a gente não trabalha para a ferramenta, a gente trabalha pros nossos clientes”, afirma Goromar.

A meta para os próximos meses é entender como acompanhar esse consumidor ao longo de toda a jornada. Para Goromar, o ChatGPT pode concentrar desde “a dúvida mais embrionária” até a questão final de decisão, e a Creditas quer aprender como participar desse percurso de maneira fluida.

O teste do ChatGPT Ads entra nesse processo de aprendizado. Enquanto o comportamento do tráfego vindo de IA já apresenta uma diferença de conversão, a publicidade paga permitirá à fintech descobrir qual papel os anúncios podem desempenhar em uma jornada que começa cada vez mais com uma pergunta, e não necessariamente com uma busca direta por uma marca.


SOBRE A AUTORA

Isabella Lura é estudante de Jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, dedicada e curiosa com interesse em contar histórias e transformar... saiba mais