Geração Z: o futuro já está exausto
O desconforto dos GenZs no ambiente corporativo pode ser menos uma crise geracional e mais um diagnóstico coletivo sobre o futuro do trabalho

A geração Z costuma ser retratada como impaciente ou pouco disposta a seguir as regras tradicionais do mercado de trabalho. Mas os dados sugerem outra leitura: talvez não estejamos diante de uma geração que rejeita o trabalho, mas de uma geração que questiona um modelo que já não responde às demandas do presente.
Com a expectativa de vida dos brasileiros chegando a 76,6 anos em 2024, segundo o IBGE, nunca tantas gerações conviveram ao mesmo tempo no ambiente profissional. Hoje, cinco gerações compartilham os mesmos espaços. E não só isso, também convivem visões distintas sobre carreira, sucesso e qualidade de vida.
É aí que a geração Z surge como protagonista de uma mudança cultural. Para ela, propósito e flexibilidade deixaram de ser diferenciais: 88% consideram essencial ter propósito no trabalho e 44% rejeitariam empresas desalinhadas com seus princípios éticos, segundo a Deloitte.
Já na pesquisa do LinkedIn (2024), 72% já deixaram ou cogitaram deixar empregos sem modelos híbridos. Essa porcentagem é menor em outras gerações: 55% dos millennials e 40% da geração X.
INSATISFEITOS NO TRABALHO?
O Check-up de Bem-Estar 2025, da Vidalink, mostra que 30% da geração Z avaliam negativamente sua satisfação profissional, contra 25% dos millennials, 17% da geração X e só 6% dos baby boomers – uma escada de insatisfação que cresce quanto mais jovem o profissional.
Olhar para os dados de saúde mental da geração Z no ambiente profissional é encarar números desconfortáveis sobre o futuro do trabalho.
Há uma correlação inegável e assustadora entre a juventude e o esgotamento: a prevalência de sentimentos negativos dispara justamente entre os profissionais em início de carreira.
Segundo a Vidalink, essa angústia consome a maior parte dos dias de 72% das mulheres e 51% dos homens da GenZ, enquanto entre millennials esse número é de 62% entre mulheres e 46% entre homens.
Talvez o erro esteja em interpretar esses sinais como fragilidade. Segundo a Visier, 40% da GenZ não desejam cargos de gestão por associá-los a mais estresse, não por acomodação, mas por recusa consciente de um modelo de ascensão que já não se sustenta.
Priorizar flexibilidade, propósito e equilíbrio não é pedir menos trabalho, mas condições mais sustentáveis para realizá-lo. A geração Z aponta contradições que já existiam e que agora se tornaram impossíveis de se ignorar. Seu desconforto pode ser menos uma crise geracional e mais um diagnóstico coletivo sobre o futuro do trabalho.