Goldman Sachs restringe ferramentas avançadas de IA a engenheiros
O banco quer avaliar os ganhos de produtividade e os riscos antes de liberar tecnologias avançadas para mais funcionários

O Goldman Sachs proibiu traders, banqueiros e outros funcionários de usar ferramentas avançadas de programação com inteligência artificial, alegando preocupações com riscos e produtividade.
O banco está limitando o acesso a ferramentas como o Claude Code, da Anthropic, e o GitHub, da Microsoft, a engenheiros e aos chamados “strats” – termo do setor de banco de investimento usado para designar profissionais especializados em engenharia quantitativa e análise de dados –, informou a Bloomberg.
A decisão teria frustrado traders que utilizavam essas ferramentas para monitorar dados, desenvolver modelos financeiros e produzir gráficos, entre outras atividades.
A medida também parece contradizer declarações feitas em julho pelo diretor de tecnologia da informação do Goldman Sachs, Marco Argenti. Na ocasião, ele elogiou funcionários sem conhecimentos técnicos que utilizavam IA para criar protótipos de software e depois os encaminhavam aos engenheiros para aperfeiçoamento.
Um porta-voz do Goldman Sachs disse à Bloomberg que a empresa permite que os funcionários experimentem determinadas ferramentas de IA “para identificar os melhores casos de uso em diferentes áreas da companhia” e avaliar “uma série de fatores, incluindo produtividade e gestão de riscos”.
Quando o período de experimentação termina, “colocamos [as ferramentas] nas mãos daqueles que estão mais preparados para aproveitá-las no longo prazo”, afirmou. A Fast Company entrou em contato com o Goldman Sachs para obter mais informações, mas não havia recebido resposta até o fechamento desta reportagem.
As instituições de Wall Street vêm tentando encontrar um equilíbrio entre velocidade e segurança na adoção da IA. Em outubro, a diretora de tecnologia da informação do JPMorgan Chase, Lori Beer, afirmou que a inteligência artificial está evoluindo tão rapidamente que pode ser difícil avaliar seus riscos em tempo real.

“Queremos avançar rapidamente, mas, às vezes, precisamos recuar para implementar os controles necessários. A tecnologia está avançando mais rápido do que nossa capacidade de gerenciá-la”, disse.
O CEO do Bank of America, Brian Moynihan, também defendeu cautela ao permitir que agentes de IA operem sem supervisão humana. Ele afirmou especificamente que banqueiros de investimento precisam verificar com cuidado a precisão de apresentações comerciais e planilhas produzidas por inteligência artificial.
Wall Street vem tentando encontrar um equilíbrio entre velocidade e segurança na adoção da IA.
“O risco está em permitir que ela comece a fornecer respostas sem que seres humanos verifiquem se estão corretas”, disse em setembro.
Naturalmente, os bancos também continuam interessados em aproveitar os benefícios potenciais da IA.
As iniciativas internas do Goldman Sachs incluem um chatbot próprio, disponível para todos os funcionários, e uma ferramenta de programação do tipo copiloto, voltada aos desenvolvedores.
Em setembro de 2025, o banco também estava testando um agente autônomo de programação e uma ferramenta copiloto para banqueiros de investimento, destinada a ajudá-los a compilar pesquisas.