O futuro do trabalho também passa pela leitura

Com avanço da IA, especialistas defendem que leitura longa fortalece pensamento crítico, interpretação e foco — competências cada vez mais valiosas no trabalho

A imagem mostra duas pessoas em silhueta manipulando grandes formas geométricas rosadas, como se movessem painéis ou páginas gigantes, sobre um fundo colorido e abstrato. A cena transmite dinamismo e construção coletiva. A composição sugere temas como criatividade no trabalho, redesign de processos, colaboração entre equipes, adaptação a mudanças ou reorganização de ideias. Também pode representar profissionais “mexendo nas estruturas” para criar algo novo.
master1305 via Getty Images / Milad Fakurian, Oliver Hale via Unsplash

Luana Aquino 1 minutos de leitura

Entre notificações incessantes, feeds infinitos e a lógica da produtividade contínua, a leitura profunda tornou-se quase um ato de resistência. Ainda assim, ela pode ser uma das competências mais estratégicas para o futuro do trabalho.

Relatórios recentes indicam que as profissões do futuro dependerão menos de tarefas repetitivas e mais de interpretação, pensamento crítico e capacidade de conectar ideias. Segundo o Future of Jobs Report 2025, do World Economic Forum, cerca de 59% das habilidades profissionais precisarão ser atualizadas até 2030, com crescimento acelerado de competências analíticas, criativas e cognitivas. Em outras palavras, compreender contextos complexos será tão importante quanto dominar ferramentas tecnológicas.

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Nesse cenário, a leitura, especialmente a leitura longa, volta ao centro do debate. Não apenas como hábito cultural, mas como infraestrutura intelectual. Dados da OECD, por meio da avaliação internacional PISA, apontam queda no desempenho de leitura entre estudantes em diversos países nas últimas edições do exame. O fenômeno reflete um ambiente cada vez mais fragmentado, em que textos curtos substituem narrativas extensas e a atenção se divide entre múltiplas telas.

Pessoas segurando livro
Créditos: Freepik.

Foi justamente a partir dessa tensão entre velocidade e profundidade que conversei com Luciano Ribeiro, diretor da Esquire Brasil, em um diálogo realizado para o STATE. A provocação era simples: qual é o lugar da leitura, e do impresso em um mundo dominado por notificações e algoritmos?

Para Ribeiro, "o impresso já não ocupa o centro do consumo de informação, mas ganhou um novo significado". Revistas e livros se tornaram experiências mais intencionais, ligadas à curadoria e ao tempo de leitura, algo cada vez mais raro no ambiente digital.

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Esse paradoxo ajuda a explicar por que, enquanto o mundo acelera, cresce também o interesse por formatos editoriais mais densos. Em um ecossistema dominado por conteúdos rápidos, parar para ler torna-se um gesto de escolha.

Em um mercado cada vez mais mediado por inteligência artificial, a leitura humana ganha novo valor. Máquinas processam dados em escala; pessoas interpretam significado.

Num mundo que desliza sem parar, virar páginas, físicas ou digitais, ainda pode ser uma forma de pensar o futuro.


SOBRE A AUTORA

Luana Aquino é jornalista e head de comunicação do STATE, com experiência em impresso, digital e TV. Atua na construção de marcas com ... saiba mais