Empreender depois dos 50 pode estar associado a uma vida mais longa, diz estudo
Pesquisa sugere que a liberdade de escolher o próprio caminho profissional está associada a uma vida mais longa e a menores níveis de depressão e solidão

Se você achava que empreender era um caminho estressante demais para seguir, talvez seja hora de reconsiderar. Um novo estudo descobriu que abrir um negócio pode trazer um benefício surpreendente: viver mais.
O estudo, intitulado “Empreendedores vivem mais?”, foi conduzido por pesquisadores da Escola de Negócios do Instituto de Tecnologia Stevens, em Nova Jersey, nos EUA, e publicado no "Journal of Business".
Para realizar a pesquisa, o professor associado Cristiano Bellavitis e seus colaboradores analisaram 20 anos de dados de 27.501 cidadãos norte-americanos com 50 anos ou mais.
O estudo constatou que quem trabalha por conta própria pode viver mais do que aqueles que passam a maior parte da vida trabalhando para outras pessoas: empreendedores apresentaram um risco 10% menor de morte prematura.
O resultado se manteve mesmo depois que os pesquisadores levaram em conta outros fatores capazes de influenciar essa relação, como idade, renda e patrimônio, além do nível de escolaridade.
A pesquisa oferece uma perspectiva diferente sobre o trabalho que pode ocupar todos os aspectos da vida ou levar a jornadas mais longas – características frequentemente associadas ao empreendedorismo.
Embora estudos anteriores tenham constatado que jornadas prolongadas podem aumentar as mortes por doenças cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral (AVC), aparentemente outros fatores também entram em jogo, como a sensação de liberdade que pode, em determinadas circunstâncias, acompanhar o trabalho por conta própria.
segundo a pesquisa, empreendedores têm risco 10% menor de morte prematura do que quem passa a vida empregado.
Segundo Bellavitis, esse é um componente fundamental identificado pelo estudo. “A maioria considera o empreendedorismo muito estressante, e certamente pode ser. Mas empreender também proporciona um alto grau de autonomia e a oportunidade de se dedicar a algo que as pessoas realmente amam ou com que se importam”, disse em um comunicado à imprensa. “Nossas descobertas sugerem que esses benefícios podem produzir efeitos duradouros.”
Empreendedores são conhecidos por apresentar altos índices de esgotamento profissional. No entanto, o estudo revelou um fator decisivo que fez a diferença: a maior vantagem apareceu quando a autonomia era mais presente.
“O que parece importar não é o empreendedorismo por si só, mas as circunstâncias em que as pessoas decidem entrar nesse caminho”, afirma Bellavitis.

Por exemplo, a longevidade foi um resultado observado quando os empreendedores abriram negócios por vontade própria, e não por necessidade. Isso significa que, independentemente da profissão – e de trabalhar por conta própria ou para outra pessoa –, ter poder de escolha parece fazer uma diferença considerável.
Viver mais pode ser o maior benefício, mas não foi o único identificado pelo estudo. Os empreendedores relataram níveis mais baixos tanto de depressão quanto de solidão. Embora esses dois fatores relacionados à saúde mental possam contribuir para uma saúde melhor, também podem favorecer uma sensação maior de felicidade.
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Assim, o empreendedorismo – pelo menos quando motivado por paixão e propósito, e não pela necessidade – talvez não seja apenas a chave para uma vida mais longa, mas também para uma vida mais feliz.