O que faz uma carta de Pokémon chegar a valer US$ 1 milhão?
Mercado de cards colecionáveis combina raridade, conservação e nostalgia; Rayquaza de 2005 se tornou a primeira carta de Pokémon em inglês vendida por mais de US$ 1 milhão

Para quem cresceu nos anos 2000, as cartas de Pokémon provavelmente remetem a partidas entre amigos, trocas no recreio ou à tentativa de completar uma coleção. Anos depois, alguns desses mesmos cards deixaram de ser apenas parte de uma brincadeira e entraram no mercado de colecionáveis de luxo.
Em agosto de 2026, um Rayquaza Gold Star #107, da coleção EX Deoxys, lançada em 2005, foi vendido por US$1,02 milhão, incluindo o prêmio do comprador. O resultado fez dele o primeiro card Pokémon em inglês a ultrapassar a marca de US$1 milhão em um leilão.
O valor chama atenção, mas a carta não chegou a esse preço apenas por ser antiga. O exemplar reúne algumas das características mais valorizadas no mercado de colecionáveis: raridade, demanda, conservação excepcional e uma nota CGC Pristine 10, a mais alta da escala da empresa e exclusiva desse exemplar entre os Rayquaza Gold Star #107 conhecidos.
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UMA CARTA DIFÍCIL DE ACHAR
A série Gold Star começou a ser lançada em 2004 e ficou conhecida por apresentar versões brilhantes de diferentes Pokémon. Os cards eram difíceis de encontrar nos pacotes e, segundo dados apresentados pela Fanatics Collect, apareciam aproximadamente uma vez a cada 72 pacotes.
O Rayquaza se tornou um dos exemplares mais cobiçados dessa série. Sua versão Gold Star #107 foi lançada em 2005, como parte da coleção EX Deoxys, e traz o Pokémon em sua forma Shiny (brilhante) "saindo" dos limites da arte tradicional, acompanhada por uma estrela dourada ao lado do nome.

Entre os colecionadores, a carta ganhou destaque não apenas pela dificuldade de obtê-la, mas também pela importância do próprio Rayquaza dentro da franquia. Hoje, exemplares bem conservados estão entre os cards mais procurados da série Gold Star.
O exemplar vendido recebeu a classificação CGC Pristine 10, uma nota atribuída a cartas consideradas em estado excepcional de conservação. De acordo com a Fanatics Collect, ele é o único Rayquaza Gold Star #107 conhecido com essa classificação. A diferença é significativa. De mais de 250 exemplares desse Rayquaza avaliados pela CGC, apenas 12 chegaram à classificação Gem Mint 10 e somente um alcançou o Pristine 10.
Parte da dificuldade está na própria produção da coleção EX Deoxys. A CGC aponta que os cards apresentam com frequência problemas de acabamento nas bordas, o que dificulta encontrar exemplares capazes de atingir as notas mais altas. No mercado de colecionáveis, portanto, duas cartas aparentemente idênticas podem ter valores muito diferentes.
Um Rayquaza Gold Star #107 classificado como Gem Mint 10 foi vendido por US$168 mil em julho de 2026. Pouco mais de um mês depois, o exemplar Pristine 10 alcançou US$1,02 milhão.
QUANDO A CONSERVAÇÃO VALE MAIS
A classificação das cartas funciona como uma espécie de certificação do estado de conservação. Empresas especializadas avaliam aspectos como centralização, superfície, cantos e bordas antes de atribuir uma nota.
Isso cria uma espécie de hierarquia dentro do próprio mercado. Uma carta rara pode continuar valiosa mesmo apresentando sinais de uso, mas quanto mais próximo de um estado considerado perfeito, maior pode ser o interesse dos colecionadores.
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No caso do Rayquaza, essa diferença ajudou a transformar uma carta de centenas de milhares de dólares em uma peça milionária. O leilão recebeu 35 lances antes de chegar ao valor final. O resultado também superou o antigo recorde para uma carta Pokémon em inglês: um Charizard da Primeira Edição do Base Set, classificado como PSA Gem Mint 10, que havia sido vendido por US$ 954.800 em fevereiro de 2026.

O Rayquaza, porém, não ocupa o primeiro lugar entre todas as cartas Pokémon já vendidas. Esse posto continua com um Pikachu Illustrator japonês, que alcançou US$16,492 milhões em um leilão realizado no início de 2026.
POR QUE AS CARTAS DE POKÉMON FICARAM TÃO VALIOSAS?
O mercado de cartas colecionáveis não nasceu com Pokémon. Antes dele, outros jogos e franquias já movimentavam comunidades de colecionadores. O que o Pokémon conseguiu foi transformar o card game em parte de uma franquia muito maior.
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Desde o lançamento do primeiro Pokémon Trading Card Game, em 1996, no Japão, as cartas passaram a funcionar simultaneamente como jogo, produto de entretenimento e objeto de coleção. A franquia também se expandiu para videogames, animações, filmes, brinquedos e produtos licenciados.
Isso ajudou a criar uma base de fãs que atravessa gerações. Muitas das pessoas que começaram a colecionar cartas hoje são adultos. Para parte desse público, comprar uma carta rara não significa apenas adquirir um pedaço de papel: existe também um componente de memória afetiva associado à franquia.
No fim, o Rayquaza que um dia podia aparecer em um pacote de cartas por poucos dólares hoje vale US$1,02 milhão mais do que muitos apartamentos. A carta continua sendo a mesma. O que mudou foi o valor que o mercado, a nostalgia e a escassez passaram a atribuir a ela.