POR NATE BERG 

À medida que tecnologias se tornam obsoletas, as marcas por trás delas precisam se adaptar ou morrer. Veja o caso clássico da Kodak, empresa que por muito tempo dominou o mercado de filmes para fotografia, e hoje investe em produtos farmacêuticos. Às vezes, marcas desenvolvem o que oferecem com base em seus pontos fortes e, em outras, se reorganizam completamente para oferecer algo novo.

E em outras situações – talvez apenas nesta única –, se tornam hotéis.

(Crédito: Gensler/Atari Hotels)

A Atari, uma das pioneiras do videogame, está prestes a estrear a nova fase de sua existência com uma série de hotéis. O primeiro Atari Hotel está em construção em Las Vegas. O Grupo GSD revelou a ideia em janeiro de 2020, mas mostrou as primeiras imagens em novembro. Projetado pelo escritório de arquitetura Gensler, o edifício é uma versão com detalhes em néon do logotipo no formato de letra A. Pelas imagens, combinará o apelo retrô da marca a um conceito de hospitalidade que gira em torno dos games.

O conceito, um tanto inesperado, vem da mente do empresário Napoleon Smith III, sócio do GSD. Ele liderou a aquisição da propriedade intelectual por trás das Tartarugas Ninja. Recentemente, garantiu os direitos de Capitão Kangaroo, programa de TV infantil exibido de 1955 a 1984, no qual está trabalhando em um remake com Mark Wahlberg. Depois de ver uma camiseta do Atari em um personagem de Stranger Things, ele percebeu que a marca, lançada em 1972, tinha um potencial inexplorado em um mundo onde os games se tornaram um negócio de bilhões de dólares.

“Antes foi a música, depois os filmes. Agora estamos vendo os jogos realmente começando a dominar nossa cultura pop”, afirma. “E eu gosto de relançar marcas da minha infância, que foi nos anos 80”, conta.

De acordo com Smith, o Atari Hotel foi pensando no público das Comic-Con. “Não há hospitalidade alguma que converse com o estilo de vida do público da Comic-Con. Vou todos os anos e não encontro rigorosamente nada”.

Smith descreve a estética planejada do hotel como uma mistura de distopia cyberpunk e nostalgia da era dos anos 1980.

(Crédito: Gensler/Atari Hotels)

Para os gamers, Smith equipara as ofertas do hotel a algo como uma viagem de pesca dos dias modernos, em que um grupo de amigos se reúne para uma escapadela de fim de semana com foco em uma atividade. As salas serão equipadas com acesso a vários sistemas de jogos e uma vasta biblioteca, banda larga e TVs de tela grande. Smith diz que o hotel pode ser um cenário ideal para estúdios de jogos lançarem novos produtos, ou como um espaço de teste de novos projetos em desenvolvimento. Mas, principalmente, será um lugar onde as pessoas podem fazer dos videogames a peça central de suas férias.

“Seu console não funciona? Pronto, temos outro para você. Nosso suporte técnico, 24 horas, chega em poucos minutos. Se você precisa de um pequeno refrigerador com nada além de Red Bulls e Hot Pockets, porque você está participando de uma longa sessão de jogo com sua equipe, conte conosco”, diz ele.

Com inauguração prevista para 2022, o hotel de Las Vegas está planejado para ter cerca de 500 quartos, com possíveis residências permanentes na cobertura. Um terreno de 5 acres foi selecionado, mas a localização precisa ainda não foi anunciada. O segundo hotel da série Atari está planejado para Phoenix, no Arizona. O Grupo GSD espera expandir o conceito para outras cidades.

Não está claro se o conceito é capaz de atrair mercado suficiente para as ambições de Smith e cia. Em um ano de pandemia, quando hotéis e os negócios relacionados ao turismo despencaram, é difícil prever a demanda futura. Resta saber se a iniciativa será um jackpot – ou um game over.

Nate Berg escreve sobre games na Fast Company