É possível ser eco friendly no metaverso? Essa startup brasileira garante que sim

Crédito: Vlad Hilitanu/ Unsplash

Ana Beatriz Camargo 4 minutos de leitura

Uma comunidade no metaverso com moeda própria, história em quadrinhos cujos rumos são definidos pelos participantes dessa comunidade, um jogo de RPG e uma coleção de 3 mil NFTs que, em 24 horas, foi vendida por um total de R$ 2,5 milhões – essa é a proposta do 55 Unity, franquia de entretenimento que colocou no mercado a startup brasileira Lumx.

Criada por Caio Barbosa e Gabriel Polverelli, a startup marcou mais um gol no mês passado, ao lançar uma coleção de NFTs  para a tradicional marca de roupas Reserva. Até aí, já teríamos incontáveis assuntos para tratar com Caio Barbosa, CEO da Lumx, como o potencial da Web3, os resultados milionários da estreia da empresa, o futuro dos NTFs. Mas foi outro aspecto que chamou a atenção.

Com que esperança podemos olhar para um futuro que se apoia no metaverso, ambiente digital onde uma das formas de se fazer dinheiro é comprar e vender tokens não fungíveis cujas transações consomem mais energia do que uma casa inteira ligada por 24 horas? Quão na contramão do discurso de diminuir nossa pegada ecológica estaríamos incentivando esse tipo de negócio e comemorando seus avanços tecnológicos? Há alguma saída eco friendly nisso tudo?

Caio nos aponta que sim e, em uma conversa com Fast Company Brasil, contou como sua startup tem lidado com isso nos dois grandes projetos já lançados – o 55 Unity e a coleção para a Reserva – e no que ainda está sendo desenvolvido. 

Vamos começar do começo

Para lançar um token não fungível, seu criador precisa escolher uma rede blockchain. Hoje, cerca de 98% do volume total de NFTs está na rede Ethereum, a pioneira e uma das mais conhecidas, ao lado do famigerado Bitcoin. Foi graças à Ethereum e a sua estrutura que surgiram os dapps (aplicativos descentralizados), que dariam origem aos NFTs e demais tokens.

“A Ethereum tem vários problemas. É cara – tudo que é feito lá custa uma taxa de, pelo menos, US$ 10. É uma rede que fica congestionada – cada transação demora de 35 a 40 segundos, o que é uma eternidade para quem está acostumado com Pix. E tem um gasto energético muito alto”, explica Caio. Os problemas existem, mas o pioneirismo e as facilidades fizeram com que a esmagadora maioria dos projetos rumasse para essa rede blockchain.

Existem opções surgindo?

Nas palavras de Caio, sim. “Já conseguimos ver no mercado algumas soluções de outras redes blockchain mais favoráveis ao meio ambiente. É o caso da Solana, que, para fazer a geração de um NFT que, na Ethereum, gastaria energia equivalente à de uma casa inteira, usa apenas duas pesquisas no Google. É outro mundo! Só que, para fazer isso, ela deixa de lado alguns aspectos. A Ethereum é hiper segura, seu algoritmo é superforte. Mas a Solana, por focar em eficiência, deixa a desejar na segurança. Enfim, você precisa escolher as batalhas que vai lutar”, analisa o fundador da Lumx. 

Cerca de 98% do volume total de NFTs está na Ethereum, a pioneira e uma das mais conhecidas redes blockchain.

Neste cenário de ter que escolher entre eficiência/ escalabilidade do negócio e gasto energético, algumas soluções foram desenvolvidas para permitir que tokens sejam criados e comercializados, mas compensando o meio ambiente por todo o carbono emitido para manter mega computadores ligados 24 horas por dia. Uma delas é a neutralização do carbono a partir da compra de créditos, opção escolhida pela Lumx para a criação da série 55 Unity. 

“Fizemos na Ethereum mesmo, porque, se lançássemos em uma rede menor, não teríamos tração. Mas neutralizamos cerca de três vezes mais carbono do que emitimos”, garante Caio Barbosa. Esse processo, de reduzir os impactos da pegada de carbono deixada pelos lançamentos, é feito por meio de uma parceria com a Moss, startup brasileira focada em créditos de carbono para projetos de alto impacto, que tem clientes como Gol Linhas Aéreas, Hering e iFood.

“Através dessa parceria, e tendo em mente quantos NFTs vamos lançar, calculamos quanto de carbono será emitido nas transações digitais e quantos créditos precisaremos comprar para neutralizar além das nossas emissões”, conta Caio. A partir daí, um valor é desembolsado para aplicação em projetos de preservação do bioma. “A gente se preocupa muito com a pegada sustentável. É uma política nossa: tudo o que a gente consumir para lançar projetos, vamos compensar, obrigatoriamente, duas vezes mais”.

Personagens do projeto de entretenimento 55 Unity (Crédito: Divulgação)

Voltando ao 55 Unity, os 3 mil NFTs lançados foram apenas a primeira leva de um extenso road map que prevê, além de futuros lançamentos, conferir liquidez à criptomoeda criada para o game, chamada survivor. Hoje, ela só pode ser usada dentro da comunidade no metaverso – não pode ser trocada, por exemplo por um bitcoin ou demais moedas que tenham liquidez.

Para quem ficou interessado e quer acompanhar os próximos lançamentos, se aventurar no game e participar da comunidade, basta ir à página no OpenSea, clicando aqui. Lembrando que, para isso, você precisa ter uma carteira de criptomoedas e adquirir um NFT do 55 Unity. 


SOBRE A AUTORA

Ana Beatriz Camargo é jornalista, heavy user de redes sociais e escreve sobre o mundo dos games. saiba mais