Esse é o misterioso jogo de baralho que Warren Buffet é aficionado

Jogo reúne quatro participantes em uma disputa de estratégia que exige atenção a cada carta e lance

Warren Buffett
Crédito: Pexels/Imagem criada com auxílio do ChatGPT

Lilian Campos 3 minutos de leitura
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O bridge é um jogo de cartas que pode parecer complicado para quem nunca teve contato com ele. São quatro jogadores, divididos em duas duplas, e uma partida envolve estratégia, comunicação e uma boa dose de raciocínio para decidir quais cartas jogar.

O jogo tem um fã bastante conhecido: Warren Buffett. O bilionário, inclusive, levou outro colega a jogar as cartas: Bill Gates.

O investidor já falou publicamente sobre sua paixão pelo bridge e chegou a dizer que fica tão concentrado durante uma partida que poderia não perceber uma mulher nua passando ao seu lado. A declaração foi dada em entrevista à CNBC.

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COMO FUNCIONA O BRIDGE?

O bridge utiliza um baralho tradicional de 52 cartas, sem curingas. Cada um dos quatro participantes recebe 13 cartas, e os jogadores que estão frente a frente formam uma dupla.

A partida é dividida principalmente em duas etapas: leilão e jogada das cartas. Durante o leilão, os participantes fazem lances para indicar quantas vazas acreditam que sua dupla conseguirá conquistar e qual será o naipe de trunfo.

Essa etapa funciona como uma espécie de linguagem entre os parceiros. Os lances transmitem informações sobre as cartas de cada jogador, ajudando a dupla a definir sua estratégia.

Depois do leilão, começa a disputa pelas vazas. Cada jogador coloca uma carta na mesa, seguindo determinadas regras, e a carta mais forte vence a rodada. Ao todo, existem 13 vazas em cada mão.

O QUE TORNA O JOGO TÃO ESTRATÉGICO?

O bridge exige que o jogador tome decisões a partir das próprias cartas e das informações reveladas durante o leilão e as jogadas. Também é necessário observar o que os adversários fazem e tentar antecipar suas próximas ações.

A memória e a capacidade de identificar padrões também podem ser úteis. Como o jogo envolve parcerias, a comunicação indireta entre os jogadores é outro elemento importante.

A própria American Contract Bridge League (ACBL) descreve o bridge como um jogo que envolve estratégia e oferece diferentes técnicas para aprender a avaliar mãos, fazer leilão e jogar as cartas.

Por isso, a comparação com o xadrez aparece com frequência quando se tenta explicar a modalidade para quem não conhece o jogo. Ambos exigem planejamento e tomada de decisões, embora funcionem de maneiras bastante diferentes.

WARREN BUFFETT E O BRIDGE

Buffett não trata o bridge apenas como um passatempo ocasional. O investidor é conhecido por jogar regularmente e já falou diversas vezes sobre o quanto aprecia a modalidade.

"Bridge é um jogo tão sensacional que eu não me importaria de ficar na prisão, contanto que as três outras pessoas presas comigo fossem jogadores decentes", disse Buffet.

A famosa declaração sobre a mulher nua resume o nível de concentração que ele atribui ao jogo: para Buffett, uma partida pode ser tão envolvente que o restante do ambiente deixa de importar.

A paixão também é compartilhada por outros nomes conhecidos. Bill Gates, amigo de Buffett, também é um jogador de bridge.

UM JOGO PARA APRENDER EM QUALQUER IDADE

Apesar da imagem de ser um jogo difícil, existem cursos e ferramentas voltados para iniciantes. No Brasil, a Federação Brasileira de Brigde oferece cursos introdutórios e avançados do jogo.

A ACBL oferece aulas introdutórias e materiais que ensinam desde a distribuição das cartas até o sistema de lances e as estratégias básicas.

A entidade também disponibiliza jogos e ferramentas digitais para quem deseja praticar sozinho ou aprender antes de participar de uma partida presencial.

No fim, o bridge funciona como uma disputa estratégica entre duas duplas e ignora a simples "sorte nas cartas". Talvez seja justamente essa combinação que mantém Warren Buffett tão interessado no baralho.

O Brasil já foi destaque no cenário internacional do bridge, com duplas e equipes brasileiras vencendo diversos campeonatos de nível mundial. Atualmente, há cursos de bridge para principiantes em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de uma série de aulas em vídeo que está sendo preparada pela Federação Brasileira de Bridge.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais