O criador dos efeitos especiais de Matrix quer transformar o metaverso

Agora na Inworld AI, John Gaeta pretende criar personagens mais realista para o metaverso usando inteligência artificial

Crédito: Inworld AI

Chris Morris 3 minutos de leitura

John Gaeta já deixou sua marca na história da cultura pop. Como supervisor de efeitos visuais de “Matrix”, foi ele quem levou para o filme o efeito bulllet time (aquele em que o personagem “congela” e a câmera parece fazer um giro de 360 graus à sua volta), entre outros recursos visuais inovadores. Hoje, entretanto, seu foco é o metaverso – e a intenção é causar um impacto ainda maior.

Gaeta começou a fazer a transição da indústria cinematográfica para a de tecnologia entre 2008 e 2009. Como muitos pioneiros no campo dos efeitos visuais que passaram a trabalhar com desenvolvimento de games e acabaram entrando no ecossistema do Vale do Silício, ele gosta de lidar com tecnologias emergentes.

Mas ele mesmo diz que não é um sujeito tecnológico, e sim um contador de histórias. No início do ano, resolveu se juntar à Inworld AI e assumiu o posto de chief creative officer, com a missão de ajudar a empresa a atingir seu objetivo de levar inteligência artificial para os mundos virtuais.

Cena de “Matrix” com efeito bullet time (Crédito: Divulgação)

Fundada em julho de 2021, a Inworld AI que transformar os personagens estáticos em figuras mais dinâmicas. Assim, por exemplo, qunado alguém interagisse com um personagem de um game, ele não se limitaria a ficar repetindo duas ou três frases. Usando IA, cada figura dessas teria uma personalidade, com seus próprios pensamentos, memórias e comportamentos.

“Não é um teste de Turing, é um teste de personagem. Ele consegue me surpreender? Consegue me apontar um caminho que leve ao fundo daquela experiência? Em um mundo cheio de histórias, o grande lance é encontrar alguém interessante o suficiente para prender sua atenção, pelo tempo que você quiser – e poder voltar sempre que desejar”, diz Gaeta.

FUSÃO ENTRE REALIDADE VIRTUAL E MISTA

Por enquanto, é claro, esse tipo de interação é mais provável de acontecer no universo dos games. Mas, para Gaeta, o potencial é enorme, conforme o metaverso vai tomando forma.

“Ninguém consegue prever, logo de cara, como as pessoas vão usar novos formatos. Alguns assumem que o metaverso é algo que viram em um filme, ou sobre o qual leram em um livro. Mas, na minha opinião, ele é a conexão entre todas as coisas digitais capazes de encontrarem umas às outras”, acredita.

o grande lance é encontrar alguém no metaverso interessante o suficiente para prender sua atenção, pelo tempo que você quiser.

Além disso, segundo ele, a realidade virtual e a realidade mista vão virar uma coisa só, abrindo uma grande oportunidade de criar uma plataforma descentralizada, onde os criativos podem desenvolver seus talentos.

De fato, os criativos terão grandes oportunidades de produzir algo valioso ou de que o público goste. Em uma situação ideal, eles conseguiriam monetizar suas criações sem depender da intermediação de uma grande empresa ou instituição financeira, como é o modelo hoje para muitos criadores das indústrias de cinema e games.

CELEBRIDADES VIRTUAIS

“Acho que estamos vivendo uma época com alto potencial de disrupção, na qual algumas empresas – e tecnologias – estão capacitando as pessoas a criar e prosperar graças ao seu trabalho. Creio que com personagens e avatares é mais ou menos a mesma coisa. Eles são identidades, são personas. E podem se tornar muito atrativos e populares, da mesma forma que artistas e celebridades no mundo real.”

Mas muitas dessas possibilidades são coisas para o futuro. Por enquanto, de acordo com Gaeta, o metaverso não se parece em ainda com o que muita gente espera que ele venha a ser. E isso, de alguma forma, é o que o faz ser tão empolgante.

“Há muitas iniciativas experimentais, mas nada de grande porte. Estamos aprendendo. Agora é a hora daqueles que estão na vanguarda, os early adopters e desbravadores que querem entender como a coisa funciona. A questão é: o que se espera de um mundo ou um destino virtual?”

Os lugares devem ser vibrantes e cheios de vida. É isso o que Gaeta está tentando fazer na Inworld.

“A resposta [para se fazer um mundo parecer real] é criar figuras capazes de entender aquele universo, qual o seu lugar nele e a relação entre si e todos os outros participantes, sejam humanos ou não – basicamente, encher esses mundos de personagens que pensam”, diz Gaeta.


SOBRE O AUTOR

Chris Morris é um jornalista com mais de 30 anos de experiência. Saiba mais em chrismorrisjournalist.com. saiba mais