“O esporte salva”, garante a medalhista olímpica Adriana Samuel

Crédito: Markos Fortes/ Pikisuperstar/ Freepik

Ana Beatriz Camargo 3 minutos de leitura

Respirando esporte desde os 12 anos de idade, quando jogava na escolinha do Círculo Militar da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, Adriana Samuel construiu uma carreira no vôlei brasileiro que lhe rendeu duas medalhas olímpicas (Atlanta, 1996 e Sydney, 2000) e inúmeros títulos entre etapas do Circuito Mundial, Campeonatos Brasileiros e Sul-americanos.

Em 2000, após o bronze em Sydney, foi a veia de gestora que apareceu: Adriana passou a gerenciar atletas e times profissionais e a se dedicar a projetos sociais, como uma escola de vôlei que leva seu nome. 

Acostumada às diferentes modalidades olímpicas e a buscar patrocínio para transformar realidades carentes por meio do esporte, hoje Adriana gerencia um projeto que leva diferentes modalidades de jogos eletrônicos para a favela da Rocinha. A ideia surgiu a partir da provocação da amiga Marcia Casz, executiva do mundo esportivo, durante um despretensioso jantar, há dois anos.

“Aquilo me bateu de uma maneira absurda. Eu parei de prestar atenção no que [minhas amigas] estavam falando e fiquei a mil, pensando sobre isso, sobre como eu começaria e com quem. E quando eu boto uma coisa na cabeça, que me toca tanto quanto essa ideia me tocou, é muito difícil de eu tirar”, contou Adriana à Fast Company Brasil.  

De lá para cá, a ex-jogadora olímpica encampou uma busca por consultores especializados e parceiros que pudessem patrocinar o seu “projeto de games”, que viria a se chamar Gaming Parque.

O projeto é voltado à capacitação de jovens de oito a 17 anos, moradores da comunidade da Rocinha. Dessa busca, nasceu a parceria com o curador técnico do projeto, Thiago Milhazes, diretor comercial da Final Level Co,  e o patrocínio da Light e do governo do estado do Rio de Janeiro, através da Lei de Incentivo ao Esporte. 

Alunos na sede do projeto Gaming Parque (Crédito: Bruno Lorenzo/ MTVZ Images)

Hoje o espaço tem capacidade para atender 80 jovens jogadores, que precisam comprovar frequência escolar para participar das atividades. A estrutura conta com instrutores que dão aulas de Free Fire, Clash Royale e Brawl Stars, sala para livestreaming e espaços de treinos.

A meta é, nos próximos meses, implementar cursos de inglês, programação de jogos e design gráfico. Um ponto em comum entre esses três jogos ensinados no projeto é o smartphone: eles podem ser acessados a partir de celulares, que são muito mais acessíveis do que consoles ou computadores gamers de última geração. 

“Por utilizarmos o celular como ferramenta de capacitação, os jovens podem treinar em qualquer hora e lugar. Além de toda a estrutura pensada para a formação dos atletas, o Gaming Parque disponibiliza também todo aporte necessário para que eles realizem transmissões” conta Milhazes, que é curador técnico do projeto.

Um dos objetivos das ações oferecidas é formar squads com os alunos que mais se destacarem, para que eles possam receber futuros patrocínios em competições, ajudando os jovens a se profissionalizarem no mercado gamer.

Alunos do projeto Gaming Parque jogando nos smartphones (Crédito: Bruno Lorenzo/ MTVZ Images)

“O caminho é longo, empreender não é fácil.  O desafio foi encontrar os parceiros certos para trazer internet de qualidade ao local. Parceiros que entendessem que os produtos precisariam ser de alta qualidade. Fomos minuciosamente buscando equipamentos que iam atender melhor aos nossos objetivos” explica Adriana, que até então, estava acostumada a buscar apoio financeiro para reformar espaços abandonados e transformá-los em quadras esportivas. 

Não são só as cifras que, para bancar um projeto tecnológico, precisam ser a mais. Uma das principais diferenças deste projeto, segundo ela, é o engajamento dos jovens. “É impressionante a força dos jogos. Divulgo meus projetos sociais nas escolas públicas há mais de 15 anos, vejo os alunos se envolvendo, participando. Mas a reação quando deixei escapar que era um projeto com games me impressionou muito. Foi uma comoção, uma gritaria, parecia um gol”, lembra.

“Desde o primeiro dia pude perceber o tamanho disso, o que esses jogos representam para essa geração. Estar envolvida em um projeto que mostra que o game pode ir muito além do lazer está sendo muito bacana”, conta Adriana.


SOBRE A AUTORA

Ana Beatriz Camargo é jornalista, heavy user de redes sociais e escreve sobre o mundo dos games. saiba mais