Xbox, Ubisoft, PlayStation e mais: o futuro das aquisições dos games

Crédito: Cottonbro/ Pexels

Jeancarlos Mota 5 minutos de leitura

O patrão ficou louco? Pelo visto, a Microsoft criou tendência depois de fazer a maior aquisição da história dos games, incentivando outras marcas a irem às compras. Fazia tempo que o mercado de games não ficava tão aquecido com aquisições de empresas por marcas gigantes, para trazer ainda mais exclusividade aos seus portfólios ou fortalecer sua presença na indústria dos jogos eletrônicos.

Desde o lançamento da atual geração de consoles (PlayStation 5 e Xbox Series X/ S), o mercado aqueceu e gigantes como Microsoft e Sony estão de olho para tornar seu leque de produtoras mais robusto. Após a aquisição da Activision  Blizzard pela Microsoft, a Sony não perdeu tempo e trouxe a Bungie para baixo de suas asas. E essa está longe de ser a última das movimentações que podem acontecer em breve.

TOMB RAIDER DE CASA NOVA

Quem diria que a rainha da exploração de tumbas, Lara Croft, estaria de casa nova em 2022? A Crystal Dynamics e Square Enix Montreal foram vendidas por US$ 300 milhões, em um acordo milionário fechado pela Embracer Group, holding sueca de videogames e mídia com sede em Karlstad. A empresa, criada sob o nome Nordic Games Licensing em 2011 como parte do Nordic Games Group e controladora da editora Nordic Games GmbH, também já foi conhecida pelos gamers como THQ (marca adquirida em 2014).

Com a compra, a Embracer garantiu os estúdios Crystal Dynamics, Eidos-Montréal, Square Enix Montreal e um catálogo de propriedades intelectuais (IPs) que incluem Tomb Raider, Deus Ex, Thief, Legacy of Kain e mais de 50 jogos do catálogo da Square Enix. A Embracer compartilhou a notícia em um comunicado à imprensa no qual afirma que esta aquisição envolve cerca de 1,1 mil funcionários em três estúdios e oito locais pelo mundo. O acordo, se concretizado, será fechado durante o segundo trimestre do ano financeiro da Embracer, no ciclo 2022/ 2023.

A franquia Tomb Raider agora está de casa nova. (Crédito: Crystal Dynamics/ Eidos Interactive/ Divulgação)

CAÇADORES DE TALENTOS

Se há uma certeza em toda essa história é que ela terá novos capítulos. Afinal, tanto Microsoft quanto Sony procuram profissionais especificamente para essa área. Primeiro foi a detentora do Xbox, que abriu uma vaga para gerente de estratégia de gaming e desenvolvimento, de acordo com a Video Games Chronicle. Suas responsabilidades incluirão “desenvolver e avaliar o case de negócios para aquisições de conteúdo e tecnologia”. Tal iniciativa só mostra que a empresa tem planos de acelerar a compra de desenvolvedoras e outras empresas de jogos.

Sony e Microsoft garantem que as franquias das marcas adquiridas continuarão disponíveis em várias plataformas.

É interessante lembrar que foi a mesma Microsoft que abriu os cofres para a aquisição da Activision Blizzard (por US$ 68,7 bilhões), uma das maiores compras da história do entretenimento. O valor foi tão alto que põe essa transação em patamar próximo ao da compra da 21st Century Fox pela Disney, por US$ 71,3 bilhões, e da Time Warner pela AT&T, por US$ 85,4 bilhões.

Em seguida, foi a vez da Sony. A Video Games Chronicle também reportou que a marca responsável pelo PlayStation está em busca de um diretor de desenvolvimento corporativo para ajudar a “identificar oportunidades de crescimento inorgânico por meio de aquisições, investimentos ou joint ventures”. Este diretor trabalhará em estreita colaboração com a equipe de gerenciamento geral e estará na vanguarda do PlayStation e de seus estúdios primários. A empresa diz que o escolhido terá “a chance de influenciar a evolução desse setor de ritmo acelerado”.

Tudo isso acontece logo depois de a Sony adquirir a Bungie, empresa que criou a franquia Halo e hoje tem como carro-chefe a franquia Destiny, pela bagatela de US$ 3.6 bilhões de dólares. O curioso dessas aquisições é que ambas as marcas não querem, necessariamente, travar seus jogos em suas plataformas. Elas prometem que as franquias dessas marcas continuarão sendo multiplataforma.

ATÉ TU, UBISOFT?

E quem não está fora desse grande circo das compras e vendas é a Ubisoft. A desenvolvedora de franquias de renome, como Assassin’s Creed, Far Cry, Rainbow Six e outras grandes marcas, pode estar prestes a ser comprada por empresas de private equity com “interesses preliminares de aquisição”. Os rumores foram reportados inicialmente pela VGC, e somente eles já foram suficientes para  para as ações da Ubi crescerem em 11% no final de abril. Além disso, fontes anônimas relataram ao Bloomberg que diversas empresas – inclusive a Blackstone Inc. e a KKR & Co -, estariam estudando a possibilidade de tomar o controle acionário da Ubisoft.

A Ubisoft não comentou o assunto, tampouco entrou em negociações oficial com nenhuma dessas empresas, todavia fontes disseram ao site Kotaku que diversos aspectos de negócio da Ubisoft foram auditados nos últimos anos, em antecipação a uma potencial venda – embora essas auditorias também sejam bastante comuns para empresas que desejam se tornar mais lucrativas. Para reforçar tudo, na última teleconferência de ganhos da Ubisoft, Yves Guillemot, CEO da Ubisoft, disse que a empresa estava aberta a revisar quaisquer ofertas de compra da publisher e não confirmou nem negou que ela havia sido abordada por potenciais compradores.

Em paralelo, funcionários atuais e antigos da Ubisoft também revelaram ao Kotaku que a publisher estaria passando por problemas na produção, como inúmeros adiamentos. Combinados com a queda dos preços das ações (de US$ 110, em julho, para US$ 41 na semana que antecedeu o início da boataria e aumento das ações), tais problemas provavelmente seriam responsáveis por essa  venda, de acordo com as fontes.

A pergunta que fica no ar é: quem compraria a Ubisoft? Sony, Microsoft, ou um terceiro elemento inesperado, como foi o Grupo Embracer? Os rumores iniciais ficaram até um pouco fortes para o lado da Microsoft, inicialmente, devido à parceria entre eles e a Ubisoft no Xbox Game Pass. Tanto que, pela primeira vez na história do serviço, um jogo da franquia Assassin’s Creed está a caminho do Game Pass. Um post no Xbox Box Wire, blog do Xbox, revelou que Assassin’s Creed Origins e For Honor: Marching Fire Edition chegarão ao Game Pass nos próximos dois meses (ou seja, até o final de junho). Isso logo depois de Rainbow Six Extraction ter estreado no Xbox Game Pass no dia do lançamento, em janeiro deste ano.

O que sabemos é que o futuro é bem promissor e que a temporada de lançamentos e anúncios de games está logo entre nós, em junho, com o Summer Game Fest e Xbox Game Showcase já confirmados no início do mês – dias 9 e 12 respectivamente. Quem sabe não saberemos mais dessa possibilidade da Ubisoft e outras até lá. Faça suas apostas.


SOBRE O AUTOR

Jeancarlos Mota é co-publisher de games da Fast Company Brasil, editor-chefe do IGN Brasil e apaixonado por games e esportes. saiba mais