A Havaianas vai leiloar, no próximo dia 12 de maio, sua primeira coleção em NFT, sigla em português para “token não-fungível”. A tecnologia vem se popularizando após várias transações recentes. Jack Dorsey, fundador do Twitter, por exemplo, vendeu o primeiro post da plataforma por US$ 2,9 milhões. Até memes já se transformaram em NFT e foram comercializados. No caso das Havaianas, o projeto foi desenvolvido em parceria com o designer e artista Adhemas Batista, radicado em Los Angeles e parceiro da marca desde 2005.

Os NFTs que serão leiloados podem, no futuro, inspirar outros produtos da marca no formato digital (Crédito: Divulgação) 

Serão cinco itens a compor a coleção virtual de Havaianas em NFT: Happy Feet, A Step to Happiness, Happy Citizen, Happy Spring e Happy Heels. Parte do lucro arrecadado será destinado ao projeto Favela Galeria, um museu à céu aberto localizado na zona leste de São Paulo. O leilão ocorre pela Foundation.app , com duração de 24 horas e tendo a Ethereum como rede oficial de criptomoedas.

“O mundo do NFT está vivendo um boom nesse momento. O que começou com skins nos games ganhou uma força enorme e já há marcas vendendo apenas roupas e calçados digitais, que podem ser ‘vestidos’ como filtros de Instagram e outras redes sociais. Para Havaianas, faz muito sentido participar dessa conversa”, diz Fernanda Romano, CMO da Alpargatas. O NFT utiliza tecnologia de blockchain, um sistema que permite rastrear o envio e recebimento de informações através da internet e o selo garante que as informações armazenadas nessa cadeia sejam invioláveis impedindo copia ou falsificação.

A Havaianas desenvolveu cinco peças que estarão nessa primeira coleção (Crédito: Divulgação)

“Essas artes são um conceito do time de criação de Havaianas que pode, um dia, vir a ser um produto no mundo físico. No blockchain, esse momento fica registrado como uma arte única e não será copiado”, explica Fernanda.

NFT ORIENTADO AO MARKETING

Os NFTs existem desde 2017, mas ganharam visibilidade a partir do ano passado. Desde então, já foram feitas várias transações que ganham notoriedade na música, na arte, nos games e cada vez mais no marketing. Marcas descobriram a tecnologia como forma de ter mais uma plataforma de conexão. A Pizza Hut, por exemplo, criou uma  fatia pixelada e o Taco Bell replicou seus tacos em forma de NFT. Na França, o McDonald´s promoveu uma campanha que sorteou quatro NFTs aos ganhadores em formato dos ícones da rede.

Ícone pixelado do tradicional sabor de peperoni, da Pizza Hut, em uma NFT avaliada em mais de US$ 8 mil (Crédito: Reprodução) 

Fernanda Romano explica que, em relação à aplicação prática do NFT para o marketing, existem várias possibilidades. “A economia dos criadores, quando combinada com NFTs, estabelece uma base sólida para um novo modelo de propriedade coletiva. Como marcas, podemos aproveitar a criatividade coletiva para desenvolver novos produtos e serviços com acesso a uma comunidade enorme, que não será remunerada por salário e benefícios, mas por participação na criação e no valor gerado por ela mesma”, explica.

Em uma promoção recente, o McDonald´s França sorteou quatro NFTs com imagens de seus produtos (Crédito: Reprodução)

Ela destaca que os NFTs abrem possibilidades para a criação de comunidades autônomas que se auto-regulam, sem a necessidade de uma liderança central. “Mais uma vez, pessoas que se aproximam por afinidades. Todos contribuem, todos enxergam as contribuições e são co-proprietários na medida em que os ativos são negociados. Pense em Roblox, Minecraft e Fortnite: plataformas ‘open-play’ que permitem que os criadores criem seus espaços, seus games, suas conexões e, também, monetizem ideias”, explica. Na semana passada, a Havaianas lançou uma Ilha de Verão dentro do jogo Fortnite, da Epic Games, ampliando sua participação em ecossistemas virtuais.

SOBRE O AUTOR

Luiz Gustavo Pacete é editor-contribuinte da Fast Company Brasil