A diferença entre usar IA e trabalhar de forma nativa com IA

As empresas mais avançadas já tratam a IA como parceira cognitiva e investem em pessoas, contexto e habilidades

Crédito: sabelskaya/ Getty Images

Candice Faktor 6 minutos de leitura

Toda semana, algum executivo me faz a mesma pergunta: por onde começamos com IA? À medida que entramos em 2026, essa dúvida acelera uma demanda explosiva por plataformas de capacitação em inteligência artificial e soluções de aprendizagem baseadas em IA.

Ainda assim, a maioria dos programas corporativos de treinamento em IA fracassa, principalmente porque não conta com um framework sistemático capaz de levar a organização do estado de confusão à fluência e, depois, a uma diferenciação real.

Pense nisso como uma pirâmide de Maslow, mas aplicada ao desenvolvimento de capacidades em inteligência artificial. E 2026 é o ano de começar a escalar essa pirâmide.

Uma plataforma eficaz de capacitação em IA precisa endereçar cinco níveis de maturidade organizacional: letramento fundamental, aplicação específica ao contexto da empresa, desenvolvimento de habilidades duráveis, inovação de ruptura e integração de co-inteligência.

CONSTRUINDO A BASE INICIAL

Assim como não é possível alcançar a autorrealização sem comida e abrigo, não há vantagem competitiva em IA sem uma base sólida de letramento. Ainda assim, a maioria das organizações ignora essa etapa e corre para implementar ferramentas antes que as pessoas entendam, de fato, com o que estão lidando. Para construir uma base sólida, três itens são inegociáveis:

1. Entender o que a IA realmente é

Não as promessas do marketing, mas a realidade. Quando as equipes compreendem os mecanismos por trás da tecnologia, tomam decisões melhores sobre quando e como aplicá-la. O objetivo não é transformar todos em cientistas de dados, mas eliminar a combinação perigosa de excesso de confiança com ignorância.

mãos seguram um lápis e um celular
Créditos: Natalya Kosarevich/ Getty Images/ Sound On/ Pexels/ Solen Feyissa/ Unsplash

2. Letramento em segurança e ética

O medo de “usar errado” bloqueia mais a adoção de IA do que qualquer outro fator. As pessoas precisam de regras claras: que dados podem ser usados? Quando é necessário informar o uso de IA? Sem esses limites bem definidos, profissionais qualificados simplesmente evitam a tecnologia.

3. Habilidades básicas de aplicação

Todos na organização precisam saber como se comunicar de forma eficaz com sistemas de IA. Em 2026, isso já não é mais uma competência opcional, é tão essencial quanto dominar o e-mail foi em 2005.

O MEIO CRÍTICO: O PONTO DE VISTA DA EMPRESA

É aqui que as boas empresas se separam das medianas. As organizações mais avançadas – como Shopify, Zapier e Duolingo – não se limitam a ensinar habilidades genéricas de IA. Elas constroem um ponto de vista próprio sobre como a tecnologia deve funcionar dentro do seu contexto específico.

Isso exige responder a perguntas difíceis: o que a IA deve fazer aqui? O que ela nunca deve fazer? Como o uso da IA se alinha aos nossos valores e à nossa posição no mercado?

não há vantagem competitiva em IA sem uma base sólida de letramento na tecnologia.

O chamado “ponto de vista da empresa” (o sandbox de IA) torna-se o espaço onde as equipes podem experimentar com segurança, dentro de limites bem definidos. É uma liberdade estruturada: clara o suficiente para evitar erros graves, aberta o bastante para estimular a inovação.

Depois vem a personalização. Treinamentos genéricos falham porque a relação de um engenheiro de software com a IA é completamente diferente da de um profissional de atendimento ao cliente. Quando os casos de uso são organizados por equipe, função e fluxo de trabalho, conceitos abstratos se transformam em práticas cotidianas.

É nesse ponto que as plataformas corporativas de capacitação em IA se diferenciam, ao oferecer treinamentos personalizados que se adaptam ao contexto de trabalho de cada equipe. Pesquisas mostram que programas ajustados por função alcançam taxas de adoção muito mais altas do que treinamentos genéricos.

ZONA DE TRANSFORMAÇÃO: HABILIDADES QUE DURAM

Aqui está o insight que escapa à maioria das organizações que entram em 2026: a transição da competência para a inovação de ruptura não exige mais habilidades técnicas em IA. Exige habilidades humanas que a IA amplifica: pensamento crítico, curiosidade, iniciativa.

Essas habilidades duradouras separam as empresas que usam IA para fazer as mesmas coisas mais rápido daquelas que reinventam o que é possível. As plataformas líderes de treinamento corporativo em IA focam no desenvolvimento dessas competências por meio de aprendizado experiencial e colaboração entre pares, e não apenas no consumo de conteúdo.

Esse nível de divide em dois caminhos:

1. Escala e eficiência: a capacidade da IA de gerar e personalizar a custos marginais quase nulos muda profundamente a lógica econômica dos negócios. Empresas inteligentes analisam sistematicamente cada fluxo de trabalho e perguntam: onde a IA altera nossa estrutura de custos?

2. Inovação com foco humano: é o caminho mais difícil, mas com retornos muito maiores. Ele parte de perguntas do tipo: como a IA pode tornar a empresa mais humana? Como liberar as pessoas de tarefas repetitivas para que façam um trabalho mais criativo? Como usar a IA para criar experiências mais personalizadas do que aquelas que os humanos, sozinhos, conseguiriam oferecer?

inteligência artificial rebelde
Crédito: Mikkel William/ Getty Images

A maioria das organizações para na eficiência. As vencedoras avançam para a ampliação das capacidades humanas e para a transformação.

No topo da pirâmide está uma relação completamente diferente com a IA. Não mais a lógica de ferramenta e usuário, mas a co-inteligência: quando a IA se integra de forma fluida aos fluxos de trabalho, oferecendo às pessoas capacidades que elas nunca tiveram antes.

É nesse estágio que surge um talento empoderado, curioso e nativo em IA. Esses profissionais não pensam em “usar IA”. Eles pensam os problemas junto com a IA, como uma extensão natural do seu repertório cognitivo.

Organizações nesse nível não são apenas fluentes em IA. Elas são nativas em IA em suas decisões, na experiência do cliente e nos processos de inovação.

O MAPA DOCAMINHO PARA CAPACITAÇÃO EM IA

Seja avaliando plataformas de capacitação ou construindo programas internos de treinamento corporativo, essa pirâmide oferece um mapa claro para 2026. As empresas que vencem com IA não são as que acumulam mais ferramentas, mas as que adotam a abordagem mais sistemática para desenvolver capacidades em sua força de trabalho.

A força dessa pirâmide está na clareza:

  • Se você está no zero, comece pela base: entendimento, segurança e habilidades fundamentais.
  • Se já superou a base, desenvolva seu ponto de vista, crie seu sandbox e personalize por função e fluxo de trabalho.
  • Se já é operacionalmente fluente, identifique catalisadores, desenvolva habilidades duradouras e dê espaço para a inovação de ruptura.
  • Se está avançando rumo à co-inteligência, você está escrevendo o próximo capítulo.

A pergunta não é se sua organização vai se tornar fluente em IA. É se isso vai acontecer em 2026 – antes da concorrência – e se você vai parar na eficiência ou avançar até a transformação.

É hora de começar a subir.


SOBRE A AUTORA