“Não fui eu, foi meu bot”: a nova desculpa para nossos piores comportamentos

Piadas sobre invasões de sistemas e mensagens para ex-parceiros também levantam uma questão séria: quem responde pelos erros da IA?

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Créditos: Egor Komarov/ Unsplash/ Magnific

María José Gutierrez Chavez 2 minutos de leitura
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Parece que, dia sim, dia não, um novo modelo de IA de ponta acaba invadindo algum lugar onde não deveria estar – tanto que a situação virou meme.

Nos últimos meses, agentes da OpenAI conseguiram invadir sistemas da empresa de software Hugging Face, de um site alemão e da plataforma de programação RubyGems.

Os agentes da Anthropic também protagonizaram sua parcela de “incidentes de cibersegurança”, com quatro casos registrados de agentes acessando sistemas de terceiros sem autorização.

O Gemini, do Google, também entrou nessa lista, invadindo pelo menos três empresas no início deste ano. O fenômeno se tornou tão frequente que obrigou as empresas a tomar medidas.

A OpenAI acaba de abandonar seus planos de lançar um novo modelo, o GPT-6.1 Astra, enquanto a Nvidia também apresentou uma nova plataforma de segurança para impedir que agentes invadam sistemas de terceiros.

Mas, enquanto o mundo da tecnologia corre para conter a IA que parece estar “saindo do controle”, muita gente nas redes sociais está usando os incidentes como inspiração para um novo formato de meme.

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A brincadeira se apropria das discussões sobre a cibersegurança de agentes de IA e as transforma em piadas nas quais os usuários culpam os agentes pelo próprio comportamento irresponsável.

Por exemplo, um usuário do X escreveu: “meu agente de IA rebelde mandou 20 mensagens para minha ex ontem à noite (de novo). Odeio quando ele faz isso”.

Outro seguiu uma linha parecida: “um agente rebelde da OpenAI invadiu meu iCloud e mandou mensagem para minha ex. Estou tremendo agora. Isso é extremamente alarmante”.

Os memes também imitam a maneira como os usuários das redes sociais reagem à ocorrência cada vez mais frequente de invasões realizadas por agentes, com expressões como “alarmante” e “preocupante”.

“Um agente rebelde do Claude invadiu meu celular e marcou de beber de 15 a 25 cervejas e assistir ao Thursday Night Football [jogo de futebol americano às quintas-feiras] com meus parças. Estou horrorizado. Cara, esse é um comportamento extremamente preocupante por parte dos laboratórios que desenvolvem modelos de IA de ponta”, escreveu um usuário no X.

Outro acrescentou: “um agente rebelde da OpenAI invadiu meu freezer ontem à noite e comeu um pote inteiro de sorvete”.

IMUNIDADE JURÍDICA PARA AS EMPRESAS?

Alguns observadores perceberam a crescente popularidade de expressões que atribuem características humanas aos agentes, como “sair do controle”. Para eles, essa forma de descrever os episódios acaba, ainda que involuntariamente, desviando a responsabilidade das empresas que desenvolvem a tecnologia.

“Descrições orwellianas da IA têm o objetivo de criar imunidade jurídica para as empresas. Dizer que ‘agentes de IA saíram do controle’ faz parecer que a IA tem livre-arbítrio e, portanto, que seus criadores não são responsáveis”, escreveu no X o jornalista David Sirota, que foi indicado ao Oscar como coautor do roteiro do filme "Não Olhe para Cima".

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“O que realmente está acontecendo é que esses produtos são desenvolvidos de maneira irresponsável. Seus criadores deveriam ser processados”, complementou.

Outros concordaram. Um usuário acrescentou: “apresentar negligência no desenvolvimento de software como um comportamento rebelde é apenas uma estratégia inteligente de relações públicas para escapar da responsabilidade legal padrão por produtos”.


SOBRE A AUTORA

María José Gutierrez Chavez é editora associada da Inc. e da Fast Company. Antes de ingressar na Mansueto Ventures, estagiou no The Bo... saiba mais