Anthropic afirma proximidade com Departamento de Guerra antes de decisão de Trump

A disputa judicial expõe um embate direto entre o governo americano e a empresa de tecnologia

Tela do Anthoropic em notebook
Crédito: imagem gerada com auxílio de IA ChatGPT.

Joyce Canelle 2 minutos de leitura

A empresa de Inteligência Artificial (IA) Anthropic afirmou ter mantido diálogo próximo e contínuo com o Departamento de Defesa dos Estados Unidos antes da ruptura anunciada pelo presidente Donald Trump no fim de fevereiro.

A declaração foi apresentada na sexta-feira (21), em um tribunal federal na Califórnia, como parte da resposta da empresa às acusações de risco à segurança nacional. O caso será analisado amanhã (24).

A disputa judicial expõe um embate direto entre o governo americano e a empresa de tecnologia após o rompimento das negociações. Segundo o TechCrunch, a Anthropic representaria um risco inaceitável. A empresa contesta essa leitura e afirma que houve falhas de interpretação técnica ao longo do processo.

RELAÇÃO PRÓXIMA

Nas declarações entregues à Justiça, executivos da Anthropic sustentam que a relação com o Departamento de Defesa era ativa e estruturada até poucos dias antes do impasse.

A chefe de políticas da empresa, Sarah Heck, relatou participação em reuniões de alto nível com autoridades do Pentágono, incluindo o secretário de Defesa Pete Hegseth.

De acordo com Heck, os encontros tratavam do uso responsável da IA em contextos governamentais e não indicavam, naquele momento, qualquer ruptura iminente. Ela afirma que a empresa buscava alinhamento com o governo, inclusive em temas sensíveis ligados à segurança.

CONTESTAÇÃO DAS ACUSAÇÕES

Um dos pontos centrais da defesa da Anthropic é a rejeição da alegação de que a empresa teria exigido poder de aprovação sobre operações militares. Segundo Heck, essa hipótese nunca foi levantada pela companhia durante as negociações.

A executiva afirma que o argumento apresentado pelo governo não corresponde ao que foi discutido nas reuniões. Para ela, trata-se de uma distorção que acabou ganhando peso apenas no processo judicial.

Outro ponto de conflito envolve a possibilidade de interferência da empresa em sistemas utilizados em operações militares. O governo levantou a preocupação de que a Anthropic pudesse modificar ou interromper sua tecnologia em momentos críticos.

A empresa nega que esse cenário tenha sido discutido anteriormente. Segundo Heck, essa questão surgiu apenas nos documentos apresentados pelo governo na Justiça, o que teria impedido uma resposta prévia durante as negociações.

ORIGEM DO CONFLITO

O impasse começou após a recusa da Anthropic em permitir o uso irrestrito de sua tecnologia para fins militares. A decisão levou à reação pública de Donald Trump e ao anúncio de rompimento por parte do governo.

A empresa, por sua vez, sustenta que buscava estabelecer limites claros para o uso da inteligência artificial, mantendo diálogo aberto com o Departamento de Defesa até o momento da decisão política.

Com a audiência marcada para esta semana, o caso deve avançar no Judiciário com a análise das declarações apresentadas pelas duas partes.

A Anthropic tenta demonstrar que houve cooperação e transparência durante as negociações, enquanto o governo mantém a posição de que a empresa representa risco estratégico.


SOBRE O(A) AUTOR(A)

Bacharel em Jornalismo, com trajetória em redação, assessoria de imprensa e rádio, comprometida com a comunicação eficiente e a produç... saiba mais