Asana lança “colegas de IA” que atuam como parte da equipe

A gigante do software de gestão está lançando “colegas de IA” que colaboram com equipes e executam tarefas como se fossem funcionários reais

desenvolvedor programa agentes de IA
Créditos: imaginima/ Thidarat Kwangten/ Getty Images

Steven Melendez 3 minutos de leitura

A Asana, gigante do software de gestão de projetos, está lançando o que chama de “colegas de IA”: são bots capazes de participar do trabalho e das discussões dentro da plataforma de forma muito parecida com humanos reais.

Diferentemente de assistentes e copilotos de IA que respondem a um único usuário, esses “colegas de IA” foram projetados para colaborar com várias pessoas ao mesmo tempo, como um novo funcionário que recebe tarefas, feedbacks e comentários de diferentes pessoas.

A ideia é ir além da simples integração com softwares já usados pelas empresas: a Asana quer inserir esses agentes diretamente nos fluxos de trabalho que organizam e distribuem tarefas. Na prática, eles não substituem funcionários humanos – mas interagir com eles pode parecer surpreendentemente próximo de trabalhar com um colega de carne e osso.

“É uma experiência compartilhada. Você pode adicioná-lo a um projeto e ele vai se comportar e aparecer como um membro da equipe, inclusive assumindo tarefas”, explica Arnab Bose, diretora de produto da empresa. “Quando ele assume tarefas, qualquer pessoa do time pode dar feedback para esse agente de IA.”

O recurso estreia com 21 colegas de IA pré-configurados, capazes de executar funções como planejar lançamentos de produtos, redigir briefings de campanhas de marketing, gerenciar filas de atendimento de TI e até programar conteúdos para a web. Também é possível criar agentes personalizados a partir de prompts próprios.

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Esses bots podem ser inseridos em conversas dentro da Asana e operam com base no chamado Asana Work Graph, a estrutura de dados da empresa que mapeia relações entre projetos, pessoas e tarefas.

Esse contexto permite que os agentes entendam melhor suas atribuições e sugiram colaboradores ou arquivos relevantes. Também podem ser programados para executar tarefas de rotina, como analisar diariamente ou semanalmente um quadro da Asana em busca de riscos que possam comprometer prazos.

QUEM CONTROLA OS COLEGAS DE IA

Um ponto crítico: os colegas virtuais conseguem ler e escrever arquivos em sistemas na nuvem como Google Drive e Microsoft SharePoint. Ou seja, podem acessar e contribuir diretamente nos ambientes onde o trabalho já acontece.

Um agente responsável por criar briefings de marketing, por exemplo, pode puxar notas existentes e documentos estratégicos para orientar seus rascunhos.

Outras integrações, como com sistemas de CRM, devem chegar em breve, assim como ferramentas para que os próprios usuários criem integrações personalizadas.

agente de IA/ IA generativa
Crédito: Freepik

Os bots também conseguem interpretar feedbacks deixados em comentários dentro de documentos de texto, o que significa que os usuários não precisam mudar radicalmente sua forma de trabalhar para adotar esses “colegas digitais”.

Ainda assim, o controle continua nas mãos humanas. As equipes podem definir exatamente a quais dados os agentes têm acesso e quem pode controlá-los. Usuários mais avançados, por exemplo, podem editar a “memória” dos bots, removendo instruções equivocadas que eles possam ter aprendido.

a Asana quer inserir esses agentes diretamente nos fluxos de trabalho que organizam e distribuem tarefas.

Em geral, os agentes também não respondem a usuários que não pagam pelo recurso, que custa US$ 15 por mês por usuário. Ainda assim, outros membros da equipe conseguem visualizar as interações e resultados gerados pelos bots.

O lançamento – que chega primeiro a clientes corporativos e deve se expandir para usuários self-service no segundo semestre –acontece em um momento no qual a indústria de software corre para integrar agentes de IA a praticamente tudo: suítes de escritório, plataformas criativas, aplicativos especializados e interfaces de chat que popularizaram os grandes modelos de linguagem.

A aposta da Asana é combinar seu Work Graph com uma abordagem colaborativa de IA para se tornar o principal hub de gerenciamento desses agentes.


SOBRE O AUTOR

Steven Melendez é jornalista independente e vive em Nova Orleans. saiba mais