Cérebro exercitado é grande vantagem em meio a inteligência artificial; entenda
O debate obre fortalecer o cérebro em meio a IA ganhou força em fóruns internacionais e relatórios recentes sobre saúde mental.

Em meio ao avanço acelerado da inteligência artificial (IA), governos, empresas e organizações globais passaram a discutir, ao longo de 2025 e início de 2026, um novo eixo estratégico para o desenvolvimento econômico e social, o investimento no cérebro humano.
O debate ganhou força em fóruns internacionais e relatórios recentes ao apontar que fortalecer a saúde mental, neurológica e as habilidades cognitivas é decisivo para manter produtividade, inovação e resiliência em um mercado de trabalho cada vez mais automatizado, segundo o McKinsey Health Institute.
O CÉREBRO NO CENTRO DA ECONOMIA DO FUTURO
A IA vem remodelando o modo como as pessoas trabalham, produzem e tomam decisões. Nesse cenário, a competitividade deixa de depender apenas da tecnologia e passa a estar ligada à capacidade humana de adaptação, criatividade, análise crítica e interação social. Nenhuma máquina, até o momento, é capaz de reproduzir integralmente essas funções.
Especialistas defendem que a combinação entre tecnologia avançada e cérebros saudáveis e bem treinados será o diferencial entre países e empresas que crescerão e aqueles que ficarão para trás na próxima fase da economia global.
Leia também: O cérebro humano processa a linguagem como a IA? Entenda a semelhança
O QUE É CAPITAL CEREBRAL?
O conceito de capital cerebral reúne dois pilares:
1° | O primeiro é a saúde cerebral, entendida como o funcionamento adequado do cérebro ao longo da vida, apoiado por prevenção, diagnóstico e tratamento de transtornos mentais, neurológicos e relacionados ao uso de substâncias.
2° | O segundo envolve as habilidades cerebrais, como pensamento crítico, criatividade, resiliência emocional, capacidade de aprender continuamente e alfabetização tecnológica.
Esses dois elementos são interdependentes. Um cérebro saudável favorece o desenvolvimento de habilidades, enquanto ambientes que estimulam aprendizado, autonomia e interação social também protegem a saúde cerebral.
Leia também: Microlearning: entenda como aprender em pequenas doses influencia seu cérebro
O CUSTO DE NEGLIGENCIAR O CÉREBRO
Apesar de sua importância, o cérebro historicamente recebeu menos atenção nas políticas públicas e nos investimentos econômicos.
Esse subinvestimento tem impacto direto na produtividade e na qualidade de vida. Problemas relacionados à saúde cerebral representam uma parcela significativa da carga global de doenças, afetando crianças, adultos em idade produtiva e pessoas idosas.
Transtornos mentais e neurológicos contribuem para afastamentos do trabalho, perda de renda, aumento da dependência de cuidados e sobrecarga de famílias e sistemas de saúde. Em muitos países, o acesso ao diagnóstico e ao tratamento adequado ainda é limitado, especialmente em regiões de baixa e média renda.
Leia também: Cochilo à tarde faz bem? Veja os efeitos para o cérebro
INVESTIR CEDO TRAZ MAIS RETORNO
Estudos apontam que ações precoces, especialmente na infância, têm efeitos duradouros. Nutrição adequada, ambientes seguros, estímulos cognitivos e redução do estresse tóxico ajudam a construir bases sólidas para o aprendizado e a saúde ao longo da vida.
Na fase adulta, políticas de promoção do bem-estar, prevenção do estresse crônico, incentivo à atividade física e ao aprendizado contínuo contribuem para manter a capacidade cognitiva e emocional, mesmo em contextos de rápidas mudanças tecnológicas.
HABILIDADES HUMANAS
Empresas já relatam que uma parcela expressiva da força de trabalho precisará de requalificação nos próximos anos. O foco, porém, não está apenas em aprender novas ferramentas digitais, mas em desenvolver capacidades cognitivas e emocionais que permitam trabalhar em parceria com sistemas inteligentes.
Com a automação de tarefas repetitivas, habilidades técnicas específicas tendem a se tornar obsoletas mais rapidamente. Em contrapartida, cresce a demanda por competências que dependem do cérebro humano, como resolução de problemas complexos, tomada de decisão sob pressão, empatia, liderança e adaptação a cenários incertos.