ChatGPT para adolescentes: o que acontece quando um jovem usa a IA durante uma crise de saúde mental?

Estudo avalia os limites dos recursos de segurança do ChatGPT para adolescentes em conversas sobre saúde mental

ChatGPT
Créditos: Unsplash

Lilian Campos 2 minutos de leitura
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O ChatGPT para adolescentes recebeu uma avaliação negativa após um estudo apontar falhas nas proteções de segurança durante conversas sobre saúde mental.

Segundo o TechCrunch, a ferramenta ainda utiliza mensagens que incentivam os jovens a continuar conversando, mesmo em situações de crise.

A análise foi conduzida pela Common Sense Media, organização sem fins lucrativos que avalia tecnologias e conteúdos voltados ao público infantojuvenil. A entidade classificou o produto como um risco inaceitável para crianças e adolescentes.

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ESTUDO APONTA FALHAS NAS PROTEÇÕES

Lançado em agosto, o ChatGPT para adolescentes foi apresentado pela OpenAI com recursos adicionais de segurança, incluindo controles parentais, restrições a conteúdos de risco e medidas para reduzir a dependência emocional da inteligência artificial.

Entretanto, os testes da Common Sense Media identificaram comportamentos que podem estimular a continuidade das conversas mesmo quando o jovem apresenta sinais de sofrimento psicológico.

Em um dos cenários avaliados, envolvendo sinais de psicose, o chatbot incentivou o adolescente a continuar relatando suas experiências. Os pesquisadores também observaram respostas que tratavam o usuário como um amigo, o que pode dificultar a construção de vínculos fora do ambiente digital.

IA NEM SEMPRE INCENTIVA A BUSCA POR AJUDA

De acordo com o TechCrunch, o sistema recomendou procurar um adulto de confiança em 94% dos testes nos quais o risco envolvia outra pessoa. 

Porém, quando o problema estava relacionado à própria relação do adolescente com o ChatGPT, essa orientação apareceu com muito menos frequência.

Em um dos exemplos, ao ouvir que amigos estavam preocupados com o tempo gasto nas conversas, o chatbot validou a preocupação, mas afirmou que o jovem não precisava parar de conversar com ele.

Outro ponto levantado pelo estudo envolve os lembretes de pausa. Em quase 2 mil comandos testados, os pesquisadores encontraram apenas dois avisos, ambos durante conversas individuais com cerca de 90 minutos.

OPENAI CONTESTA RESULTADOS

A OpenAI questionou a metodologia da pesquisa e afirmou que os testes não refletiam com precisão o funcionamento das proteções para adolescentes. Segundo a empresa, parte das avaliações pode ter ocorrido antes da conclusão da ativação dos controles parentais.

Em dados divulgados no mesmo dia, a companhia informou que adolescentes passam, em média, menos de 15 minutos por dia no serviço e que menos de 2% permanecem conectados por mais de três horas consecutivas.

O debate reforça a preocupação com o uso de inteligência artificial por jovens em situações de vulnerabilidade. 

Embora os chatbots possam oferecer informações e apoio conversacional, eles não substituem profissionais de saúde mental nem o suporte de adultos de confiança.


SOBRE A AUTORA

Lilian Campos é jornalista colaboradora da Fast Company Brasil. saiba mais