ChatGPT muda de perfil: mais mulheres e mais língua portuguesa
Dados da OpenAI revelam que as mulheres são maioria entre os usuários e que o português já é o terceiro idioma mais usado na plataforma

Mulheres já representam mais da metade dos usuários do ChatGPT no mundo. No Brasil, elas enviam mais mensagens à plataforma do que os homens.
Não somos um caso isolado. Colômbia, Polônia e Namíbia também estão entre os países onde a maior parte do volume de mensagens enviadas são de contas com nomes femininos. Já Paquistão, Bangladesh, Angola, República Democrática do Congo e Mali apresentam o cenário oposto, com maior concentração de uso entre contas com nomes masculinos.
Os dados divulgados pela OpenAI revelam que, entre janeiro de 2025 e janeiro de 2026, o uso associado a contas com nomes tipicamente femininos cresceu quase 13%, enquanto o ligado a contas com nomes tipicamente masculinos caiu 6,8%.
A mudança no perfil dos usuários também se reflete na distribuição geográfica. A América do Sul é uma das regiões que teve grande aceleração na adoção do ChatGPT, ficando atrás apenas da África e da Ásia e superando Europa e América do Norte em crescimento.
ALÉM DA BOLHA
A inteligência artificial deixou de ser uma ferramenta cujo idioma predominante é o inglês. Nos últimos dois anos, o cenário mudou com o crescimento consistente da participação de usuários que falam outros idiomas. O português é o terceiro mais usado, perdendo somente para o inglês e o espanhol.
Embora a língua portuguesa seja o idioma oficial de nove países, o Brasil tem a sua força, concentrando a maior parte dos falantes na ferramenta. Esse dado reforça que a IA está deixando de ser uma tecnologia concentrada e passa a contar com uma base de usuários mais diversa, tanto na perspectiva geográfica quanto na linguística.
A NOVA FASE DA IA
Essas três transformações – uso por gênero, região e idioma – mostram que o ChatGPT alcança um público mais amplo do que nunca. Com isso, cresce a necessidade de desenvolvimento de ferramentas que compreendam diferentes idiomas, variações linguísticas e contextos culturais.
A mudança também se reflete na forma como a IA é utilizada, com um aumento do uso em tarefas cotidianas e pessoais, além das aplicações técnicas e profissionais.
“A inteligência artificial está mudando não apenas como as empresas vendem, mas como elas entendem o consumidor. Estamos saindo de um modelo de comunicação em massa para um consumo cada vez mais personalizado, preditivo e orientado por dados”, afirma Edson Fávero, coordenador da área de comunicação e design do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA).